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Dicas de vida com o Vlaxio: 5 razões para ler Dan Brown

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Olá, pessoal.

Para alegria de uns e tristeza de outros, cá estou com mais um pequeno texto sobre um tema relacionado ao mundo da literatura, livros, histórias, e o diabo a quatro. Dessa vez, apresento uma dica para você levar para a sua vida. Trata-se de um autor que eu adoro, muito embora ele não seja um dos meus favoritos.

Dan Brown é o tipo de cara que não escreve livros que vão mudar sua vida, não trazem lições de moral transcendentais, nem vão ganhar um Nobel da literatura. Na verdade, as histórias criadas por ele não são nem perfeitas nem ruins. Porém, meu caro incauto, nem só de livros canônicos vive o leitor voraz. E, partindo disso, os livros de Dan Brown passam a ser leitura obrigatória se você gosta de dar uma chance a histórias interessantíssimas, com muita qualidade de escrita, e uma execução para ninguém colocar defeito.

Eis as minhas 5 razões pelas quais você deve ler Dan Brown:

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1 ROBERT LANDGOM É O SHERLOCK HOLMES DA SEMIÓTICA

Interpretar imagens é o que faz do simbologista Robert Langdon (interpretado nas telonas pelo Tom Hanks) um dos protagonistas mais interessantes das séries do gênero. Desconsidere neste post o fanatismo deste que vos escreve pelo estudo dos signos, símbolos, imagens, linguagem, etc. Para além do meu gosto pessoal, a semiótica é antes de qualquer coisa o fato de ter consciência de que as imagens dizem muito mais do que aquilo que concluímos numa interpretação preliminar.

Quer um exemplo? Quando eu escrevo a palavra RIO, você não sabe necessariamente de que rio estou falando. Eu escrevi a palavra, você leu a palavra e o resultado disso foi a criação de uma imagem acústica na sua mente. Nessa imagem, você tem um conceito mental do que é um rio, mas não do rio que eu estou falando. Seu conceito mental muito provavelmente deve dizer que um rio é composto de muita água, esta água é molhada (acredite, não é redundância), etc. Contudo, você não tem como saber se eu estou falando do Rio Amazonas (de água), Rio de Janeiro (de cidade), Rio Limpo (de empresa).

Agora imagine que uma imagem ou um grupo delas pode ajudar você a impedir a extinção de metade da população mundial. Melhor: imagine que alguns símbolos de conotação artística e religiosa são capazes de levar você ao Santo Graal e mudar tudo o que o mundo sabe sobre a vida de Jesus Cristo.

Bem… de certo modo, é isso o que Robert Langdom faz. Para quem não sabe, Langdom é o protagonista de quatro livros de Dan Brown, e se tornou um personagem muito adorado pelos fãs do autor — inclusive eu. Langdom é o tipo de herói cheio de defeitos, que seria a última pessoa a se voluntariar para salvar o mundo, mas que sempre acaba sendo colocado em situações de risco por causa do seu conhecimento sobre símbolos. Sua capacidade de dedução frente a imagens é equiparável à capacidade de dedução do próprio Sherlock Holmes. Ele é um dos melhores motivos para ler Dan Brown.

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2 REFERÊNCIAS A OBRAS DE ARTE

Se você puder comprar as edições ilustradas dos livros de Dan Brown, COMPRE! Brown é um tipo de especialista em muitos assuntos, e um deles é arte — além, claro, de religião, história mundial, criptografia e semiótica. As referências a obras de arte contidas nos livros dele são de encher os olhos, e acabam emprestando às histórias um ar mais elegante, mais sofisticado.

As edições ilustradas, então, nem se fala! Poder admirar as obras de arte apresentadas nos livros enquanto lê as histórias transforma a leitura numa experiência bem mais interessante, e faz a imersão no imaginário simbólico ser bem mais profunda. É muito fácil você se imaginar na Catedral de Saint-Sulpice, em Paris, quando há uma imagem do piso do prédio enquanto você lê. Dan Brown conhece tanto algumas das obras de arte das quais fala que chega a parecer que ele foi o artista por trás delas. É algo muito bacana.

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3 TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Tem sempre algo de ruim acontecendo nas histórias de Dan Brown, e o melhor de tudo é que essas coisas podem ser evitadas, mas tudo tem um preço. Os protagonistas correm de um lado para o outro, seja numa armação engendrada pelo governo ou numa ameaça terrorista.

A parte de teoria da conspiração fica aos encargos das tramas construídas para fazer o leitor ter uma visão ampla dos acontecimentos. Uma das maiores habilidades do Dan Brown é escrever personagens críveis, com medos, inseguranças, e hobbies esquisitos. Quando essas pessoas — meio parecidas com a gente — se metem numa conspiração para assassinar um monte de gente, por exemplo, nós começamos a ter pensamentos de que poderia acontecer a qualquer um. Mais um ponto positivo para a imersão na leitura.

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Meu EP favorito.

 

4 FICÇÃO VS. REALIDADE

Esse tipo de artifício não é uma exclusividade do Dan Brown, mas, veja bem, ele é um dos autores que mais usa isso nos seus livros. De repente, você se depara com uma referência a um lugar real na Itália e nesse local ele descreve, digamos, um pentagrama na quina da parede de uma fonte numa praça famosa. A junção que ele faz de realidade com ficção chega a ser indissociável em alguns pontos.

A parte da realidade fica mais para as construções narrativas que descrevem locais reais, prédios reais, organizações reais e seitas/sociedades secretas que de fato existiram em algum momento da história. E a parte da ficção gira em torno das tramas que, no mais das vezes, envolvem um homem e uma mulher, que ao longo da história se aproximam amorosamente, mas que sempre têm segredos para esconder. Essa mistura de real e irreal torna a leitura uma competição para identificar o que é verdade e o que é mentira. É inclusive divertido tentar descobrir esses aspectos no decorrer da história.

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5 VINTE E QUATRO HORAS

E aqui está a razão pela qual eu adoro ler os livros do Dan Brown. Numa média simples, as histórias dele sempre acontecem em vinte e quatro horas. Pode começar, por exemplo, durante a madrugada, quando alguém está sendo assassinado num museu famoso, e vai acabar em outro país. Pelo fato de se passarem em um curto espaço de tempo, os acontecimentos fazem você ler o livro como se estivesse assistindo a um filme.

Mas o mais importante nesse período de tempo curto é que, em muitas vezes, as cenas são descritas de modo a deixar o leitor sem fôlego. Os protagonistas não esperam você entender o que aconteceu; eles simplesmente continuam a história para salvar a própria vida enquanto você tenta ligar os pontos e descobrir quem é o verdadeiro vilão por trás de uma trama de nível internacional que pode mudar a história da humanidade.

———————–

E então? Acha que essas razões são convincentes para você acrescentar Dan Brown à sua pilha de leitura? Bem, de todo modo, eu o indico sem medo de errar. É óbvio que nem todo mundo vai gostar dele, mas ninguém pode negar que o cara sabe como ninguém fazer a gente querer aprender escrever por meio de cifras maçônicas para impressionar os amigos. Sério.

Isso é tudo por hoje. Nos encontramos no próximo post.

Há braços.

Vlaxio.

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8 thoughts on “Dicas de vida com o Vlaxio: 5 razões para ler Dan Brown”

  1. Amo o Dan Brown! Tenho todos os livros dele lançados no Brasil. Li “O Código da Vinci” bem nova, antes dos 14 anos.
    Vi uma reportagem semana passada que a chamada iniciava com “Você não precisa ter vergonha de ler Dan Brown” ou algo nesse sentido, não me recordo com exatidão. Fiquei horrorizada! Nem quis ir ler a reportagem completa.
    Vergonha? Nem se o livro fosse péssimo (o que acho que passa longe).
    O Dan possui uma ótima escrita, detalhada, cheias de referencias culturais e históricas, é obvio que ele faz grandes pesquisas para escrever, conta muito com o apoio da esposa que se não em engano é historiadora. Ai meu Deus, eu sou suspeita! Sou apaixonada pelo Robert Langdon!
    E não compreendo essa desvalorização que ao meu ver começou a pouco tempo, se existia eu realmente não percebia. Já vi isso com diversos outros escritores como Paulo Coelho e Jorge Amado. Enfim…
    Ah! Anjos e Demônios é o meu preferido, mas Inferno é daqueles livros que eu acho que o mundo inteiro deveria ler.
    Abraços!
    Adorei os cinco motivos!!!
    #LeiamDanBrown

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Samanta. Que bom que gostou do post. Penso que essa desvalorização do Dan Brown se dá por causa das críticas que ele recebe toda vez que lança um livro. Para alguns desses ditos críticos, é como se ele escrevesse com uma fórmula pronta, de modo que todas as histórias são mais ou menos as mesmas, o que muda são os personagens, os lugares e a causalidade da trama, mas, no todo, é uma única premissa para a narrativa. A bem da verdade, ele pode ser facilmente comparado a Sidney Sheldon, John Grisham e James Patterson. Se vivêssemos no século XIX, eles na certa seriam considerados escritores de Penny Dreadful, que eram histórias meio fantasiosas e/ou sensacionalistas vendidas em bancas de jornais. Particularmente, eu chego a concordar um pouco com essa teoria dos críticos, porque consigo enxergar um sentido nela. Entretanto, isso não é demérito algum para a obra dele, tanto é que eu, apesar de tudo, sou um fã do cara. Também tenho todos os livros dele (e duas edições ilustradas), porque ele faz parte da minha história como leitor. Acredite você ou não, meu livro favorito também é Anjos e Demônios, e na época que li — quando eu tinha 15 anos (agora tenho 25) — me lembro que fui capaz de desenhar um ambigrama do meu nome de tão obcecado que eu fiquei com a história. Até hoje me arrependo de ter perdido o desenho que fiz. No mais, seu comentário fala muito do que eu penso também. #LeiamDanBrown

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      1. (Sem assunto)
        SS

        Samanta Samy
        sex 10/02/2017 23:48
        Caixa de Entrada
        Para:
        Samanta Samy (samanta.samy_carmo@hotmail.com);

        Essa questão da formula pronta eu até comentei com uma amiga, realmente, ela existe.
        Questões históricas, problemas a serem resolvidos em alguns dias ou horas, a arte como base e um leitor que vai devorar tudo isso em uma noite, rs.
        Tem mais um para ser lançado esse ano, apenas no final do ano. Temos muito o que esperar ainda.
        Eu li alguns livros do James Patterson, acho que apenas três, não gostei muito. Até dei os livros, depois fiquei sabendo que ele não os escrevia sozinho, não entendi muito bem isso.
        Você falou em “Penny Dreadful” e eu acabei lembrando da série, não me recuperei ainda do final. Essa intertextualidade faz a minha mente andar muito, rs.

        Curtido por 1 pessoa

  2. Ei, Vlaxio!
    Sabia que eu dei todos os meus livros do Dan Brown? Acho que ficou um, mas não tentei ler nenhum deles… Gosto bastante dos filmes e, obviamente, os livros devem ser um balde de água fria nas adaptações. O que me fez desistir de lê-los foi uma crítica da Feltrin, uma daquelas bem colocadas.
    Beijos, May.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Vai do gosto, sabe, e a Feltrin tem um estilo mais “Nobel”, se é que você me entende. Os livros dele valem totalmente o preço que pagamos e o tempo que gastamos com eles. Talvez seja necessário estar no clima certo para ler… até porque são livros que te obrigam a pensar mais para descobrir segredos por trás dos segredos. Fora que tem criptografia, cifras maçônicas, códigos antigos e símbolos ocultos…

      Curtido por 1 pessoa

  3. Li O Código da Vinci há alguns anos, eu tinha 15 anos e me apaixonei. O que você disse sobre as 24h é verdade, eu fiquei vidrada no livro, não conseguia largar de jeito nenhum. Desde que li esse livro comecei a me interessar por livros de mistério e quem não gosta de uma teoria da conspiração? Pouco depois de ler o livro viajei pra Paris e obviamente visitei o Louvre, fiz questão de ir em todos os lugares que ele mencionou, ver todas as obras de artes, foi maravilhoso ver o que eu li bem na minha frente.

    Curtido por 1 pessoa

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