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|RESENHA| Série Kate Daniels 01 – Sangue Mágico, de Ilona Andrews

SAMSUNG CSC

Olá!

Não me venha com essa de que não se compra livro pela capa! Ou, neste caso, solicita. Eu bati o olho e já sabia que ia amar o livro. Depois me apaixonei quando li a sinopse e percebi que eu estava certa, este é definitivamente o meu tipo de livro. Não só porque sou apaixonada por fantasia urbana — um gênero pouco explorado no Brasil —, mas também pelo fato de sua heroína ser anticonvencional, que me lembrou da garota desbocada que eu era na escola. E, não bastasse isso, a editora Saída de Emergência Brasil apresenta-nos os escritores, Ilona e Gordon, de forma tão divertida que é impossível você não querer saber como esse casal se saiu ao escrever a série Kate Daniels.

Ilona Andrews é o pseudônimo de um casal formado por Ilona, que nasceu na Rússia, e Gordon Andrews, que é ex-sargento do Exército americano. Ao contrário do que as pessoas possam achar, Gordon não era um oficial da Inteligência com licença para matar, nem Ilona uma misteriosa espiã que o seduziu. Na verdade, eles se conheceram de forma bem comum, na faculdade, quando frequentaram as aulas de Introdução à Redação. Os dois dividem a autoria da série Kate Daniels, sendo Sangue Mágico o primeiro livro, e da série The Edge, que eu tenho por mim que seja de fantasia urbana com uma pegada mais erótica (já quero!).

Mas o que é essa tal de fantasia urbana que cê tanto fala?

Não vamos delimitar o que é Fantasia Urbana, mas ter em vista que o cenário das grandes cidades são o plano de fundo desse gênero. Ás vezes, como no caso dessa série, esse plano de fundo se revela como um personagem que te instiga a se imaginar na realidade proposta pelos autores. Na realidade desse gênero, vários tipos de seres sobrenaturais estão presentes nessas cidades e convivem sob regras e hierarquias bastante claras. Normalmente, o sobrenatural está num submundo próprio e escondido do mundo humano. Para exemplificar: Instrumentos Mortais, da Cassandra Clare; Georgina Kincaid, da Richelle Mead; Crepúsculo, de Stephenie Meyer.

“A magia não podia ser medida nem explicada em termos científicos, pois crescia através da destruição dos próprios princípios naturais que tornavam possível a ciência tal como as pessoas a conheciam.”

— Kate Daniels, p. 60.

Imaginem um mundo que recebe grandes descargas de magia, e essa magia surge em grandes pulsos que fazem toda e qualquer tecnologia parar de funcionar. Aviões caem dos céus, carros param de funcionar, a TV desliga e os grandes arranha-céus despencam. Mas essa magia também se retrai e as coisas voltam ao normal. Atlanta é uma cidade já acostumada a esses pulsos e se fosse por adaptação estaria tudo bem. Porém, na série Kate Daniels, os artifícios sobrenaturais convivem com o mundo humano, estando todos adaptados a um mundo pós-apocalíptico. Quando digo todo mundo estou me referindo aos necromantes que comandam vampiros horripilantes, metamorfose de várias espécies, feiticeiros, médicos extremamente gatos e comuns, assim como outros seres muito mais estranhos e, alguns, extremamente atraentes.

“Os cavaleiros da Ordem eram prestativos, competentes e letais. Ao contrário dos mercenários da Associação, não eram motivados pelo dinheiro e mantinham suas promessas. No entanto, também emitiam juízos e acreditavam que sempre sabiam de tudo”

— Kate Daniels, p. 24-25.

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Fonte: ilona-andrews.com

Esse mundo é perigoso, mas se fosse um lugar seguro, controlado pela tecnologia, Kate Daniels seria uma mulher desempregada, com futuro e, talvez, normal. Porém, ela é uma mercenária que comercializa suas habilidades com a espada, evita seres poderosos e a Ordem dos Cavaleiros da Ajuda Misericordiosa, a única entidade que poderia protegê-la e o segredo guardado em seu sangue. Mas Greg Feldman, guardião-místico e o último elo com a sua família, foi morto. Agora Kate quer vingança, e vai acabar se envolvendo com todos que ela deveria evitar, e até arranjar um namorado — ou não?!

“— Não sou burra, mas, se disser que sou durona, você vai achar que é presunção minha, então vou apenas sorrir enigmaticamente.”

— Kate Daniels, p. 26.

A Kate (já íntimas!) é uma comédia. Não importa a situação, ela sempre tem algo para dizer. Isso pode ser engraçado ou macabro, pode ser dito a alguém que pode transformá-la em tiras sangrentas e, ainda, em um momento nada conveniente… Às vezes, simplesmente escapa. Ela não consegue controlar. Sério! Toda essa pinta de durona de língua solta é sua maior armadura, Kate passa às pessoas a sensação de uma mulher corajosa e sem noção fazendo um trabalho difícil para uma “humana”; uma com grandes habilidades.

” — Que tipo de mulher cumprimenta o Senhor das Ferras com um “Aqui, gatinho”? “

— Curran, p. 62.

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Mesmo que o livro não tenha um enfoque romântico, Kate está envolvida com muitos homens poderosos, bonitos e, no caso do Curran, extremamente selvagens e sensuais. Curran é o Senhor das Ferras Livres, tipo os transmorfos. Ele é genioso, sagaz e (como dizer isso sem dizer gostoso pra cacete?!) eroticamente petulante. Futuramente, eu espero que ele tenha mais espaço, e, até pelo que eu vi, ele se tornará uma peça importante na série. O Gordon escreveu uma POV do Curran, que se encontra para download em diversos formatos no site do casal. Eu dei uma lida nas duas cenas narradas pelo ponto de vista dele em Sangue Mágico, e é inegável que ele seja o par perfeito para Kate. Estou apostando minhas fichas nele.

“I detected no fear. Instead, it was a look of challenge. So not a mouse after all, but something more.”

— Curran.

In Curran Pov Collection

Sangue Mágico é narrado pela Kate em primeira pessoa, mas não pense que é aquela narração típica dos YA. Não só pelo fato de Kate ter 25 anos, mas acho que os escritores souberam balancear muito bem o lado feminino da personagem para a narração não ter aquele mimimi chato, além de ser delicioso acompanhar os desdobramentos do ponto de vista cômico dela. Uma coisa é certa, eu fiquei superimpressionada com a qualidade do mundo que foi criado nesta série, o que eu disse aqui não deu nem para explanar as arestas do que está no livro. Nos livros de fantasia urbana que eu já li, o escritor sempre foca no romance e deixa o sobrenatural e todos os outros elementos irem se desdobrando à sua vontade e necessidade. Mas, neste livro, a Kate e sua história é que devem se encaixar neste mundo e não o contrário. E aí está um ponto que eu esperava mais: enredo. O livro parece ter sido escrito sem pretensão nenhuma de enredo, os personagens são ótimos, o mundo é incrível, mas o enredo não foi forte o suficiente, tanto que eu não me prendi na busca pelo assassino do Greg e sim nos personagens e seus mistérios.

Eu superindico o livro. Vamos continuar acompanhando a série e esperando uma evolução no enredo. Porque, se faz tanto sucesso lá fora, deve haver mais motivos do que os aqui apresentados e sanados nos volumes seguintes. Este é meu pequeno desentendimento com esse primeiro livro.

Deixe seu comentário!

Beijos, May

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7 comentários em “|RESENHA| Série Kate Daniels 01 – Sangue Mágico, de Ilona Andrews”

    1. Oi Elis! Muito obrigada pela visita. Já estou ate xeretando na sua resenha… Eu amo nossa capa brasileira, mas nas americanas o Curran aparece em sua forma leão não deixando dúvidas sobre ele e a Kate. Espero ver mais deles também, quero saber se os escritores vão ir com cenas eróticas já que nesse primeiro livro não há uma maquiagem nas ações dos personagens.

      Beijos, May.

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  1. Li o livro O príncipe dos Canalhas por recomendação sua e amei. Por isso ja to indo procurar esse tbm. Ate pq eu adoro esse tipo de leitura. Obrigado pelas recomendações.

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    1. Oi Gabriela,
      Muito obrigada! Lorde Belzebu é tudo né?! Jess arrebenta!
      Sangue Mágico tem o que render, o mundo criado é incrivel. Se vc gosta dessa linha de Urban Fantasy, acabei de ler um incrível chamado Tabuleiro dos Deuses, da Richelle Mead. Bem diferente de tudo que ela já escreveu e de uma qualidade incomparável. É leitura obrigatória!
      Beijos, May.

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  2. eu tenho esse livro e amoooo muito ele !! eu tbm bati o olho e comprei ! e agora estou usando sua resenha como base para a minha pra um trabalho de port/lit !

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