Livros, Resenhas

|RESENHA| Paixão libertadora, de Sophie Jackson.

Paixão libertadora

Olá,

Em março desse ano, eu resenhei ‘Desejo Proibido’ e ‘Eternamente Você’, da Sophie Jackson. Seria legal vocês darem uma lida antes na resenha dupla, mas não é obrigatório ter lido o livro e o conto antes desse que eu irei resenhar hoje. Uma das coisas que comentei era que eu tinha boas expectativas para esse segundo livro, e esperava que a escritora continuasse escrevendo da mesma forma cativante que ela conseguiu no início da trilogia.

Quem leu Desejo Proibido já sabia que o Max seria um trabalho difícil, conhece um pouco do que ele passou e a que nível ele chegou. Tão fundo no vício de cocaína, que era impossível o Carter conseguir reconhecer o amigo de infância. Contudo, ao ler esse primeiro livro, só queria que o Carter se afastasse do Max, que o isolasse. E no final é devastador entender o vazio e a dormência que o Max carrega, tudo porque ele amou Lizzie mais do que tudo na vida e um belo dia acordou e ela tinha ido embora logo depois do filho deles ter nascido morto.

Paixão libertadora começa numa melancolia, e logo na primeira frase você consegue sentir a dor absurda com que o Max vive. Lá está ele contando sobre a primeira vez em que pensou em suicídio, após o pai dele morrer depois de 18 meses lutando contra um câncer agressivo. Foi a primeira vez que ele bateu fundo no poço dos vícios. Até que ele conheceu ela, a mulher que o reergueria para depois esmagá-lo.

Os dez primeiros capítulos do livro foram perfeitos para me conquistar, escritos de forma que entendemos pelo que o Max está passando na reabilitação e sabemos mais sobre sua estória, porque ele fala conosco para depois percebermos que ele está falando na verdade com seu terapeuta. Ele não é bom em se expressar, não consegue falar. Na primeira vez que ele quer falar sobre o que mais o aflige, ou seja, Lizzie, ele tem um ataque de pânico. E nesse momento fiquei tão envolvida, que a sensação era de como se eu estivesse ali com falta de ar, cheia de pensamentos caóticos, morrendo junto dele.

Elliot, terapeuta de Max, ciente da dificuldade que ele tem de se expressar, indica sessões de pintura. De primeiro, Max acha uma idiotice. Ele gostava de pintar antigamente, mas apenas muros e prédios. Ele quer melhorar, parar de decepcionar os amigos, deixar o Carter orgulhoso e mostrar que seus esforços não foram em vão. Ele sabe que é a última chance dele e se as sessões vão surtir efeito, okay, vamos lá. Interessante aqui, e necessário, é que o médico que auxilia essas sessões, Tate, é o irmão de Riley — amigo de Max e Carter, que estava preso na mesma época que Carter em Arthur Kill. Max vai muitas vezes durante o livro recorrer a Tate, mesmo depois da reabilitação, já que Tate é seu padrinho.

Logo depois que o Max sai da reabilitação, ele vai morar com o Carter e a Kat, mas as coisas não funcionam bem e então ele decide ir para uma cidade pequena no Condado de Preston, onde seu tio mora. É maravilhoso ver que logo na primeira semana ele tem certeza de que ele fez uma boa decisão, que realmente precisava se afastar e, sim, eu contei boa parte do livro. Sim, outra vez, é agora que a vida dele vai cruzar com a de Grace Brooks, outra pessoa que passou por coisas muito dolorosas na vida. É óbvio que ela tem um trauma; não apenas é reservada, mas está tentando retomar o controle. Ela, assim como Max, recebe acompanhamento psicológico. Porém, os traumas de cada um são diferentes e de certa forma se encaixam.

Grace é muito retraída, mudou-se para o Condado de Preston para poder seguir adiante e começar a tocar a própria vida. Ela arranjou um trabalho no bar local, empenha-se na reforma de uma casa antiga, e está tirando fotos e fazendo amigos. Assim que ela vê o Max fica interessada nele e eles acabam criando uma amizade de suporte mútuo. Ele a acha muito transparente, as emoções sempre visíveis e sem manipulação,  e ela o compreende como ninguém. Cada um tem sua rede de apoio, uma coisa que é essencial para a recuperação de ambos, principalmente de Max, ao mesmo tempo que eles precisam de espaço.

Esse livro vai primeiro explorar uma mensagem simples: você precisa melhorar por você, primeiro por você, pense em você, nesse momento seja egoísta. Vai falar também sobre como é importante ter ajuda profissional e não se isolar das pessoas que te amam. O quanto você vale, o quanto você merece e quais são seus limites. Confiar. Amar a si mesmo. Ame-se primeiro para poder amar alguém depois. Não usar as pessoas como muleta, estar perto de alguém porque você quer e não porque você precisa.

Normalmente, eu leio romances que trazem mensagens que eu não concordo, mas gosto dos livros. Porém, Paixão Libertadora acertou em cheio em algo que eu acredito piamente, que é o amor próprio. Não é um homem que supera as dificuldades pela mulher que ele ama, mas um homem que se superou, que foi à luta e que cansou de sentir vergonha das péssimas decisões que tomou no passado, e depois compreendeu que estava amando uma mulher gentil, bonita e talentosa.  Ao mesmo tempo em que vemos essa mulher se superar também, ganhar alto-estima e não deixar seu passado governá-la. Então, é fácil entender que eles precisam se encontrar e serem felizes em separado antes de serem felizes juntos.

Sophie Jackson se superou nesse livro com certeza. A forma como ela trabalhou cada personagem e encaixou o passado deles foi incrível. Também gostei do fato de a protagonista ser negra, mas isso não faz diferença alguma na estória. Ela é admirada pelos homens, mas não sexualizada. Ela não é um símbolo sexual, não está ali para representar as mulheres negras e seus esteriótipos, ela é somente ela. Uma mulher que passou por maus momentos e está vivendo cada dia sendo feliz ao seu jeito, encontrado alegria em qualquer coisa.


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Título: Paixão libertadora (Trilogia Desejo Proibido #2)

Autor (a): Sophie Jackson

Editora: Editora Arqueiro

Edição: 1 ed.

Ano: 2016

Páginas: 350

Skoob: Adicione!

Compre: Amazon


Beijos, May.

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4 comentários em “|RESENHA| Paixão libertadora, de Sophie Jackson.”

  1. Olha, tu escreve resenhas que, caramba, me fazem querer muito ler a história, e que parecem um poço de tão profundas. Aí eu olho pra capa do livro e tenho um AVC… Realmente, essa arte grita que eu não sou o público alvo deles e que devo passar bem longe…

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    1. Affffffffff! Sabe que esse problema tem como principal causa o seu entendimento demasiadamente grande sobre semiótica. Como eu disse para o Rodrigo, fiquei realmente surpresa com a qualidade do livro. Tem tanto tomance blé por aí, vazio em um todo, mas ler um tomance desses me faz acreditar que podem ter livros de romance bem escritos sem serem aquele clichê sem fim.
      Bjs

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