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Especial do Mês #03 – Augusto dos Anjos

Fonte: O Budismo Moderno de Augusto dos Anjos. Blog Outros 300, de Ricardo Salvalaio.
Fonte: O Budismo Moderno de Augusto dos Anjos. Blog Outros 300, de Ricardo Salvalaio.

Oi,

O Especial do Mês vem homenagear um dos meus poetas brasileiros favoritos, Augustos dos Anjos. Para os amigos mais próximos, não é novidade meu amor por Literatura Brasileira. Pode-se alguns comentarem que é óbvio eu apreciar, já que tenho costume de ler, mas saiba que nem todo mundo que gosta compulsivamente de ler, gosta e reverencia a literatura de seu país.

Meu primeiro contato com as poesias de Augusto dos Anjos foi no Ensino Médio, mas foi no cursinho e não na escola, com as declamações exacerbadas de uma professora louca chamada Raquel, quando eu passei a amar e vasculhar a vida e obra do poeta. Eu matava aula de Física I para assistir Literatura Brasileira com os alunos do 2º ano, eu já tinha minhas prioridades e decidia quando trocar uma aula por outra seria produtivo ou não.  Terminei o 1º ano com os três anos inteiros de Literatura na cabeça e a perspectiva de ser bibliotecária.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no engenho de Pau d’Arco, no município de Sapé, estado da Paraíba, em 20 de abril de 1884. Augusto dos Anjos foi educado nas primeiras letras pelo pai, um poeta precoce, compôs os primeiros versos aos 7 anos de idade. Bacharelou-se em Direito pela Universidade de Direito do Recife em 1907, dedicando-se ao magistério. Casou-se, não com a mulher que queria, mas com Ester Fialho. Faleceu em 1914 de pneumonia, no Rio de Janeiro.

Não há uma definição clara se Augusto dos Anjos é simbolista, parnasiano ou pré-modernista. Sua poesia é cheia de termos científicos, pessimismo, simbolismo, solidão, linguagem crua. A obra de Augusto dos Anjos pode ser dividida, não com rigor, em três fases, a primeira sendo muito influenciada pelo simbolismo e sem a originalidade que marcaria as posteriores. A essa fase pertencem  Saudade , seu primeiro poema publicado, e Versos Íntimos. A segunda possui o caráter de sua visão de mundo peculiar. Um exemplo dessa fase é o soneto Psicologia de um Vencido. A última corresponde à sua produção mais complexa e madura, que inclui Ao Luar.

Publicou em 1912 o livro único de poemas, Eu. Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor.

Deixo declarado que há muita analogia por trás dos poemas de Augusto dos Anjos e que o objetivo é apresentar o autor e não fazer uma análise acadêmica de sua obra. Para se entender profundamente sobre as tendências poéticas do poeta se faz necessário ler sobre a vida dele e interpretar suas nuances. Espero que vocês se interessem por ele, deixo o poema Saudades:

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noite quando em funda soledade
Minh’alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

Augusto dos Anjos

Beijos, May.

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