Livros

Resenha: As espiãs do Dia D, de Ken Follett

as espiãs do dia d g1

Olá, pessoal.

A resenha de hoje vai ser relativamente pequena. Por dois motivos. Primeiro porque é um livro de espionagem, e, portanto, qualquer informação tem potencial para se tornar um possível spoiler. Vocês não querem isso, certo? Segundo porque o livro é foda pra caralho, e eu faço votos de que vocês o leiam tão logo possam e constatem por si mesmos que não estou falando abobrinhas aqui.

Pra começo de conversa, preciso confessar que no natal de 2012 ou 2013 eu ganhei de presente Os Pilares da Terra (volume único e em capa dura) que é do mesmo autor, mas até hoje nunca tinha lido. Antes disso, eu já havia assistido a uma entrevista do cara à rede de TV Bloomberg e me lembro que o achei bastante formidável. Depois que terminei a leitura de As Espiãs do Dia D, fui correndo pegar Os Pilares da Terra e passei os olhos pelas primeiras páginas, apenas para odiar até a minha sétima geração por nunca ter dado uma chance a ele. Nem preciso acrescentar que, doravante, minha leitura atual é, adivinhem, Os Pilares da Terra – que, diga-se passagem, caralho, ô livro bão sô!

Largando mão de ser besta, vamos ao que interessa.

Acontece que o livro fala sobre guerra. Ponto positivo. Mais especificamente, a segunda, com o cara que a gente mais adora odiar, ele mesmo, o Adolfinho… Outro ponto positivo. O climão de espionagem dá à dinâmica da história uma perda de fôlego, e você não sabe se atende aos chamados da natureza ou se termina mais um capítulo do livro. Já adianto que não existem “partes cavas”, quer dizer, a trama não dá ponto sem nó, e em algum momento todas as peças se encaixam.

O começo do livro já te pega de calças curtas. Pra você ter uma ideia, o primeiro capítulo te insere no contexto da guerra, e você muito rapidamente percebe que, tipo, é isso! Se você está numa guerra, pode estar tomando um café enquanto alguém está tentando explodir os seus miolos e te fazer de ingrediente para suco de melancia.

No centro de tudo, temos Flick, apelido de Felicity Clairet. Uma mulher inteligente, de gênio forte e grande potencial para liderança. Ela costumava ser tradutora, e passou basicamente três anos na França meio que ajudando a revolução que acontecia por lá. O que rola? Ela, junto ao marido Michael Clairet e alguns revolucionários, é encarregada de realizar um ataque a um local X, mas a missão acaba sendo um fracasso e dá em merda. Seu marido é baleado e seus parceiros terminam por ser mortos ou capturados.

Nesse ponto, eu achei o livro espetacular. Porque o autor não apenas dá prioridade à história, mas, também, toma cuidado com o desenrolar da vida pessoal da personagem. Imagine você ser uma mulher, em plena Segunda Guerra Mundial, com deveres de mulher e de esposa, trabalhando como oficial do governo britânico, e cujas ações desencadeiam grandes consequências, posto que seus fracassos custam as vidas de outras pessoas. Nenhuma pressão, né? Qualquer um tiraria de boas, vocês podem pensar. Muito pelo contrário. Eu no lugar dela já teria ido à loucura com toda essa responsabilidade. E por isso penso que o Ken Follett soube lidar muito bem com a narração da personalidade dela. Nós temos noção de que tudo pode acabar em desastre, e ele não comete a leviandade de nos dar esperança de um final lindo e caloroso. Isso, na minha opinião, é respeitar a inteligência do leitor. Se quiséssemos uma história bonitinha, cheia de frufrus, estaríamos lendo qualquer chick lit por aí. Só tô dizendo…

Mas, enfim, voltando à história. O todo-poderoso-só-que-não Adolfinho era um cara difícil de derrotar. Fato. Mas o que é um deus sem seus adoradores, certo? Acontece que um dos maiores trunfos de Hitler era exatamente o poder de comunicação que ele tinha. Através de suas redes, ele podia estar em contato com todo o seu exército, e assim evitava a maioria dos ataques planejados contra sua causa.

Por isso, Flick recebe uma segunda chance dos seus superiores (afinal, a última missão dela fodeu com um monte de gente, por isso o nome dela não era o mais limpo da praça), e é incumbida de invadir outro local X e acabar com a festinha, quer dizer, com a rede de comunicação que preveniria Hitler de um ataque Y.

Para conduzir essa tarefa, nossa bastarda inglória terá de juntar um grupo de mulheres corajosas o bastante – ou relativamente loucas – para executar o trabalho um dia antes do Dia D. Daí o título do livro, As Espiãs do Dia D. Aliás, o Dia D, para quem nunca cursou o ensino fundamental, é o fatídico dia 6 de junho de 1944, em que morromeno 100 mil soldados desembarcaram na costa da França (na Normandia, se não me engano) e jogaram a merda no ventilador do Adolfinho.

Mas, se vocês me perguntarem, eu diria que esse é um livro de “personagens”. Todos têm um mínimo de profundidade e você pode até se identificar. Alguns exemplos disso são as Jackdaws (como são chamadas as espiãs do time de Flick), que, num determinado momento, me lembraram bastante as personagens de Orange is The New Black. Existe, também, um nazista X, que, apesar do fato de torturar pessoas, acabou me fazendo simpatizar muito com ele, e vocês só poderão entender o porquê se lerem o livro.

dYO86uns

O mais legal é que essa história foi inspirada em fatos reais, e isso dá uma sensação mais grandiosa à coisa toda. Por falar nisso, o livro está cheio de fatos verídicos e cheio de fatos fictícios. Ken Follett mesclou tudo de uma forma tão harmoniosa que você quase não percebe o que realmente aconteceu e o que foi inventado. E é aí que eu entro no quesito da escrita. Oh, meu deus! Como esse cara escreve bem. Recentemente eu tenho lido muitos títulos britânicos, e eu meio que estou me viciando no “gingado inglês”. Ô povinho pra escrever bem, minha nossa senhora! O fato é que o autor é muito claro. Não tem partes que ficam subentendidas, a não ser que tenha sido proposital. A quantidade de detalhes te faz agradecer por ele nunca ter descrito um parto, porque, argh!, estaríamos todos perdidos se ele começasse a discorrer sobre cabeças saindo de genitálias. E eu tenho ficado muito satisfeito com os livros que tenho lido, porque nenhum deles tem me decepcionado em relação à escrita e à história. Ken Follett definitivamente figura entre os grandes escritores do nosso tempo, sem mentira.

You should check him out!

Enfim, pessoal. Isso é tudo.

Você gosta da temática guerra? Leia esse livro! Você adora odiar nazistas? Leia esse livro! Você gosta de espionagem? Leia esse livro! Você gosta de thriller? Leia esse livro! Você adora ler e não tem frescura com gêneros? Leia esse livro!

Apenas. Leia. Esse. Livro!

Até a próxima.
Vlaxio.

Anúncios

1 thought on “Resenha: As espiãs do Dia D, de Ken Follett”

Gostou? Não gostou? Deixe seu comentário, vamos ficar muito felizes em respondê-lo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s