Livros, Resenhas

#HalloweenWeek – A Filha do Sangue, de Anne Bishop

Banner de A Filha do Sangue grande

Olá,

Eu falei que o #HalloweenWeek iria ser especial, e para isso eu quis montar um dossiê do livro que mais me encantou este ano. A Filha do Sangue, primeiro volume da Trilogia das Joias Negras, foi um dos livros propostos para o evento ‘Encontro de Fãs de Literatura Fantástica’ junto ao livro A Espada de Shannara, organizado pela editora Saída de Emergência Brasil.

Enquanto que A Espada de Shannara foi uma leitura extremamente cansativa e que me rendeu um mês e meio de insistência, A Filha do Sangue foi envolvente desde a primeira linha. Envolvente talvez não seja a palavra correta, mas chocante encaixa-se melhor. Anne Bishop soube criar uma estória incrível, com personagens bem moldados, sabendo misturar sensualidade sem ter erotismo explícito e um estilo de narração que eu adoro mas com um toque diferente.

Capa de A Filha de Sangue

No mundo fantástico criado por Anne Bishop, as mulheres são o centro da sociedade, as detentoras do poder e do controle. Os homens estão – ou deveriam estar – em posição de servir por escolha própria a uma dessas mulheres. Mesmo o homem mais poderoso pode ser subjugado por elas. Este poder, que tanto as mulheres quanto os homens manifestam através de joias recebidas durante cerimônias – sendo que quanto mais escura a joia, mais poder eles têm –, os define como Sangue. Regidos por honra, dever e bondade, eles devem viver em harmonia com aqueles que não são Sangue.

Há séculos, a ambição envenenou tudo o que tinha de bom neles. Tornou os Sangue d’O Reino da Luz, Terreille – um dos três reinos desse mundo –, corrompidos. As mulheres domando os homens através de artefatos que têm o poder de escravizá-los, tirando o direito dos homens de servir a quem quiserem. E o termo ‘servir’ é bem amplo, podre e perverso em Terreille.

Sou um Senhor da Guerra dos Sangue. (…) – Você é um Príncipe dos Senhores da Guerra. Por que fazem isso com a gente, Yasi?

Porque neles não existe qualquer honra. Porque neles não existe qualquer lembrança do que é ser Sangue. (…)”

– Lucivar Yaslana (SaDiablo), p. 25.

A realização de uma antiga profecia foi vislumbrada para o futuro, A Feiticeira. Uma mulher dos Sangue, detentora de um grande poder que pode libertá-los e trazer as antigas virtudes dessa sociedade, que podem derrotar as mais fortes Rainhas – Feiticeiras que controlam Territórios em Terreille –, e conquistar todos os três Reinos.

Só que ninguém esperava que A Feiticeira começasse a trilhar esse caminho tão jovem, quando ainda pode ser influenciada e controlada por qualquer um. Jaenelle é uma menina de doze anos, doce e olhos azul-safira, que viaja entre os Reinos e tem amigos em todas as cortes. Há algo nela que encanta e atrai, há algo nela assustador e poderoso ao mesmo tempo.

Olhos antigos. Olhos vorazes. Olhos perturbados, sábios, que viam.” 

– Saetan SaDiablo, p. 49.

Enquanto Jaenelle é o ponto central da trama, os homens que querem servi-la são os protagonistas. Saetan SaDiablo, Senhor Supremo do Inferno, espera ansioso pela Feiticeira. Tem nela sua filha de alma prometida milênios atrás, além do dever de ensiná-la a Arte – que é como eles se referem ao domínio do poder. Ele ama Jaenelle e a teme em igual medida, e tem medo que seja corrompida pelo poder como as outras Rainhas.

“Sentiu o medo subir pela espinha, percorrendo suas veias.

Era poder demais. Nem mesmo os Sangue estavam destinados a deter tal poder. Nem a Feiticeira jamais controlara todo esse poder.

A verdade é que esta menina controlava. Esta jovem Rainha. A filha da sua alma.

Poderia aceitá-la. Poderia amá-la. Ou poderia temê-la. A decisão cabia a ele, e o que quer que decidisse aqui e agora seria uma decisão com a qual teria de viver.”

– Saetan SaDiablo, p. 53.

Daemon SaDiablo, O Sádico, é o mais forte macho entre os Sangue e acha que está predestinado a servir A Feiticeira como seu amante. Foi escravizado por mais de 1.700 anos pela sua perversa tia, Dorothea SaDiablo, Rainha de Hayll, que está a ponto de conquistar toda Terreille. Ele foi treinado na arte da sedução para servir as feiticeiras sob o comando de sua tia, e o único ponto fraco dele é seu irmão, Lucivar Yaslana.

” – Já não aguento ser tocado por elas. Desde… Já não suporto o toque, o cheiro, o gosto. Violaram tudo o que sou, até não me restar mais nada de puro a oferecer.”

– Daemon em conversa com Lucivar, p. 125.

Lucivar Yaslana é um eyrieno – uma raça que vive nas montanhas e tem asas. Mestiço de duas raças que se odeiam, ele tem um temperamento explosivo e por isso foi enviado para servir em uma das piores Cortes sob o comando de Dorothea. Neste primeiro livro, ele não tem tanto espaço, mas quando ele aparece é uma sequência de cenas que me deixaram vidrada.

“Havia uma única razão para comer, para se submeter ao que viria, e não era para se manter vivo.”

– Lucivar Yaslana (SaDiablo), p. 306.

A filha do Sangue é um jogo político, quem controla A Feiticeira tem O Poder. É um misto de sensualidade e crueldade. A escritora conseguiu mesclar o realismo a fantasia, temas tabus, e manter as características principais dos seus personagens.

O livro é divido em três partes, cada capítulo tem subdivisões que são narradas de diversos lugares dos Reinos. O que me surpreendeu na narrativa é que ela é em terceira pessoa, mas nunca vemos essa narração acontecendo a partir da Jaenelle e sim dos personagens que permeiam a trama. E foi essa narrativa que me fez acreditar na Jaenelle, que fez eu me encantar por ela como o personagem que está ao seu redor. Eu a amei como filha, inimiga e amante. Eu consegui, como disse antes, acreditar nela.

O importante é que se você tivesse uma estória contada em primeira pessoa por uma menina de doze anos que está passando por tudo que ela está, você teria os sentimentos dela, você teria os pensamentos ingênuos e desnecessários. Isso não acontece em A Filha do Sangue! A narrativa foi, com certeza, o diferencial. Porque neste livro eu vejo e compreendo as pessoas que podem manipulá-la. E, com toda a sensualidade dos outros personagens, eu acho que não teria conseguido me conquistar. Além de que eu pude acreditar na maturidade que a Jaenelle aparenta ter, não houve uma disfunção entre a menina e a lenda até as cenas finais.

Quando o reli essa semana, pareceu mais incrível que a primeira vez. Este será um dos livros que vou sempre indicar e falar até me cansar. A trilogia principal deu origem a mais seis livros de contos sobre antes e depois da chegada d’A Feiticeira, ainda não tenho informações sobre as publicações deles no Brasil. O segundo volume da trilogia principal foi publicado este mês como o título A Herdeira das Sombras, e pretendo resenhá-lo para vocês semana que vem. Não quero perder o pique com essa trilogia incrível!

Beijos, May.

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