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#HalloweenWeek – O Pacto, de Joe Hill

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Olá, pessoal. Sou eu, o Vlaxio. É uma honra vir aqui resenhar pra vocês no Dia das Bruxas. A data de hoje tem muito mais significados e tradições que apenas o “Doces ou Travessuras”, mas o Halloween como o conhecemos (tal como o Natal) tem ganhado cada vez mais força nos países da América do Sul e da Ásia, e, por isso, a iniciativa da Tashiro de uma #HalloweenWeek literária não só é apropriada como também uma chance para nós, os “resenhadores”, nos deliciarmos com o melhor que essa categoria de ficção tem para oferecer. Mal posso esperar por uma possível #ChristmasWeek. Não seria formidável?!

Bem, abracadabras à parte, let the magic begin.

Imagine o seguinte cenário: você está prestes a se mudar de continente, por causa de um emprego bacana que conseguiu, mas, uma noite antes de partir, sua namorada termina com você, em público, e é encontrada morta algumas horas depois. Todo mundo, é claro, aponta o dedo para você (e com razão), mas acontece que a única coisa que você se lembra é de ter dormido no seu carro, num acostamento à beira da estrada, remoendo a recém-adquirida dor de cotovelo. Uma investigação começa para encontrar o assassino (mas não importa, as pessoas assumem que foi você quem a matou e ponto final). Então, o lugar onde são guardadas todas as provas contra ou a favor de você pega fogo. O caso é arquivado por falta de evidências. Você não foi sentenciado, mas também não foi eximido de culpa. Um ano depois, numa bela manhã, você acorda com uma puta ressaca, e um par de chifres na cabeça. Doravante, você é o diabo.

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Antes de continuar, quero dizer que, para quem não sabe, Joe Hill é ninguém mais ninguém menos que filho de Stephen King. Sim, o próprio. Lorde do terror na literatura contemporânea. Sentiu o peso da responsabilidade? O cara tinha que ser bom desde o berço, tendo um pai ultra-mega-blaster-foda que nem o dele. Mas não vamos entrar nos argumentos ad hominem – até porque, muito embora seja filho de um gênio, ele não fica nem por um segundo à sombra do brilhantismo do coroa.

Li O Pacto na semana passada, mas já tinha visto as primeiras imagens da adaptação para o cinema em 2013. Por isso, quando entrei na história de verdade, era o Daniel Radcliffe que vinha à minha cabeça no papel do protagonista Ignatius Perrish. Isso foi uma experiência bem legal, porque, mesmo com o Dan tendo feito outros filmes além dos Harry Potter (recomendo altamente que você assista a Versos de Um Crime), eu nunca tinha lido nada que me fizesse imaginá-lo como outro personagem. Uma dica: vale totalmente a pena.

Além do que eu mencionei lá em cima, Ig Perrish precisa colocar a cabeça no lugar e saber que caralhos está acontecendo. Seus chifres parecem exercer uma força invisível sobre as pessoas, impelindo-as a contar seus segredos mais ocultos. Esse fato, obviamente, dá muito pano pra manga. Toda vez que Ig encontra alguém, por exemplo, essa pessoa começa um monólogo sobre o desejo de bater na própria filha porque ela não para de chorar, ou abandoná-la, pedir o divórcio do marido, e ir transar com um golfista negão. Uma habilidade como essa é assustadora, mas, a longo prazo, ele começa a tirar proveito disso para descobrir quem é o verdadeiro assassino da sua namorada.

Eu não diria que a história chega a ser um terror muito heavy, desses que não te deixa dormir por uma década. No máximo, um thriller engenhoso. Entretanto, há alguns aspectos que criam uma ambientação bem característica para você sentir um cagacinho de vez em quando, ainda mais se ler o livro à noite. A cidade de Gideon é pequena e pacata, todas as pessoas se conhecem, coisas estranhas acontecem sem explicação, os segredos dos habitantes são obscuros e mórbidos, e você nunca pode confiar em ninguém – especialmente na sua mãe e no seu pai, como Ig acaba descobrindo em determinado ponto da trama.

A narrativa do Hill é uma verdadeira aula de escrita. As palavras vão se juntando despretensiosamente e acabam formando sentenças claras, simples, e dinâmicas. As frases beiram a musicalidade, e os detalhes – ricos na medida certa – fazem você imaginar tudo como se fosse o próprio protagonista. O livro é contado em terceira pessoa, mas majoritariamente sob o ponto de vista de Ig, e aí você não tem como não gostar dele logo de cara, e simpatizar com as maluquices que ele fazia quando era adolescente.

Além do próprio Ignatius Perrish, temos o Lee e a Merrin como protagonistas da trama. Merrin era a namorada de Ig, mas Lee sempre fora apaixonado por ela. Detalhe: Ig sabia desse fato, e na maior parte do tempo não se importava, já que Lee é seu melhor amigo. Alguns personagens secundários, como Terry – irmão mais velho e bem-sucedido de Ig, orgulho da família Perrish –, os pais dele, e outros amigos da adolescência (Eric, Glenna, etc), são muito importantes. Não porque influenciam de modo decisivo na história, mas porque têm suas personalidades muito bem construídas no decorrer do livro, dando a cada um deles uma veracidade única.

A princípio, queremos saber de imediato quem matou Merrin – na verdade, queremos saber quem a estuprou violentamente, no meio do mato, e depois pegou uma pedra e fez um suco gosmento com o rosto dela. Mas bem antes da metade do livro acabamos descobrindo o que aconteceu a ela, e, então, nossa próxima prioridade é descobrir o que Ig fará a respeito, e, claro, entender que macumba ele conjurou na noite de bebedeira incontrolável para acordar, no dia seguinte, se parecendo com um aprendiz de Hellboy.

Uma curiosidade: logo que Ig descobre o assassino, e vai confrontá-lo, com a intenção de cometer um assassinato, ele não consegue. Levando em consideração que, na minha cabeça, o Ig é o Daniel Radcliffe, e que, vez ou outra eu lembrava dele no papel do bruxinho, nessa parte – da hesitação – a única coisa de que eu me lembrava era a voz do Lorde Voldemort, dizendo “Você tem que quereeeeer, Harry”. Normal. Né?

Não é a primeira vez que leio algo do Hill. Nosso “love” começou quando devorei A Estrada da Noite, que também é escrito por ele. Nesse livro anterior, Hill pesa um pouco mais a mão no terror, a história tem fantasmas e tudo o mais. Porém, O Pacto virou meu xodó. Não é a cereja do bolo que é o prêmio, mas o recheio dele. Caso não tenham entendido essa analogia, quero dizer que, n’O Pacto, o final não é o melhor de tudo, mas sim o conteúdo narrativo do livro – que, holy shit!, é pra leitor nenhum botar defeito.

Por mais que seja uma história absurda e maligna, o background da trama é um romance. Os acontecimentos descritos no livro partirão sempre desse plano de fundo, e por isso acho que as leitoras mais sensíveis podem acabar se surpreendendo com O Pacto. Não vou comentar mais nada sobre o enredo, porque senão posso acabar soltando muitos spoilers. Saibam apenas que dizer a verdade nunca foi tão destrutivo.

Aproveitando o climão em que o livro me deixou, fui logo assistir ao filme – que, pasmem!, estreará apenas em 18 de dezembro nas telonas brasileiras, mas vazou já tem um tempão na “baía do pirata” (também pudera, o longa foi lançado em 2013 no Toronto International Film Festival, e as distribuidoras enrolam mais de um ano pra lançar).

Bem, em todo caso, o filme é decentemente legal. A questão dos chifres foi muito bem explorada, e eu senti até mais a tensão do Ig Perrish quanto a eles no longa do que no próprio livro. Uma coisa que me incomodou um pouco – e talvez a única – é que os flashbacks não ficaram tão legais na película, sei lá, possivelmente porque eles não alcançaram um timing perfeito na minha opinião. A história escrita, claro, é incomparável, mas o filme com certeza faz valer a minha ida aos cinemas para conferi-lo em 600 polegadas. Por isso, estarei lá em dezembro…

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Para finalizar, confesso que não esperava tanto desse livro. A história tem lá suas falhas, mas, querem saber?, acho que as falhas também fazem parte de uma boa leitura. Não existe livro perfeito, muito menos autor perfeito. Existe, a meu ver, momento certo para uma leitura agradável de uma história minimamente extraordinária. E, meus pequenos gafanhotos, que época melhor do ano para passar um tempinho na companhia do diabo que não o Halloween?

Espero que tenham gostado, e até a próxima. =)

Happy Samhain!!

Vlaxio.

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6 thoughts on “#HalloweenWeek – O Pacto, de Joe Hill”

  1. Aqui estava eu deprimida por terminar A Herdeira das Sombras…

    Resenha incrível! Foi o UP! que eu estava precisando. Sabe que eu tenho horror a livros deprimentes e de terror… Mas você conseguiu fazer que eu enchergasse a perspectiva de uma leitura extraordinário e imperdível.

    Claro que uma super dica de filme para essa noite! Já estou vasculhando por aqui.

    Valeu!

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