Livros, Resenhas

Resenha: Clube da luta, de Chuck Palahniuk

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Quando você percebe que o hábito de leitura se tornou corriqueiro na sua vida, é sinal de que consumir livros se transformou numa atividade tão comum quanto consumir filmes, por exemplo, ou praticar um instrumento musical.

No caso dos filmes, você geralmente assiste a películas medianas, que no mais das vezes servem para você passar o tempo livre. No entanto, existem alguns filmes aos quais você assiste que simplesmente te deixam maravilhado. Isso demora a acontecer, é claro, mas, quando acontece, faz você ficar extasiado por várias horas depois que o filme termina.

Minha teoria é de que o mesmo fenômeno ocorre no caso dos livros. Se você é um leitor habitual, frequentemente lê “livros-três-estrelas” — que é como eu categorizo as obras medianas, que não são muito boas, mas estão longe de serem ruins. Porém, como acontece com os filmes, há vezes em que você lê um livro capaz de tirá-lo do ordinário e levá-lo ao extraordinário (tenho a impressão de que já vi essa frase em algum lugar). Tais livros demoram a aparecer — assumindo que você leia um número considerável de obras —, mas, quando aparecem, normalmente ficam na sua cabeça para sempre.

Clube da Luta é esse tipo de livro.

Não vou sequer ousar falar sobre os simbolismos contidos na história, pois não acredito ter cacife para tanto. É apenas necessário que você saiba que eles existem, e que identificá-los um a um faz parte da experiência desse livro.

Clube da Luta nasce com um clube da luta. E isso não é redundância. Apenas uso esse pleonasmo porque Clube da Luta não termina com um clube da luta. A coisa cresce de uma maneira tão exponencial que você se flagra pensando: “Caramba! Por essa eu não esperava”.

Então, basicamente, Tyler Durden idealiza o Clube da Luta, um evento que ocorre aos fins de semanas, onde vários homens se reúnem para lutar. Algumas regras são impostas para os membros, mas a essência do clube é bater e apanhar.

Muita gente fala que essa é uma história sobre violência, mas eu discordo ferrenhamente. Sim, existe uma representação da violência, mas o livro não se resume a isso, e acho que é até um pecado sair por aí dizendo algo parecido. A dimensão da história de Palahniuk é um colosso. Você definitivamente não se depara com algo de tão boa qualidade com frequência.

Ah, o humor… é o melhor de tudo nesse livro. Violência poética. Por quê? Porque não necessariamente significa violência. Significa pureza. Trata-se do instinto antes do raciocínio. Não é humor que faz rir. É humor que faz mudar a cabeça. De primeira qualidade. Puta protesto em forma de arte.

Agora, meus caros, o livro não apenas tem uma história forte e verdadeira, nem possui apenas uma narrativa de dar água na boca. Não. Esse livro pega você, acaricia, faz cafuné, depois te dá um soco na cara e você sequer consegue identificar de onde a surpresa veio. Estou me referindo ao plot twist que a história faz. A reviravolta me fez folhear o livro inteiro novamente para confirmar o quão idiota eu havia sido o tempo todo.

Palahniuk fez um joguinho monstruoso de manipulação no qual eu caí como uma isca fresca. E nesse ponto — depois do mindblow inevitável —, seu coração acelera e permanece assim até a última página. Eu sei que estou sendo um pouco repetitivo, mas é isso o que acontece quando gosto demais de um livro. Tenho tendência a fazer redundâncias confusas e entediantes.

No que concerne à escrita, argh!, que perfeição, minha gente! Chuck Palahniuk tem uma voz muito alta. Você reconhece a escrita dele, pura e simplesmente. O primeiro trabalho que li do autor foi o conto “Vísceras” — que eu recomendo para todos que conseguem prender a respiração por longos períodos de tempo —, e a empatia que eu senti foi imediata. Costumo pensar que eu me tornei um leitor crítico demais, pois, como adoro escrever, passo a avaliar a escrita de todos os autores com que me deparo. E o mais legal é que posso fazer isso, mesmo sem ser um expert no assunto. Nesse sentido, vários autores me conquistaram, mas pouquíssimos se sobressaíram como formidáveis. Chuck Palahniuk foi definitivamente um deles, e possui um lugarzinho especial no meu altar de escritores favoritos.

Não satisfeito, terminei de ler o livro e fui direto assistir ao filme — que sempre procrastinei por não querer assistir antes de ler o livro (e ainda bem que fiz isso, porque o plot twist do filme tiraria toda a graça do livro). E, gente, que filme foda pra caralho! Depois de acabar a história, meu primeiro pensamento foi de que um filme não seria capaz de captar as características transcendentes da narrativa. Mas graças a Zeus eu estava errado. O filme é uma obra de arte linda e quase que completamente fiel. É um must-see com louvor. O roteiro é magnífico, as interpretações são espetaculares e o conjunto da obra deixa no chinelo muitos ganhadores do Oscar. O longa foi tão incrível que era até possível perceber os trejeitos narrativos do Palahniuk, todos ali, nas falas, nas cenas, nos silêncios. Argh! É um conforto para a alma. Sério.

Enfim, eu sei que essa resenha foi mais estranha do que o usual, mas é porque eu não costumo me apaixonar por um livro tão facilmente. E como diz o ditado: “O amor é cego”.

Há braços.

Vlaxio.

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3 comentários em “Resenha: Clube da luta, de Chuck Palahniuk”

  1. Várias pessoas já me indicaram esse livro. Não só o livro como o filme (tem a Helena Bonham Carte que eu adoro imensamente).
    Mas tento sempre ler primeiro para depois assistir. Li alguns diálogos do filme e pensei: imagina isso no livro?

    Parabéns pela resenha! 😉

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