Livros, Resenhas

#MLI2015 – O chamado do cuco, de Robert Galbraith (J.K. Rowling)

O chamado do cuco

Olá,

Uma das maiores bombas literárias em 2013 foi, com certeza, a descoberta de que a aclamada escritora de Harry Potter, J.K. Rowling, tinha escrito um romance policial publicado com um pseudônimo masculino. Foi notícia em todo o canto, até aqui, apesar de eu não ser fã nem nada assim, que pudesse explicar o fato de que eu quase tive um mini enfarto… Essa mulher tem o poder de fazer qualquer um pirar! O fato de o livro ter sido publicado na surdina foi motivo para muitas especulações, apesar de que, antes da revelação, o livro estava sendo bem recebido pela crítica internacional e os direitos já estarem vendidos para a editora Rocco.

Logo nas primeiras páginas tem uma citação que, quando foi revelada a verdadeira identidade do autor, ganhou um segundo significado. Podendo este ser aplicado tanto ao crime a ser investigado quanto à própria Rowling:

“Is demum miser est, cuius nobilitas miserias nobilitat.

Infeliz é aquele cuja fama enobrece suas desgraças.”

Lúcio Ácio, Télefo

Tirem suas próprias conclusões! *cofcofcofcofcofcof* Vamos seguir com o que interessa…

Cormoran Strike é um detetive particular que está na pior (na pior mesmo!), ele tem uma imensa dívida, uma perna a menos, virou um sem teto depois de romper com a incrivelmente bela e perfeita noiva. Já disse que ele tá na pior? Não é só por esses pequenos detalhes, não. Cormoran é a infelicidade andante! Em contra partida, sua nova secretária temporária, Robin, está tão feliz com seu noivado e realizada com a vida ao ponto de que quase nada pode abalá-la. Robin é extremamente proativa e está se preparando para as entrevistas de emprego de ‘verdade’, mas quando descobre para onde a agência temporária a enviou ressurge nela todos os desejos profundos e infantis de se tornar uma investigadora.

A estória gira em torno da investigação do suposto suicídio de uma super top model, Lula Landry. Já passados três meses do acontecido e de toda a pavorosa cobertura da mídia, o irmão da modelo procura Cormoran para investigar o caso, pois ele acredita que não foi suicídio. Cormoran tem uma consciência, ele tem quase certeza que foi suicídio mesmo, e não quer arrancar dinheiro do tal irmão. Mas o cara pode pagar e pagar bem; Cormoran está falido e ainda tem que pagar a nova secretária. Então, ele se infiltra no mundo da moda e do glamour, contando com a excelente ajuda de sua nova funcionária que não esconde o prazer de trabalhar no caso.

Este livro entrou para minha TBR da maratona para sanar o desafio do gênero menos lido no ano passado, no caso romance policial/mistério, sendo que eu li somente Seis Anos Depois, do Harlan Coben, e fiquei extasiada com o autor e o estilo. Por isso, eu esperava que o mistério em O chamado cuco fosse maior e mais condensado do que se poderia imaginar à primeira vista, tipo como acontece nos livros do Coben e do Sidney Sheldon. Porém, eu passei da metade do livro e a estória não evoluía, nada de extraordinário veio à luz e todos os envolvidos continuavam a remeter os mesmos fatos sem o leitor poder fazer conexões para a solução do caso. E a teoria por trás só vem à tona no final do livro; eu esperava ‘aquilo’ desde que comecei a ler, mas precisava do porquê. A falta de conexões e do raciocínio por trás das pistas acabou por crescer em mim uma insuficiência para toda a resolução do final, não me convenceram de que só aquilo foi suficiente para desvendar o mistério.

Durante o livro, Cormoran é exaltado várias vezes como um homem inteligente e sagaz, mas para mim ele não é assim um gênio, confesso que ele tem uma memória invejável. Acho que mesmo que o crime fosse ‘terreno’ se o Cormoran mostrasse seu raciocínio e seu lado observador, eu teria me conectado melhor com o lado investigativo do livro. Peguemos House como exemplo, lá está ele cuidando da sua vida particular dando um foda-se para seus subalternos, seus chefes e seu paciente, mas aí o caso médico se complica, parece super difícil uma resolução por causa do agravamento e surgimento de novos sintomas. House reúne sua equipe médica e eles começam a lançar os dados da sorte sobre o que é e o que não é, filtrando as chances pelos dados que eles já têm. Até que, é óbvio, House tem um super insight e quebra algum tipo de regra para poder salvar seu paciente, na maioria dos casos. Lembrando que House é baseado no icônico Sherlock Holmes, muito bem, obrigada. Podemos ainda usar de exemplo: Elementary (CBS), Sherlock Holmes (BBC), entre outras diversas séries, filmes e livros.

Posso não ter gostado tanto assim do livro, mas tanto Cormoran quanto Robin são personagens marcantes. O caso terminou, mas a vida deles não. Eu fechei O chamado do cuco com vontade de continuar acompanhando a saga deles, os próximos crimes e sua vida pós-Lula Landry. Vamos resumir para: eu sou o tipo errado de leitor para este livro. Mas já comecei a ler O bicho-da-seda e, minha gente, eu estou adorando. O livro se ambienta no mundo editorial, que é bem o lugar em que a escritora transita, e está impossível de largar!


Ficha técnica

Título: O chamado do cuco (Cormoran Strike #1)

Autor: Robert Galbraith (J.K.Rowling)

Editora: Rocco

Páginas: 447

Ano: 2013

Sinopse:

“Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso.

Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.

Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres, das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso. Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico na tradição de P.D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma série única de mistérios”.


Beijos, May.

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