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|RESENHA| O príncipe dos canalhas, de Loretta Chase

SAMSUNG CSC

Caros leitores¹,

Gostaria de informá-los que esta resenha segue o padrão de nossa querida protagonista, Jessica “Jess” Trent, e está recheado de impropérios, segundo Dain “lorde Belzebu”, contra o intelecto masculino. Senhores, não se sintam ofendidos. Não mais do que sua pobre lógica possa elucidar…

Com carinho,

Lady Tashiro

_______________

¹ É interessante que ao indicar esta nota, também nós mulheres devemos subjugar-nos a um substantivo masculino para generalização, isso somente comprova que esta regra foi lamentavelmente criada por um homem com problemas de ego.


Não pense que esta é uma estória comum, uma estória onde os cavalheiros se assemelham a príncipes e as senhoritas são damas recatadas, à espera da oportunidade de preencher seus cartões de dança. Nem que há uma sincronia perfeita entre o casal protagonista e que seu felizes para sempre acontece no momento em que dizem “eu aceito” na igreja. Sinceramente, que graça há nisso? Cadê a emoção? O sangue, o suor e as lágrimas? E, principalmente, a diversão?

Em maio de 1795, nasceu Sebastian Ballister, marquês de Dain, filho de um nobre com uns oito nomes e de mãe italiana. Sebastian era visivelmente parecido com a linhagem de sua mãe – a única prova de que era mesmo filho de seu pai é um sinal de nascença em uma das nádegas –, mas seu pai pode jurar que o menino é a cria do diabo. Além das feições italianas, Sebastian também herdara o temperamento explosivo. Sempre fora rejeitado por seu pai, e até os oito anos recebera o pouco carinho de sua mãe como se fossem presentes de Natal. Além do fato de que sua aparência lhe rendera muita humilhação quando passou a estudar; comparações e apelidos que o seguiram até a vida adulta.

“Ele se levantou e tocou a sineta, e um dos lacaios levou o garoto dali. Mesmo com a porta do escritório fechada, mesmo quando descia rapidamente as escadas, os gritos na cabeça de Sebastian não paravam. Ele tentou tampar os ouvidos, mas a gritaria continuou, e tudo o que conseguiu fazer foi abrir a boca e soltar um berro longo e terrível.”

— Sebastian “Dain” Ballister

Bem, você achou que ele seria um ser reprimido? Okay, vamos dizer que ele tem um pequeno problema que eu apelidei d’A Síndrome do Patinho Feio. Porém, Sebastian de modo algum aparenta ser um homem fraco. Ele crescera e aprendera a conviver com a repulsa das pessoas, a lidar com o fato de que possui a aparência do demônio em pessoa: alto demais, ombros largos demais, pele com um tom escuro e um nariz grande (que por tudo ser grande deve se encaixar perfeitamente na minha concepção). Sem poder contar com o pai, ele aprendera cedo a lidar com os negócios e fazer seu dinheiro se multiplicar. Também aprendera como ganhar jogos de azar, contratar prostitutas, beber até cair e a participar de festas escandalosas com seus amigos. E ele adora sua vida depravada e quer continuar assim, mas um dia ele conhece uma mulher que pode fazê-lo ajoelhar e implorar…

“Aquela criatura linda e louca – ou cega e surda – anunciara isso com a mesma frieza com a qual alguém pedia para passar o saleiro, e sem perceber que o eixo da Terra havia acabado de virar de cabeça para baixo.”

— Dain

Jessica Trent é uma mulher inteligente, bonita e divertida, além de uma excelente atiradora. Mesmo aos 27 anos e ainda solteira, poucos a chamariam de solteirona. Pretendentes não lhe faltam, mas para os padrões de Jess não há nenhum que se encaixe. Jess é uma mulher muito à frente de seu tempo, compreensiva – até demais – que os homens realmente necessitam de álcool e prostitutas, do mesmo modo que os animais devem caçar para comer. Não há tabus, peças de arte indecorosas e nem propostas que possam lhe causar rubor. Não o rubor da timidez, mas há um homem que pode aquecer a face de Jess com a raiva. Principalmente, quando esse homem está acabando com a vida do paspalho do irmão dela com sua má influência. E este homem, lorde Dain, não poderia ser baixo e gordo, tinha que ser um deus romano em carne e osso.

“— Você não devia usar esse charme masculino – disse ela, com a voz sufocada. E tocou na manga da camisa dele. — O que eu fiz de tão imperdoável?”

— Jessica “Jess” Trent

É óbvio que assim que eles se conhecem há uma química entre ambos, mesmo com a língua afiada de Jess. Enfeitiçado por sua beleza e inteligência, Sebastian se vê criando situações para poder vê-la. E, como uma bala, aquele fascínio se torna obsessão de ambos os lados começando um jogo de vingança entre os dois que os levará para a única coisa que nenhum deles quer: o casamento e a perda de suas independências. Os insultos de Jess se tornam uma grande chave para o nosso divertimento na estória, assim como Sebastian acrescenta drama com suas inseguranças. O enredo se desenvolve em cima desse casal que vive uma guerra de amor e ódio, insultos, incertezas e cenas avassaladoras. Mas o que fazer quando ambos têm personalidades tão fortes? Quem terá de se curvar? Jess dará a obediência cega que as mulheres devem proporcionar aos seus maridos ou Dain entenderá que a lógica feminina é imbatível?

“(…) Mas você não me escuta! Porque, como todo homem, você só consegue pensar uma coisa de cada vez. E ainda pensa errado.”

— Jess

Loretta Chase vai romper sua mente, e seu coração, e te mostrar que a perfeição está na imperfeição. Porque só uma mulher louca gostaria de ter como marido o príncipe dos canalhas, além de um macho alfa de carteirinha! E só uma mulher inteligente e autoritária poderia fisgar o coração desse verdadeiro cafajeste. E, por fim, o livro foi muito bem escrito, o enredo pode parecer comum, mas não seus personagens, eles dominam esse espetáculo à precisão. Quer apostar comigo que você irá amar?


Aos senhores que se sentiram insultados e querem defender a honra masculina, 

Convido a todos para o Encontro de Romances de Época que acontecerá dia 30 de maio, na Saraiva Manauara Shopping, às 15h.

Atenciosamente,

May.


P.S.:Gostaria de agradecer a editora Arqueiro por ter disponibilizado a prova deste livro. Vocês são demais! O livro lança em maio, meninas!

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7 thoughts on “|RESENHA| O príncipe dos canalhas, de Loretta Chase”

  1. Tenho os 06 da Julia Quinn e os 05 da Lisa ❤ Tô doida pra comprar da série OS Bedwyns e da Loretta tá na minha lista de prioridade. Amo um Romance de época e Arqueiro ta de parabéns nesse quesito.

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  2. Tive de vir aqui reler tua resenha depois de terminar o livro. Como você sempre falou, o O Príncipe dos Canalhas me surpreendeu bastante, e eu até fui capaz de relevar os aspectos negativos da história, como a submissão feminina que a época exigia, a superioridade velada dos homens (que, infelizmente, é atemporal), e até as mais-do-que-suficiente-cenas-de-sexo (em retrospecto, acredito que essas cenas devem ser mais legais para mulheres — ou posso estar sendo imperdoavelmente machista). Mas gostei do livro por inúmeros outros aspectos positivos, como o contexto histórico, por exemplo (adoraria, na verdade, que, em sendo um romance histórico, houvesse um pouco mais de descrição histórica nele), e o enredo de polaridades inversas dos protagonistas, e principalmente o jogo de sedução (física e intelectual) que se desenvolveu em diálogos muito bem construídos. Mas, acima de tudo — a cereja do bolo, eu diria — foi Dominik. Pra mim, as partes finais da história com o filho bastardo foram muito fofas e fizeram o livro valer totalmente a pena. Não posso deixar de citar Genevieve, também, a avó safadinha da Jess. Queria, por outro lado, que a parte do Beaumont fosse mais desenvolvida, pois ele claramente era uma bicha enrustida, mas tão ou mais inteligente do que Jess e Sebastian. Pra finalizar, devo confessar que esse foi o primeiro livro que li em muito tempo que me fez ter um crush forte pela protagonista mulher. A Jessica mexeu comigo, cara, não sei como, mas eu fiquei meio leso com ela. Talvez por isso ela tenha domado o Belzebu.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Você não sabe o quanto eu estou feliz que você tenha gostado, estou lagrimando até. Vamos a algumas informações iniciais, não lembro de ter colocado-as na resenha, a autora publicou 5 livros com persoangens que de vez em quando aparecem em alguma das histórias. Isso não faz dos 5 uma série, mas eles juntaram os livros e fizeram uma série. O príncipe dos canalhas é tipo o 3, apesar de que no 1 e no 2 alguns personagens do 3 estão mortos. O livro 4, O último dos canalhas, tem uma ligação forte o suficiente com o 3 para a editora publicá-lo também. Até hoje não decidi qual fos dois é o meu favorito. Lydia é a protagonista que vc respeita, ela é tão interessante e cativante quanto a Jessica. Eu acho que o Dominik foi bem necessário para estória do Dain, colocando em check a infância do próprio. Gosto que a Loretta faz os personagens dela terem um fundo, serem mais do que aquele momento em que eles encontram o amor da vida deles e só. Eles sempre tem algo em quê trabalhar. Sobre as cenas de sexo, pois é… lembro mais das cenas de sedução, dos dois no restaurante ou trocando farpas. Acho que o que sempre marca mais é o antes de chegar aquele ponto, fiquei extremamente enamorada pelo Belzebu. Tenho quase certeza que em um do dois primeiros livros dessa série que não é série, o Beaumont morreu e o cara que ele tem uma coisa pega a mulher dele. Acho que foi isso que estava no dossiê que eu recebi para o evento.
      Beijos!!

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    2. Ahhhh esqueci, Romance Histórico e Romance de Época são diferentes. Segundo a Elimar, expect no assunto:

      Romance histórico: é um livro contemporâneo que se baseia em fatos históricos: Uma guerra que realmente aconteceu; a vida de um personagem que realmente existiu, mesmo que esse seja coadjuvante, etc… Livros que se passam durante a Inquisição, guerras famosas (As Cruzadas, Guerra dos Cem Anos, Guerras Napoleônicas…), o reinado de um rei qualquer (Henrique VIII, Luis XIV, Cleopatra…). Os romances históricos procuram ser fiéis à fatos históricos, mesmo usando da ficção para deixar a história mais interessante.

       Exemplo: livros do Bernard Cornwell, Ken Follet, Phillipa Gregory…
       

      Romance de época: é um livro contemporâneo ambientada numa época passada, que pode ser determinada por uma data fixa como um ano, ou apenas um século, mas não se aprofundam no período histórico, usam apenas a cultura da época. Tipo, livros que se passam no período vitoriano, aonde a mocinha precisa casar, e para isso precisa seguir as regras da sociedade e tal… Alguns personagens e fatos históricos podem até ser citados superficialmente, mas não é o foco do romance.

      Exemplos: Julia Quinn, Lisa Kleypas, Loretta Chase…

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      1. Agora entendi perfeitamente. Mas, em minha defesa, na contracapa do livro o Romantic Times diz que a Loretta Chase é uma das escritoras que mais capta a essência dos romances históricos, por isso associei esse elogio ao livro em si, do qual o Romantic Times estava falando… Mas deu pra clarear na minha mente as ideias que eu tinha, e não vou cometer o mesmo erro…

        Curtido por 1 pessoa

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