#LeituradaSemana, Livros, Resenhas

#MLI2015 – Half Bad & Half Lies, de Sally Green

Half Bad

Olá!
Não sei como anda a maratona de vocês, mas a minha começou fodidamente bem. Desculpa o palavreado de baixo escalão, mas não existe um advérbio que se encaixe melhor. Talvez maravilhosamente cruel e monstruoso funcione também… Difícil dizer.

Só não posso acreditar que demorei tanto para começar a ler a Trilogia Half Bad e mergulhar de cabeça nesse mundo onde existem os bruxos das Sombras e os bruxos da Luz, que obviamente se odeiam e se matam mutuamente. O plano de fundo é a Europa e seus personagens são de diversos lugares, sempre tendo a magia como ponto em comum. Nesta estória devemos esquecer que o bem é representado por um símbolo e que o fato de tratar-se de bruxos exime-os de serem tão cruéis, se não mais, nas torturas físicas. Não há essa de eu sou um representante da paz, da justiça e de tudo que há de bom no universo, esse tipo é o pior monstro, é aquele que te torna uma massa sangrenta e ri em cima do seu cadáver. Se tiver uma coisa que posso afirmar sem culpa nenhuma de spoiler é que Half Bad é crueldade crua e nua, um misto de intolerância e impertinência.

Acompanhamos a trajetória de Nathan e sua evolução de menino a homem, um menino afastado de sua própria sociedade por ser o que eles chamam de meio-código – meio bruxo da Luz e meio bruxo das Sombras. Se fosse simples, o que com certeza não é, ser um mestiço entre duas facções de bruxos que se odeiam, Nathan é filho do bruxo das Sombras mais procurado do globo e o mais maligno de todos, conhecido por caçar e matar bruxos de não importa qual facção e comer seus corações para obter seus poderes. Nathan foi criado pelo lado da Luz de sua genética sendo odiado por sua meia irmã mais velha Jessica e criando um laço de amizade e companheirismo com seu meio irmão Arran; ele se apaixonou no início da adolescência por uma linda bruxa da Luz da mais pura linhagem chamada Annalise, levou umas surras, bateu de volta… O básico para um menino. A coisa é que o Conselho dos Bruxos da Luz o vê como uma de duas armas profetizadas que podem matar Marcus, o pai de Nathan. Agora chegamos ao ponto que eu queria, Nathan não fica de mimimi “eu não quero ser que nem meu pai e eu vou atrás dele e matá-lo para provar que eu sou bom e blábláblá”. Ele sente no fundo do âmago que o pai dele é de algum jeito bom, que ele se importa com Nathan, que ele sempre o tem vigiado e que o ama. Ele quer encontrar esse pai, quer provar que nunca o mataria. E essa ideia é reforçada quando Nathan é tirado de sua família pelo Conselho e entregue a uma ditadora que ninguém sabe se odeia ou se gosta. Nathan tem que escapar de qualquer modo e encontrar uma bruxa, Mercury, que pode ajudá-lo a se tornar um bruxo de verdade, pois eles têm que passar por um ritual elaborado aos 17 anos.

“— Tanto em termos de violência quanto de fama, sua família supera a minha.”

— Gabriel, p. 227.

Nesse quesito o livro não peca. Sally Green conseguiu construir uma cultura envolvendo esses dois povos e seus vários outros componentes, recheou o livro com a necessidade que Nathan tem de passar por esse ritual de transição e descobrir o seu dom. A narrativa na primeira parte do livro, posto que ele é dividido em seis partes, me deixou com um pé atrás. Acontece que ele narra em segunda pessoa, eu nunca tinha lido nada assim, mas é só na primeira parte mesmo. Depois, quando entendi o porquê daquele início, eu só conseguia ficar abismada e xingar de tão incrível que a escritora conseguiu externar o fato de que o personagem estava andando na corda bamba da loucura. E o Nathan, minha gente, é um filho da mãe impertinente. Existem poucos personagens principais que nós podemos encher a boca para falar que adoramos, que são incríveis, Nathan é assim para mim. Acho que é muito culpa da autora também, ela te liga ao personagem e você se aferra às necessidades dele como se fossem suas.

“— Ela é uma bruxa velha e maluca — digo. — Ninguém mais na família foi convidado. Não a conheço e não devo ir a lugar nenhum sem a permissão do Conselho. — Sorrio, para o deleite de Arran. — É claro que vou.”

— Nathan, p. 96.

Além de o livro trazer toda uma ideia sobre preconceito e intolerância, ele me fez questionar se podemos ser bons fazendo o mal. É nisso que Nathan acredita sobre o pai e é nisso que Arran acredita em relação ao irmão. E durante a trajetória de Nathan, a escritora nos prova que é possível. A sobrevivência vem em primeiro lugar.

Agora eu preciso falar um pouquinho de um dos meus personagens favoritos, Gabriel. Gabriel aparece depois da metade do livro como um contato na Suíça que pode ou não levar o nosso protagonista à bruxa Mercury; ele é gay e se apaixona pelo Nathan. É através dele que sabemos que Nathan é um tipo de celebridade, mas também descobrimos um lado sutil do mesmo. A coisa é que eles se tornam amigos, algo que os dois necessitavam. Mesmo depois que Nathan tem jogado na cara dele por um terceiro que o Gab é apaixonado por ele, ele não se afasta e nem tem aquelas reações homofóbicas. É sutil e ao mesmo tempo lindo e desesperador. Eu shippo os dois, mas sabemos que o Nathan ainda tem aquele amor de infância…

“Ele sorri, depois me dá um beijo no rosto, diz algumas palavras e, apesar de ser em francês, sei o significam. Damos um abraço apertado.”

Nathan, p.277.

Eu estou querendo muito ler a continuação, Half Wild, e ontem quando terminei ainda não queria me desligar desse mundo incrível. Existe um conto que foi publicado pela Editora Intrínseca em formato e-book chamado Half Lies, é uma estória que se passa nos Estados Unidos com a irmã do Gabriel, antes de ele se mudar para a Suíça. Ele tem por volta de 62 páginas, mas a prova viva que Sally Green sabe fazer narrativas incríveis não importa a quantidade de páginas. Half Lies é o diário de Michèle, retrata seu dia-a-dia, seu amor por um garoto chamado Sam, sua nova vida em um país novo com seu pai alcoólatra e inútil. Não posso falar muito senão conto tudo, mas no fim foi como se eu estivesse de luto por um membro da minha família. Esse conto me fez gostar ainda mais do Gabriel. Aqui vai um trecho sobre como é um bruxo das Sombras do ponto de vista de um:

“artista

bêbado

fumante

mulherengo

assassino

todas as alternativas anteriores

O típico bruxo das Sombras.”

Michèle sobre o pai.


Ficha Técnica

Título: Half Bad (Trilogia Half Bad #01)

Autor (a): Sally Green

Editora: Intrínseca

Páginas: 301

Ano: 2014

Sinopse:

A história é sempre contada pelos vencedores, dizem. E Nathan, infelizmente, não é um deles.

Na Inglaterra em que ele vive, bruxos e humanos dividem o mesmo espaço, sem, no entanto, se misturarem. Mesmo entre os bruxos, há os que se autodenominam bons, puros e justos – os bruxos da Luz e há, é claro, seus inimigos, aqueles que devem ser combatidos e aniquilados, a origem de todo o mal – os bruxos das Sombras. Nesse mundo dividido entre mocinhos e vilões, não ter um lado é pecado, e esse é exatamente o caso de Nathan, filho de uma bruxa da Luz com um bruxo das Sombras. E seu pai não é um bruxo qualquer, e sim o mais poderoso e cruel que já existiu, acusado de ter matado a mãe de Nathan.

O garoto é visto como uma aberração tanto por seus pares quanto pelo Conselho dos Bruxos da Luz; uma ameaça que precisa ser domada ou exterminada. E as coisas só ficam mais complicadas conforme o tempo passa, já que, ao completarem dezessete anos, todos os bruxos passam por uma cerimônia em que seu dom, o poder que carregarão por toda a vida, é finalmente revelado. Nesse momento se definirá se Nathan é um bruxo da Luz ou das Sombras, e dessa definição dependem suas chances de permanecer vivo.

E o tempo dele está se esgotando.

Em Half Bad, acompanhamos a jornada errante e frenética de Nathan para encontrar o pai, que ele jamais teve a oportunidade de conhecer, e, mais importante ainda, sobreviver. Mas como conseguir isso quando cada passo seu é vigiado e ninguém é confiável – nem mesmo sua família, nem mesmo a garota que você ama?

Com uma narrativa direta e dinâmica, Sally Green constrói uma história arrebatadora sobre intolerância, racismo e os caminhos tortuosos que todos trilhamos rumo ao amadurecimento.


Fiquem ligados no Instagram e descubra as minhas próximas leitura da #MLI2015.

Beijos, May.

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7 thoughts on “#MLI2015 – Half Bad & Half Lies, de Sally Green”

  1. Eu tenho uma queda por histórias que envolvem bruxaria. E essa resenha me deixou muito excitado pra ler a série. E, apesar de ser escrito por uma mulher, o protagonista é um cara, então acho que essa combinação pode acabar me agradando. O livro entrou definitivamente para a minha lista de leitura…

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    1. Pensei a mesma coisa: escritora mulher + protagonista homem pode ou ficar excelente ou ele ficar super afeminado o que sinceramente é uma droga. Mas ela consegue, cara. E consegue muito bem!

      Bls, May.

      P.S.: Vai ler Selva de Gafanhotos!

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  2. Gente, que legal ver gente de Manaus falando de livros também. E que resenha bem feita.
    Eu confesso que depois de Harry Potter a coisa toda de bruxaria ficou muito difícil para mim. Sei que é um vício e que eu tenho que me desfazer (até porque 2007 já passou faz tempo). Deu uma vontadezinha de ler esses livros. Talvez seja o que eu preciso pra sair da ressaca bruxa.
    Parabéns, Mayara. ; ]

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  3. Eu quero muito ler esse livro, mas algo me impede. Como falaram acima,eu também sempre vou relacionar bruxaria com Harry Potter, então sinto muita dificuldade em iniciar uma leitura no mesmo estilo. Espero que um dia eu consiga porque esse livro é muito bem falado! Beijos.

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    1. Olha, Yamille, eu devo confessar que sou um fanboy de Harry Potter. Ele ainda é minha série favorita de todos os tempos. Mas a gente precisa entender que existe uma variedade enorme de bruxarias. Em HP, eles usavam varinhas mágicas, poções e as criaturas fantásticas eram emprestadas de várias culturas. Na Trilogia do Mago Negro, por exemplo, eles manipulam a magia por intermédio da mente, e fazem experiências alquímicas e medicinais. Eu li a Trilogia do Mago Negro com o mesmo receio que você tem. Mas logo me dei conta de que essa relação quase intransponível que a gente faz de HP à bruxaria pode ser ultrapassada. É só você escolher um “tipo” de bruxaria diferente, entende? Comparações sempre vão existir. Mas, se serve de exemplo, tente comparar os vampiros da Anne Rice com os Vampiros da Stephenie Meyer. Mesmo pertencendo a uma mesma categoria de seres míticos, a pegada do autor define a mudança na criação de seus próprios mundos. E aí fica fácil você ler Anne Rice depois de ter lido Stephenie Meyer ou vice-versa, mesmo que a comparação e relação entre ambos os estilos seja inevitável. Meu conselho é que você pegue um livro de bruxaria da sua escolha, e vá fundo. Quando terminar, vai poder ver como o receio que você (e eu) tinha era não apenas bobo, como estava te fazendo deixar de lado um montão de histórias interessantes. Ou você pode ignorar o que eu disse e ser feliz com outros assuntos nos livros. Enfim, adeus.

      Curtido por 1 pessoa

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