Entrevistas

Entrevista: Leila Plácido, autora de Quase o fim

Ontem apresentei para vocês a resenha de Quase o Fim, livro da autora Leila Plácido, aqui de Manaus. Hoje temos mais um dia de entrevista especial no mês de aniversário aqui do blog e com isso temos para vocês esta super entrevista com a Leila. A Leila caprichou nas respostas contando bastante coisas sobre ela e a vida como escritora.

Vale lembrar que Quase o Fim foi o primeiro livro lançado por Leila que mandou muito bem já na sua estreia. Ela esteve ano passado lá na Bienal e continua bombando. Não vou enrolar muito e deixar vocês com a entrevista.

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Não é o Rômulo, é Oallisonandrade

Roh: Primeiro de tudo, sabemos que seu livro aborda a temática de distopia, com isso eu gostaria de saber como foi esse seu processo de adquirir os conhecimentos necessários para abordar este tema, livros que influenciaram, se aquela caverna é algo que você criou ou vivenciou, o que te inspirou?

Leila: Primeiro, sempre fui uma grande fã de distopias — de livros a filmes —, mas acontece que não imaginava realmente ser capaz de escrever uma. “Quase o Fim” funcionou como uma espécie de despertar para mim e todo o esboço da estória veio de uma forma tão explosiva para mim, que a Zoé parecia estar apenas adormecida em algum lugar do cérebro. Na época que ganhei “Quase o Fim” estava passando por um período realmente difícil e num verdadeiro turbilhão de emoções às voltas com problemas de saúde que iam de crises severas de fibromialgia à recém aparecida Síndrome do Pânico e mais uma pitada de Depressão. Então, no meu caso, acredito que por experimentar as sensações que experimentei e não querer ficar presa nelas foi que resgatei a Zoé de algum lugar até então adormecido da imaginação e comecei o meu próprio regresso para o mundo.
“Quase o Fim” não é apenas mais um livro a abordar a destruição da humanidade sob a perspectiva de uma adolescente, a trama busca ir além ao trazer para o nosso quintal cenários de guerra e também tenta alertar para situações que, infelizmente, já acontecem ainda que não sejam próximas a nós.

Posso afirmar que a saga que mais exerceu influência na construção do “Quase o Fim” foi “Jogos Vorazes”, da autora Suzanne Collins. Katniss Everdeen e toda a estrutura política e social de Panem causaram uma tremenda influência sobre mim. Cenários de guerras, catástrofes, cataclismos, apocalipses, etc., etc., sempre estiveram presentes em nossas vidas e Collins traça com maestria uma trama que envolve principalmente a questão humana no centro dessas catástrofes.

Como eu falei anteriormente, a estória da Zoé veio basicamente como uma explosão e a partir daí fui modelando até chegar no resultado final. Embora o livro tenha algumas várias referências e até alguns fatos históricos, a maior pesquisa que fiz foi com relação ao material bélico que seria usado a princípio na destruição, então, me vi às voltas lendo sobre aviões e bombas. Claro que a tecnologia apresentada no livro não é a mais atual, mas até isso foi pensado porque quis dar ao leitor o benefício da dúvida: por que os messias usaram esse avião e esses mísseis e não drones, qual o plano além do plano?

Quanto à ambientação, a pesquisa foi relativamente fácil porque esse primeiro livro é ambientado em Manaus e Presidente Figueiredo, então, estou em casa nesse ponto. Entretanto, a liberdade criativa também falou alto na ambientação, por exemplo, a caverna “Gruta Refúgio do Maruagá” realmente existe e realmente fica em Presidente Figueiredo, no entanto, os leitores daqui de Manaus que estão mais habituados a fazer o passeio até Presidente Figueiredo pegando a Torquato Tapajós primeiramente, sabem muito bem que a maior parte do verde que antes existia naquela região já foi substituído por edifícios, lojas e fábricas, então, realmente abusei da liberdade criativa.

No mais, fiz alguns roteiros que ajudaram bastante a não perder o foco e também sempre que iniciava um novo capítulo fazia uma releitura para me certificar de não ter deixado nada passar.

Roh: Na primeira semana de janeiro, publicamos um post para inspirar as pessoas a escreverem seus próprios livros. Como você já passou por esse percurso, qual seria sua dica para quem quer começar a jornada de escritor?

Leila: Primeiro de tudo, isso mesmo… primeiro de tudo: o essencial é não se colocar num pedestal, é entender que todos sempre podemos melhorar no que quer que seja que venhamos a fazer. Humildade é a palavra de ordem. Entendendo isso, a leitura é primordial para qualquer escritor, se você não é bom leitor muito improvavelmente vai produzir boas histórias. A leitura é fundamental por vários motivos, mas apenas para citar alguns é por meio da leitura que estimulamos nossa imaginação, aumentamos o vocabulário e somos apresentados a realidades diferentes da nossa — alternativas ou não.

Se você tem uma história pronta, então a leia novamente e dessa vez tente ler com olhos mais críticos; seja seu primeiro crítico e tente identificar os pontos fortes e fracos da sua trama. Caso ache inconsistências, anote-as e numa segunda leitura corrija-as, mas somente depois de fazer a devida pesquisa quando houver necessidade.

Bom, nem você nem eu somos editores, então, para atingir a melhor trama possível será preciso contar com um editor DE FATO; um profissional. Assim sendo, se tiver interesse em publicar seu livro, eu recomendo procurar um serviço de revisão e também, caso haja grana, um representante literário, sendo este último até dispensável se não houver grana porque você sempre pode procurar as editoras diretamente.

Em caso de procurar as editoras diretamente, recomendo que faça sua pesquisa, leia todos os “Quem somos” dos sites das editoras e leia também as linhas editoriais e as informações para autores que, geralmente, são apresentadas como “Seja Autor” ou “Envio de originais”. Nem preciso dizer que é necessário ter em mente que seu livro deve ser apresentado apenas para a editora que realmente tenha a ver com sua proposta, ou seja, meus caros, não vale mandar um original de ficção para uma editora que tem como linha editorial comercial apenas romances românticos.

E reforço a ideia de enviar seu original para um profissional de revisão, mas antes de fazê-lo aconselho também registrar sua ideia e você pode fazer isso diretamente no site da Biblioteca Nacional, afinal prevenir é melhor que remediar.

Outra coisa, tenha em mente também que as editoras sempre trabalham com prazos, então não encha o saco. Ah!!! As editoras grandes são as mais difíceis, logo, a jornada até ter um livro publicado por uma delas pode ser longa, mas o lance é não desistir e ir dando visibilidade para seu trabalho seja por meio de plataformas específicas como o Wattpad ou até mesmo disponibilizando ebooks grátis pela Saraiva ou Amazon, por exemplo.

Mire também nas editoras pequenas, garanto que muitas são fenomenais e valem a pena trabalhar, mas vá apenas naquelas empresas que tenham uma visão e uma missão parecidos com as suas próprias e que garantam que seu trabalho será respeitado.

Roh: Aproveitando o embalo, nos conta um pouco como foi o início de sua vida de escritora, como foi ser uma marinheira de primeira viagem?

Leila: Ser escritora já era um sonho bem antigo e, sinceramente, ainda acredito ter muita estrada pela frente para realmente ser a escritora que quero ser.

De início, sendo redundante, desde pequena escrevo historinhas e também poesia e com o passar da idade as historinhas viraram histórias grandes e consegui vencer a maldição das cinco páginas. Mas até conseguir publicar o primeiro título passei, obviamente, por muitos perrengues, como todo artista (rsrsrs).

O que me deu certo alívio, digamos assim, foi ler sobre os perrengues de grandes nomes como Jane Austen e Stephen King e J. K. Rowling, por exemplo. Nossa! E saber que eles enfrentaram doenças, períodos financeiros não tão favoráveis e diversas recusas é que me deu garra para continuar… pensei assim: “bom, se eles conseguiram apesar de tudo pelo que passaram, eu também posso conseguir”!

E cada vez que eu via um depoimento emocionado da Rowling contando sua história antes do sucesso do Harry, eu me emocionava também e me inspirava no exemplo de mulher que ela é. Percebi que todos são humanos como sou e que é preciso batalhar para alcançar objetivos.

Sobre lançar meu primeiro título, a emoção foi muito grande e sempre que o vejo na estante do meu pai ou na estante da sala de casa me encho de orgulho e também de emoção e sinto aquelas palavras virem à mente: “Você consegue”. Soa clichê, mas na real eu acredito que acaba sendo assim mesmo para a maioria de nós mortais.

Roh: Me fala um pouco sobre suas grandes inspirações, fala um pouco mais de autores que já lhe inspiraram e os que estão inspirando atualmente. E a influência de seu pai nisso tudo.

Leila: Já que já falei tanto em “primeiro”, rsrsrs, o primeiro livro que realmente fez meu coração dar uma batida diferente e soltar aquele “UAU” foi “O corsário Negro”, do autor italiano Emilio Salgari. Claro que antes dele li alguns muitos que também fizeram meu coração bater diferente, mas quando li o Corsário e cheguei ao fim da história lembro de ter ficado boquiaberta com o final que, até então, era diferente de tudo o que eu já havia lido, a ideia de o “mocinho” não ser um “mocinho” e ainda deixar a sua amada à deriva no mar para morrer por conta de uma vingança que precisava ser cumprida a qualquer custo fez a minha cabeça de dez anos explodir e a partir daí eu realmente me tornei leitora.

Jane Austen, Stephen King, J. K. Rowling, Neil Gaiman, Diana Wynne Jones, Alexandre Dumas, Philipe K. Dick são apenas alguns nomes que proporcionaram as melhores viagens literárias que já tive e que também influenciaram minha criatividade.

Atualmente tenho lido Neil Gaiman, voltei à Coraline e estou cada vez mais surpresa com o que redescubro nas entrelinhas. Também estou lendo Sobre a Escrita do Stephen King, porque não dá para ler uma única vez.

Quem primeiro apresentou esse universo literário para mim foi meu pai e até hoje é ele quem faz as melhores indicações e também é meu maior mentor. Geralmente, travamos algumas batalhas para ver quem vai ler primeiro o último livro que compramos na livraria… e ele sempre acaba ganhando.

Roh: O que seria, para você, um Silêncio Contagiante?

Leila: Aquele que ficamos em paz, livres de estereótipos, de preocupações próprias e alheias, em sintonia com o nosso algo interno seja ele o que for.

Os meus melhores silêncios contagiantes não são realmente silenciosos, porque dentro de mim acaba não sendo nada silencioso, mas no fim é o que a gente acaba querendo… que o resto do mundo cale a boca enquanto entramos em nós mesmos, mesmo que por poucos segundos.

Roh: Última pergunta, mas não menos importante: como você imagina sua vida daqui a cinco anos?

(planos, metas realizadas, o que irá está em andamento)

Leila: A certeza que tenho é de que quero continuar escrevendo e, se Deus permitir, para o futuro quero que meus trabalhos ganhem voz e possam ser lidos por cada vez mais leitores.

Daqui a cinco anos falando de expectativas profissionais quero ver minha carreira de escritora em ascensão e ter ao menos uns cinco títulos publicados, também penso em sucesso de projetos paralelos como um canal no YouTube.

Outra expectativa é estabelecer um canal direto de troca de ideias com leitores e escritores através de palestras, bate-papos e mesmo do YouTube, porque muito me alegra ter contato com leitores e saber a opinião deles sobre o que escrevo e conversar sobre outros escritores e outros títulos.

Em suma, daqui a cinco anos quero estar tão boba como agora e tão feliz quanto possível for.

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Um agradecimento especial para a Leila por essa entrevista maravilhosa e por se tornar presente em nossos eventos e nossa vida, você é um amor de pessoa, do tipo que sempre queremos estar ao redor!

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Organização do Clube do Livro Saraiva e os autores Jan Santos e Leila Plácido.

Bjão, pessoal,

Roh.

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2 thoughts on “Entrevista: Leila Plácido, autora de Quase o fim”

  1. Acho excelente a iniciativa de vocês de dar espaço (extremamente merecido) para autores nacionais. As entrevistas são ótimas! Parabéns!
    Apresente-nos muitos outros, eu e tenho certeza que os demais também agradecem!
    Aproveito para indicar a autora Lilian Farias, maravilhosa!
    Abraços!

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