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Amor de Peixe ou como sacrifícios não mudam o destino

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Olá, contagiante!

Antes de mais nada, leia isto:

Recordou-se da vez em que apanhara um peixe graúdo, de um casal. O macho deixa sempre a fêmea comer primeiro, e a fêmea, apanhada no anzol, lutou desesperadamente, tomada de pânico, e depressa ficara exausta; e todo o tempo o macho estivera ao pé dela, cruzando a linha e dando voltas com a fêmea à superfície. Andara por tão perto, que o velho temera que ele cortasse a linha, com a cauda afiada como uma foice e quase do mesmo tamanho e forma. Quando o velho a agarrara com o croque e lhe dera uma marretada, segurando o estoque e batendo-lhe no alto da cabeça, até que a cor do peixe se tornara quase igual ao estanho dos espelhos, e depois, com o auxílio do rapaz, a içara para bordo, o macho ficara ao lado do barco. E então, enquanto o velho desenredava as linhas e preparava o arpão, o macho saltara muito alto fora de água, ao pé do barco, para ver onde estava a fêmea, e mergulhara profundamente, com as suas asas cor de alfazema, que eram as barbatanas peitorais, desfraldadas e todas as listras de alfazema a brilhar. Era belo, recordava o velho, e tinha ficado.

“Foi a coisa mais triste que já vi em peixes, pensou o velho. O rapaz também ficou triste, e então pedimos perdão à bicha e tratámos de a esquartejar logo”.

Se você não entendeu, leia de novo.

Se não chorou, leia de novo.

Por via das dúvidas, leia de novo.

Essa pequena passagem vem do livro O Velho e O Mar, de Ernest Hemingway. Quando o li, três anos atrás — no meu primeiro contato com o Hemingway —, me lembro de ter ficado bastante impressionado com esse “Amor de Peixe”. Por algum motivo, fui tocado pela historinha contada pelo Velho, e, por isso, essa alegoria sempre permeia minha mente.

O Amor de Peixe, na minha concepção de acordo com o que li, se trata do sacrifício pelo próximo, muito embora — assim como na história, quando o peixe-fêmea é capturado — seu destino não dependa de nosso sacrifício. Será que deu pra entender?

A história é sobre um velho pescador que se aventura em alto mar à procura de um peixe grande. Durante a história, ele passa por maus bocados. Em certa ocasião, ele joga o anzol e acaba capturando o peixe da passagem acima. Logo, ele percebe que há um segundo peixe acompanhando o primeiro. Não demora para ele constatar que se trata de um casal de peixes. Por um cavalheirismo instintivo e animal, o peixe macho deixa que a fêmea coma antes dele. Porém, acontece que a “comida”, dessa vez, era a isca do velho. O peixe macho fica desesperado, mas, afinal, nada pôde fazer. O macho deixava a fêmea comer primeiro para que ela sobrevivesse, mas, mesmo com seu sacrifício por ela, a fêmea não pôde ser salva no fim das contas.

É algo lindo e poético. Como a própria vida.

Como o próprio amor.

Porque agora eu sei que peixes também amam.

Só queria compartilhar isso com vocês hoje.

Há braços.

Vlaxio.

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2 thoughts on “Amor de Peixe ou como sacrifícios não mudam o destino”

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