Livros

KIT de sobrevivência para o HALLOWEEN

#COVER

Saudações, adoráveis diabretes.

Como muitos de vocês devem estar cientes, hoje se inicia o mês do horror – período primaveril no qual as bruxas ficam com a periquita acesa, os fantasmas se divertem (Tim Burton. Alguém?), e a população terrestre ganha um motivo a mais para culpar o Capiroto por suas mazelas.

E cá estou eu, Vlaxio, para uma missão diabólica, e, não, não tem nada a ver com achar os tambaquis pernetas que nadam nas águas temperadas e recém-descobertas de Marte. Venho para salvá-los do marasmo febril deste mês, e congelar seus doces corações – já que com esse calor, né, convenhamos!

Vou fazer sugestões de entretenimento com as quais vocês podem se basear para fazer deste outubro inesquecível. Tá, não é pra tanto, mas vocês pescaram a ideia, muito bem, obrigado. Minhas sugestões serão um tipo de KIT de sobrevivência para o HALLOWEEN, estarão divididas em 12 categorias, e eu vou tentar sair do mainstream, isto é, optarei por não dar sugestões muito populares, dessas que a gente torce o nariz porque estamos cansados de topar com elas por aí, mas terão sempre a ver com a temática sombria do Samhaim.

Não se preocupem, que vocês não vão precisar assistir ao Discovery Kids depois de ler este post. Apenas lembrem-se: uma velha sem olhos mora debaixo da cama de vocês.

Shall we dance, ladies and gents?

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Como este é um blog literário, nada mais óbvio do que começar o KIT com um livro, certo? Eu fiquei pensando, e encontrei vário títulos que eu poderia sugerir, mas um deles foi bem marcante pra mim. A Estrada da Noite, do Joe Hill. No Halloween do ano passado, eu resenhei O Pacto, do mesmo autor, que agora está sendo vendido sob o título de Amaldiçoado – que, na minha opinião, é um título mais apropriado, mas cuja troca achei desnecessária. Em A Estrada da Noite, temos a história do roqueiro coroa Judas Coyne, que tem o hobby de colecionar todo tipo de bizarrice – geralmente coisas macabras como um crânio humano que ele utiliza como cálice. Normal, quem nunca? Coyne, então, se depara com um anúncio na internet de alguém vendendo um fantasma (sim, alguém vendendo um fantasma). Aí ele compra e, claro, se fode com gosto, porque o fantasma é real, e não se parece nem um pouco com o nosso equivalente tupiniquim, Simão, o fantasma bundão. O livro dá alguns sustos, ainda mais se você ler à noite, mas como é um texto muito bem trabalhado, você se sente mais entretido do que amedrontado. De qualquer modo, vale a conferida, especialmente com o precinho que ele tá custando atualmente.

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Menção Honrosa: O Exorcista, de William Peter Blatty. É comum imaginar que esse livro é um veterano nas histórias de terror, mas, se vocês querem saber o que eu penso, ele é bem escrito demais para dar muito medo. Ele foi parar facilmente na minha lista de favoritos, porque a história é incrível, e o sucesso que ele teve não é desmerecido. Acredito, porém, que a adaptação cinematográfica seja mais eficaz que o livro quando se trata de causar mini-infartos.

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Falar de filmes de terror é fácil demais. A quantidade que temos atualmente é capaz de satisfazer todos os gostos. No entanto, não sei se vocês concordam comigo, mas nos últimos tempos pouquíssimos filmes têm tirado nossas noites de sono. Os mais legais geralmente são os mais antigos que se tornaram clássicos. Os raros filmes assustadores de verdade de hoje em dia acabam sendo esquecidos rapidamente. Por isso, para sair um pouco do comum, resolvi indicar para vocês As Bruxas de Zagarramurdi, cujo gênero é basicamente terror-comédia, e da melhor qualidade. Esse é um daqueles filmes despretensiosos, que você assiste pra passar o tempo, e acaba tendo uma ótima surpresa. Ele começa bem no estilo comédia espanhola mesmo – como em Os Amantes Passageiros (que eu recomendo pra quem quer ver algo do tipo, mas com outra temática) –, depois se desenrola misturando humor negro e uma boa história, pra então chegar a um ápice bem mais que satisfatório. Fora o fato de que a comédia presente não é pra todos os gostos, você precisa ser um pouquinho menos fresco e mais refinado pra apreciar a qualidade da obra. Ok, os efeitos especiais não são o carro-chefe do filme, mas eles foram facilmente compensados pelo ótimo roteiro e as atuações formidáveis. Adoro filme de bruxas, e há tempos não assistia a algo tão legal. Agora, pasmem! É um filme baseado em fatos reais. Uma nova interpretação para um caso ocorrido em 1610, em Logrono, quando a Inquisição da Igreja Católica matou 40 habitantes da cidade, queimados, por terem sido acusados de praticar bruxaria. É um filme muito bom e eu recomendo muito. Tem na Netflix, =) .

Menção Honrosa: Corrente do Mal. Meldels, que filme bom, minha gente. É tão bem feito que até parece que pode acontecer. Tipo: Uma garota X transa com um cara Y e a partir de então começa a ser seguida. Ponto final. O filme é brilhante por causa da simplicidade, e não apenas me deixou com medo, mas também angustiado.

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Duas palavras: Penny Dreadful. Essa é definitivamente uma das minhas séries favoritas nos últimos tempos. Primeiro porque possui um folclore bem diversificado nos personagens, como bruxas, lobisomens, vampiros, mortos-vivos, etc., além de contar com personagens famosos da literatura, como Drácula, Frankenstein, e Dorian Gray (*licks own lips*). Segundo porque as atuações são de fazer seu queixo cair e dar um passeio pelo quarteirão. Em resumo, a série conta a história de Sir Malcolm e Miss Ives, que junto dos seus amigos lutam contra as forças das trevas. O roteiro dessa série é de tirar o fôlego, e a atuação da Eva Green como Vanessa Ives faz qualquer um ter sonhos, err, quentes… Não vai fazer sentir medo ao ponto de molhar os lençóis, mas definitivamente tem um suspense digno de nota.

E, agora, um bônus à lá Dorian…

Menção Honrosa: American Horror Story (1ª. Temporada). Essa é uma série mais conhecida, então dispensa apresentações. Mas devo confessar que a primeira temporada era bem inquietante de assistir à noite.

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Eu não costumo ler muitos mangás, mas alguns são bem interessantes e valem a pena conferir. Minha sugestão é Battle Royale. Inicialmente, o título foi publicado no Japão como livro, de autoria de Koushun Takami, em 1999, e rapidamente foi censurado por apresentar um alto teor de violência. E o que acontece com algo que o governo proíbe? Exato! Torna-se popular. O livro ficou tão famoso que no ano de 2000 ganhou um longa-metragem, e posteriormente foi adaptado a uma série de mangá. A história gira em torno de um Japão distópico, em cuja sociedade todos os anos uma turma de nono ano de um colégio aleatório é escolhida para o que eles chamam de “Programa”. Basicamente, o governo coloca os alunos num local onde não há civis, mune todo mundo com armas (pode ser uma bazuca ou um garfo), e durante três dias todos têm que se matar para que reste apenas um, caso contrário eles serão executados. É um terrorzinho psicológico, que junta Jogos Vorazes com Guerra dos Tronos.

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Menção Honrosa: Elfen Lied. Nesse mangá, uma menina fofa é na verdade um monstro com garras invisíveis, que, por ter sido muito maltratada ao longo da vida, mata as pessoas como se não fossem nada. Tem lições de aceitação, é claro, e de amizade e tudo o mais, mas, por alto, é a história dessa garota, Lucy, que sai mantando geral por aí.

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Vou indicar nessa categoria algo um pouco mais gore. Umineko No Naku Koro Ni é um animé que retrata alguns acontecimentos meio que sobrenaturais numa ilha, e que levaram a várias mortes. Em algumas partes, a trama chegou a me lembrar bastante a veia literária da Agatha Christie, especialmente no livro O Natal de Poirot – já resenhado por mim aqui. O mistério todo gira em torno de uma bruxa que supostamente vem matando as pessoas numa mansão. O animé foca nos objetivos de Battler, o protagonista, de provar que os assassinatos ocorridos não têm nada a ver com poderes sobrenaturais. Por ter um clima sombrio e cativante, eu recomendo muito.

Menção Honrosa: Another. Outro exemplo de como os japoneses podem ser ao mesmo tempo fofos e macabros. Na história desse animé, uma sala de uma escola X possui um estudante fantasma, e caso os alunos tentem fazer contato com esse “outro”, todos morrerão. Adoraria ler um livro com essa história.

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Quem não se viu, centenas de vezes, a cometer ações vis ou estúpidas, pela única razão de que sabia que não devia cometê-las? […] um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal, afastando-a, se é que isso era possível, da misericórdia infinita de um Deus infinitamente misericordioso e infinitamente terrível.

Esse é um pequeno excerto tirado do conto O Gato Preto, que está no livro Histórias Extraordinárias, de Edgar Alla Poe. Como eu falei num post anterior, os contos desse livro são mais angustiantes do que assustadores, mas esse conto em particular tem um pouco dos dois. Um gato preto e um homem meio louco. A relação entre os dois é conturbada e inquietante. Eu não vou falar muito pra não dar spoiler, já que o conto é pequeno. Acredito que ele esteja disponível pra baixar em domínio público, então vocês podem fazer o download e conferir por sua conta e risco.

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Menção Honrosa: A Mulher no Bosque, do F. B. Vlaxio. Cof cof…

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Atualmente, jogos de videogame são um carro-chefe do gênero terror, e é possível encontrar histórias para todos os gostos. Vou sugerir aqui Slender: The Arrival, que é um game baseado na lenda urbana do Slender Man (mais sobre ele na Categoria #12). Esse jogo está disponível para as plataformas PC, Playstation 3, Playstation 4, XBOX 360, e XBOX ONE, que é o meu console atual. E gente do céu! Esse jogo não é para os fracos (vulgo: eu). Logo que você inicia, já vem aquela musiquinha diabólica de fundo que faz você se reconciliar com Jeová. Depois, o ambiente escurece, e sua única fonte de luz é uma lanterna que nem está com a bateria completamente carregada. Daí, o FDP do Slender começa a aparecer e você já se flagra cantando baixinho os hinos da harpa cristã. Conforme você vai subindo de nível, outras coisas além do Slender vão surgindo, e é aí que você percebe que nunca mais vai ser ateu.

Menção Honrosa: Limbo. Esse é de longe o meu jogo Arcade favorito. A nível de sinopse, a história trata de um garotinho que entra no Limbo para encontrar sua irmãzinha. E aí ele tem que passar por vários puzzles até chegar ao fim do Limbo e encontrar a menina. É um jogo lindo, sombrio, cativante, e que vai te marcar para todo o sempre, amém.

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Curtas-metragens de terror são o melhor jeito de você vivenciar uma situação de medo. Eles são geralmente curtinhos, objetivos, e te pegam de jeito. Eu tenho muitos curtas de terror favoritos, mas como eu tenho que escolher um para recomendar, eu sugiro o Don’t Move. Na história, um grupo de amigos invoca o cachorro da Bruxa do 71 (se é que vocês me entendem), e aparece um capiroto cego. Esse demônio só consegue perceber essas pessoas se elas se movimentarem, por isso o título é Don’t Move. É bem legalzinho, e se vocês estiverem a fim de um entretinimento rápido e barato (sem ser prostituição), então podem conferir.

Menção Honrosa: Click. Nesse curta, tem uns amiguinhos que resolvem ir brincar nuns prédios abandonados. Eles entram numa das ruínas e encontram um interruptor. Click: alguém desaparece. Click: alguém desaparece. Click: vocês entenderam o que acontece quando o interruptor funciona, certo? Será que vai sobrar alguém? Click!

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Eu pensei nessa categoria, porque existem muitos lugares que nos dão medo. A ambientação, por exemplo, pode fazer um oásis virar um lugar assustador. Pensando nisso, eu apresento a vocês Aokigahara – ou, como é mais comumente conhecida, a Floresta do Suicídio. É na verdade um bosque nas bases do Monte Fuji, que fica no Japão, onde as pessoas costumam ir para tirar a própria vida. Algumas pessoas também dizem que não é incomum idosos serem deixados nessa floresta para morrer (essa gente me dá nojo). Logo na entrada da floresta, existem várias placas dizendo pra você repensar a vida e saber que existe gente disposta a ajudar caso você pretenda se matar. Não é colocado policiamento na área para evitar as mortes, porque os japoneses respeitam muito a individualidade do ser humano, e acreditam que se alguém deseja deixar este mundo, não é direito deles tentar impedir. Cabuloso, né?

Menção Honrosa: Poço de Jacó. Esse é um local lindo, mas extremamente perigoso. Trata-se de um poço ligado a uma caverna, nos EUA, onde as pessoas vão para mergulhar. Banhistas já morreram por falta de habilidade no mergulho. Eu não encararia de jeito nenhum.

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Música tem o poder de moldar nossos sentimentos. Por isso, é bem normal que uma simples trilha-sonora sirva para deixar a gente feliz, corajoso, ou com medo. Músicas são coringas, e funcionam diferente para cada pessoa. Nessa categoria, eu sugiro a música Sweet Dreams, na versão do Marilyn Manson. Não é exatamente assustadora, e é uma das minhas favoritas, mas, junto ao clipe, essa música pode ficar bem perturbadora. Confiram:

Menção Honrosa: Bittersweet, do Apocalyptica. Essa música é ao mesmo tempo linda e sombria. A letra é adorável, e dá uma sensação de que poderia ter sido escrito por um assassino à sua amada. Bem tenso.

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Quem nunca sentiu um cagacinho ao assistir Coragem O Cão Covarde que atire o primeiro recalque. Eu me lembro que, quando eu era mais novo, assistia de madrugada no Cartoon Network, e não tinha um episódio que não fosse minimamente assustador. Não me levem a mal. O desenho aposta mais no humor negro, obviamente, mas as situações em que aquela vaca da Muriel se colocava eram bem perturbadoras. E apesar de dizerem que o Coragem é na verdade Covarde, eu jamais faria o mesmo que ele. Um dia desses assisti ao episódio-piloto na Netflix, e fiquei encantado com a voz do dublador do gerente do hotel em que eles ficam hospedados.

Menção Honrosa: Hora de Aventura. Muita gente pode dizer que esse desenho não tem nada a ver com terror, e eu até que concordo em partes. Mas se você nunca sentiu um calafrio com os personagens desse desenho, então, ok, não estamos na mesma sintonia. Isso sem mencionar, é claro, as teorias de conspiração sobre o mundo onde eles vivem. A que eu mais adoro é a em que o Finn está em coma, e o Jake não sai do quarto de hospital, e tudo o que se passa no desenho faz parte de um sonho muito louco que o Finn está tendo.

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E por que não, é claro, falar das lendas que nos deixam de cabelo em pé? Eu conheço várias, e até costumava contar histórias de terror para os meus priminhos queridos. Hoje vou sugerir uma lenda que particularmente me deixa com medo. Vou falar sobre The Rake (que numa tradução livre muito meia-boca, seria algo como “aquele que observa”). Essa criatura tem uma cor de pele meio acinzentada e é careca. Parece uma pessoa deformada com o corpo torto como se tivesse sido acidentada, e seus olhos são completamente negros, mas parecem brilhar no escuro enquanto ele observa as vítimas. Ele aparece quando as pessoas estão dormindo, escolhe alguém para ser a vítima e essa pessoa passa a ter uma ligação direta com a criatura. Se você for um dos escolhidos, ele vem durante a noite, senta-se na beirada da sua cama, e fica olhando você dormir. Apenas olhando. Olhando. Olhando. Se você acordar e vê-lo, ele te mata. (Fonte: Nerd Maldito)

oi novinho
oi novinho

Menção Honrosa: Slender Man. E, finalmente, o dito cujo. Esse cara surgiu de um meme da internet, e é descrito como um homem alto pra caramba, com braços longos que nem de aranha que servem pra capturar as vítimas – especialmente crianças, claro. Ele se veste de terno, tem uma cabeça branca, e nenhuma expressão facial. Normalmente aparece em florestas ou perto do mato, apaga a memória das vítimas, faz elas alucinarem, etc. Quando ele aparece numa foto de família (escondido entre árvores), é porque a criança que aparece na foto vai ser capturada por ele. Há quem diga que ele não é apenas um mito originário da internet. Há quem diga que vários desaparecimentos ocorridos perto de uma montanha nos EUA devem ser creditados a ele. Mas, em todo caso, se você topar com o Slender por aí, eu sugiro que você corra. Ou se você for como eu, apenas sente, relaxe, tome um refri, coma uma pipoca, e espere a morte chegar, porque somos phynos e nos recusamos a morrer gritando, XOXO.

——————————-

Bem, pessoal, espero que todos tenham sobrevivido até o final desse post do tamanho do cabelo da Samara. Foi muito divertido montar esse KIT para vocês sobreviverem ao tédio outubrino e já começarem a se preparar para as travessuras. Sintam-se livres para acrescentar sugestões nos comentários e compartilhar os medos e cagaços de vocês.

Desejo, solenemente que o Rake visite cada um de vocês essa noite.

Há braços,
Vlaxio.

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6 thoughts on “KIT de sobrevivência para o HALLOWEEN”

  1. Parabéns, post maravilhoso!

    Não poderia esperar menos de você, hein?

    As “tiradas” são ótimas.

    Algumas indicações eu já vi/li e outros ainda irei ler/ver. 😛

    ARRASOU. :*

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  2. Joe Hill é excelente, como filho do Stephen King ele deve encher o pai de orgulho haahaah
    Também achei a mudança do título desnecessária, fazer o que!
    Amei você ter citado Battle Royale, li apenas o livro, mas elogiam muito o mangá!

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