Livros, Resenhas

RESENHA: Quase o fim, Leila Plácido

Quase o Fim é uma distopia no estilo documentário, onde a personagem principal, Zoé, narra a história pela qual ela já passou até chegar onde ela está. Zoé é bem sincera e já deixa bem claro no início que ela está machucada e que vai morrer; conforme se passa a narração, vamos descobrindo tudo o que vai acontecendo.

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O livro foi escrito pela super fofa Leila Plácido, que é autora aqui de Manaus! Eu soube sobre a Leila e o livro dela lá na Bienal de São Paulo, mas infelizmente não tive a chance de conhecer ela por lá. Conheci a Leila um pouco depois aqui em Manaus mesmo e para minha surpresa ganhei o livro dela de presente. E eu amei demais por que eu tava super na vontade de ler!

Desta vez, preparei para vocês uma resenha diferenciada, é uma resenha compartilhada que fiz com o Fernando Campos do canal Clube do Livro. Durante a resenha, vamos intercalando entre minhas ideias e as dele. As minhas estão em preto e as dele em vermelho.

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Quase O Fim

Leila Plácido

Ano: 2016 / Páginas: 189
Idioma: português
Editora: Lendari

Quase O Fim não é uma história com romance, mágica ou final feliz, embora, o humor sombrio daquela que nos guia pela escuridão seja surpreendentemente cativante. Em meio à morte, destruição e caos total, Zoé nos leva a conhecer a sua realidade apocalíptica imposta por um grupo terrorista de ação global autodenominado “Messias”, que durante séculos se camuflaram perfeitamente entre nós, os cidadãos mais medíocres, à espera do momento perfeito para a purificação do planeta e a reestruturação da sociedade.

Minha visão periférica não falhava e meu coração também não. Eles estavam logo ali, à minha esquerda, em pedaços e em partes inteiras. Era como estar no frigorífico de um açougue. Eu sentia enjoo misturado com empatia e tristeza por todos aqueles corpos.

Acompanhamos página após página os relatos alucinantes e despretensiosos, porém, cativantes da garota que escreve na esperança de que alguém (sobrevivente ou alienígena) encontre seus blocos de anotações. Zoé nos conta como os “Messias” mudaram o mundo não com vírus modificados ou zumbis fabricados em laboratório ou com uma aliança alienígena, mas, com as velhas bombas e a manipulação da sociedade, ambas as armas já conhecidas de todos nós. Com o bom humor que não costuma preceder cenários e mortes desse gênero, ela narra numa linguagem descontraída os eventos que antecedem o seu fim e quem sabe, o fim de todos.

O livro já começa com Zoé contando que o fim do mundo foi iniciado, uma seita secreta que é secreta de verdade apareceu do nada e resolveu dizimar toda a população da Terra, mas isso vai acontecer por meio de fases, eliminando as pessoas por partes para que apenas os melhores sobrevivam e se juntem para refazer uma humanidade melhor.

Toda essa questão de dizimar a população da terra para criar um novo mundo apenas com as “melhores pessoas” lembra muito a ideia que Hitler tinha.

Quem, pelo amor de Tupã, iria querer bombardear Manaus?

Bombardeios, essa foi a primeira fase, e de fato ocorreu em todo o mundo, diferentemente do que é apresentado em alguns filmes onde o vilão diz que vai acabar com a Terra, mas acaba por só destruir os E.U.A. Como se toda a extensão de terra do planeta se resumisse a esse país.

Vale lembrar que as bombas atingiam locais específicos para matar o maior número de pessoas possível, como escolas, hospitais e casas.

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Zoé mora em Manaus, capital do estado do Amazonas. Ela nunca imaginaria que alguém iria querer destruir sua cidade natal e por isso também demorou a acreditar quando seus amigos mandaram mensagens dizendo que o mundo estava sendo destruído.

Além da autora especificar também que o fim do mundo começa na Cidade Nova, bairro conhecido de Manaus, onde a personagem mora com sua família.

Saber que o mundo está acabando pode levar as pessoas a fazerem várias coisas, como, por exemplo, viajar pelo mundo sem rumo, ou gastar todo o limite do cartão de crédito… Já o vizinho da Zoé queimou um outro vizinho, vivo, em uma pilha de pneus. Bizarro, né? Sabendo desse acontecimento e também não querendo ficar para descobrir qual seria a próxima fase do fim do mundo, o pai da Zoé decide que a família precisa fugir e tentar chegar a um lugar onde supostamente estariam seguros.

Ter vida não significa mesmo viver.

 Durante a escrita, Zoé vai intercalando os acontecimentos do livro entre o que aconteceu enquanto ela estava tentando escapar do ataque e os acontecimentos do presente. Então, vai ter horas em que ela vai parar um relato sobre o apocalipse e dizer como está a situação na gruta onde ela está escondida.

Antes de sair de casa em busca do refúgio, Zoé também resgata a melhor amiga, Dara, que perdeu os pais durantes o primeiro ataque. Eles foram mortos por tiros; o que levou isso a acontecer era incerto, mas com certeza afetaria Dara, por isso Zoé não contou logo de cara o ocorrido.

O caminho em que a família de Zoé junto com a Dara precisavam percorrer até chegar nesse lugar seguro ficava depois de uma estrada fora da cidade; um caminho longo, mas que seria necessário passar se eles realmente quisessem ter alguma esperança de sair daquilo tudo com vida.

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Tá! Eu os culpo por eles não estarem aqui morrendo comigo!

Durante o trajeto eles passaram por uma parte da cidade bastante famosa, por ter uma casa de shows, algumas congregações religiosas e um enorme motel com colunas em forma de algo que segundo a própria Zoé, deveria ser considerado atentado ao pudor, tudo na mesma rua. E também tiveram de passar por grandes avenidas que antes do início do fim do mundo eram bastante movimentas e agora se encontravam desertas.

Muitas referências para todos nós que moramos na cidade de Manaus e conhecemos cada local do qual Zoé vai descrevendo durante a história.

Por vezes, Zoé teve que ajudar a manter Dara “acordada” naquilo que estava acontecendo; tinha sido um choque para a garota perder os pais e Zoé sabia que precisava da amiga atenta para caso algo acontecesse.

A própria Zoé e os pais também estavam abalados com aquilo tudo, cansados, mas tinham que se manter forte. Fraquejar naquele momento não ia ajudar em nada.

Vale também mencionar um antigo caso amoroso de Zoé que não deu certo e ela não encontrou mais. Sabemos que Zoé está sozinha na gruta no momento presente da história, só não sabemos exatamente o que aconteceu com todos que estavam com ela, e isso vamos descobrindo aos poucos pelos relatos de Zoé. Assim como também as outras fases do arrebatamento dos messias.

Então ficamos por aqui, obrigado ao Fernando por participar da resenha. Amanhã sai uma entrevista especial com a Leila que vocês vão amar.

Bjão,

Roh.

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8 comentários em “RESENHA: Quase o fim, Leila Plácido”

  1. Fiquei super interessada no livro, sou uma fã meio obsecada de A 5 Onda a acho que as pessoas estão cansadas de me ouvir falando sobre o livro, mas a resenha me lembrou bastante dele e agora já estou colocando Quase o Fim na minha listinha infinita, e saber que foi escrito por uma brasilera e de Manaus ainda me deixa mais ansiola pra ler.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Gente, que doideira.
    Eu sou de Manaus, atualmente morando em Mujuí dos Campos – PA.
    Deve ser incrível o livro, uma experiência única, caraca, isso que eu chamo de se sentir parte da história, já fico imaginando a Zoé narrando, e eu andando nas ruas de Manaus, lutando pela vida. Hahaha

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