Entrevistas

Entrevista: Jan Santos, autor de Rainha de maio

Olá, Contagiantes!!

Essa é a primeira das entrevistas especiais que preparamos para vocês neste mês de aniversário do blog. Para começar, entrevistamos o Jan Santos, nosso querido autor aqui da nossa terra, Manaus. Ontem deixei aqui para vocês uma resenha sobre o mais recente livro dele, vocês podem conferir a resenha aqui.

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Como eu disse na postagem de ontem, conheci o Jan através de um amigo em comum, devido a ele estar lançando um livro e eu realizar eventos aqui em Manaus e tudo mais. Foi lá na Bienal de São Paulo que conversei e conheci bem mais o Jan e comprei seu livro, voltei para Manaus já passando o livro na frente de todas as leituras, e super valeu a pena!

Sem mais delongas, vamos ao papo que eu tive com o Jan.

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“ROH: Primeiro de tudo, sabemos que seu livro aborda a temática indígena, com isso eu gostaria de saber como foi esse seu processo de adquirir os conhecimentos necessários para abordar este tema, o que te inspirou ou o que você vivenciou para isso?

JAN:   Mitologia em si, independente de etnia, é um assunto que me interessa bastante. O livro “A Rainha de Maio” foi fruto de uma pesquisa sobre práticas xamânicas de algumas tribos indígenas brasileiras, mas apesar de o enredo utilizar elementos dessas culturas (e não apenas de tribos do norte), não descrevo a história como sendo sobre índios. Quis dar um aspecto mais universal às práticas pagãs de nossos nativos, de modo que o culto às potências selvagens da natureza estivessem em foco. Celtas o fazem, gregos o fazem, nós também fazemos.

Esses elementos me fizeram querer escrever uma história que não fosse apenas panfletagem sobre a nossa cultura, mas que não fosse algo limitado à nossa geografia, tanto que a pesquisa realizada também misturou elementos pagãos europeus e cristãos na construção da trama, juntamente àquelas histórias folclóricas que aprendemos com nossos avós desde o berço.

ROH:  Na primeira semana de janeiro, publicamos um post para inspirar as pessoas a escreverem seus próprios livros. Como você já passou por esse percurso algumas vezes, qual seria sua dica para quem quer começar a jornada de escritor?

JAN:   Escreva muito, escreva sem parar. Escreva contos, romances, poemas, músicas, roteiros de filme/quadrinho, qualquer coisa, mesmo que nunca venham a ver a luz do dia. E tentem romper com as fórmulas dos best sellers de hoje, escrever mais do mesmo não ajuda a se destacar, por mais que histórias de escolas de magia e mundos cheios de elfos tenham chamado a atenção no passado. Isso não funciona duas vezes. Inovem, experimentem, e acima de tudo, desafiem a si mesmos.

ROH:  Aproveitando o embalo, nos conta um pouco como foi o início de sua vida de escritor, sobre aquele seu primeiro livro do qual me falou e também sobre o Quando a selva sussurra (já falei que quero muito ler ele, né?).

JAN:   Meu primeiro projeto se chama “Evangeline”, uma espécie de cenário pós-apocalíptico da mitologia grega. Escrevi dois livros dentro desse projeto, o primeiro, que chamei de “As Algemas do Dia”, considerei longo demais para publicar, então ainda está na gaveta. O segundo, “Relatos de um Mundo sem Luz”, foi de fato o meu primeiro livro publicado, uma antologia de contos sobre esse mesmo cenário, com histórias de pessoas comuns que habitam nesse mundo sem sol, produzido de modo independente. Apresentei esse trabalho em eventos em Manaus, Fortaleza e Porto Alegre, atingindo a marca de 800 cópias vendidas, o que, para um autor independente, é um sucesso considerável.

 Foi justamente esse trabalho com contos que me levou a integrar a antologia “Quando a Selva Sussurra”, uma iniciativa local que reúne histórias que reinventassem passagens de nosso folclore. Participei com dois contos, “Dízimo”, que fala sobre o nascimento de uma deusa-serpente, e “O que o fogo nos deu”, que reimagina a origem do Curupira e do Uirapuru. Esse trabalho foi fundamental para estabelecer a mitologia que desenvolvi melhor em “A Rainha de Maio”.

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ROH:  Sei que uma de suas grandes inspirações é o renomado Neil Gaiman, me fala um pouco mais de autores que já lhe inspiraram e os que estão inspirando atualmente.

JAN:   Entre minhas inspirações, além de Neil F****** Gaiman, se encontram Clarice Lispector, Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Machado de Assis, George Martin e, talvez antes de todos, J.R.R. Tolkien. Ultimamente, ando bebendo de outras fontes, inclusive de compositoras a quem dou mérito literário, como Florence Welch e Stevie Nicks, que são maravilhosas em dar uma atmosfera mística às suas canções.

ROH:  O que seria, para você, um Silêncio Contagiante?

JAN:   Para mim, um Silêncio Contagiante é aquela cumplicidade que você, assim do nada, percebe em outra pessoa, alguém com quem você se identifica, sabe? Aquela sensação maravilhosa de perceber, no instante entre um silêncio e outro, que tem algo em outra pessoa, talvez até que você nunca tenha conhecido, que também existe em você, uma ligação. Costumo sentir isso com pessoas que falam com paixão de livros que adoram, de comidas que amam, de artistas que admiram, do quanto amam suas famílias e amigos, e quando acabam de falar, quando vem o Silêncio, também chega essa cumplicidade que contagia. Tem coisa mais apaixonante?

ROH:  Última pergunta, mas não menos importante: como você imagina sua vida daqui a cinco anos? 

(planos, metas realizadas, o que está em andamento)

JAN:   Daqui a cinco anos, espero já ter um alcance maior com minhas publicações, uma vez que permaneço praticamente um autor independente. E, por alcance, quero dizer que espero já ser consolidado como um escritor de literatura fantástica, e não apenas em um único formato.

Para 2017, venho trabalhando na produção de um livro que chamo de “O Dia em que Enterrei Miguel Arcanjo e outros contos de fada”, que pretendo distribuir gratuitamente em plataformas como Amazon, Wattpad e afins, além de estar planejando um roteiro de jogo virtual experimental baseado na mitologia nórdica e um romance novo, uma espécie de continuação para “A Rainha de Maio”. Trabalhos como esses que espero que assentem minhas metas para os próximos anos.”

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Queria agradecer bastante ao Jan não apenas pela entrevista, mas também por ter se tornado presente em nossos encontros e eventos, por sermos amigos, isso sim é o prazer melhor, amizades como esta que a leitura nos proporciona.

Então é isso, pessoal, ficamos por aqui com a nossa primeira entrevista especial do mês, na semana que vem temos mais tiros para vocês! Não esqueçam que final do mês tem o sorteio do Comentarista do Mês, então deixa aqui seu comentário, rsrs. Ah, amanhã é o dia do aniversário do blog, então fiquem atentos durante todo o dia que vai rolar umas coisas bem legais para vocês!

Bjão,

Roh.

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2 thoughts on “Entrevista: Jan Santos, autor de Rainha de maio”

  1. Li a resenha sobre o livro e fiquei interessada, achei interessante a abordagem indígena mas sem as caricaturas que muitas vezes vemos ao ler ficção sobre os indígenas, melhor ainda o fato de não se limitar aos indígenas, mas sim ao cultos pagãs de forma mais abrangente.
    Estou enviando agora mesmo essa entrevista para um amigo que está escrevendo um livro. Acho que vai ser de grande incentivo.
    Adoraria ler uma resenha sobre “Evangeline”,
    Abraços!
    .

    Curtido por 1 pessoa

    1. Aaahhh, sim, eu queria muito poder ler Evangeline, mas se não me engano não tem mais exemplares disponíveis. Parece que há a possibilidade de sair outra remessa, não sei quando.

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