Resenhas

Resenha: O doador de memórias, de Lois Lowry, por Carolina

 

Como seria viver na mesmice?… Em uma sociedade pacata, onde há regras que são – devem ser – obedecidas por todos?…

51wiylhezvl
O doador, de Lois Lowry. Sextante / Arqueiro, 2009.

Desde pequeno se aprende. Disciplina-se desde cedo, punição, garantindo “precisão”.

“O castigo, usado para crianças pequenas era um sistema oficial de varadas com a vara disciplinar: uma arma fina e flexível que, quando utilizada, causava dor aguda na criança.” p.58

Há a importante precisão de linguagem para que todos se entendam sem “ruídos”.

Um mundo sem cores… Sem grandes infrações ou se pode ser dispensado e seguir para Alhures. Sem conflitos.

Não se mente (?). Não há procriação natural ou “ATIÇAMENTO”. Assim que estes últimos começam a ocorrer, entre o final da infância e início da adolescência, deve-se comunicar e há a ingestão de pílulas até que se entre na Casa dos Idosos. Quando se quer formar família, requer-se um cônjuge e se aguarda a aprovação pelo Conselho de Anciãos. O mesmo ocorre quanto a filhos, máximo possível de dois por família. Lembre-se que não necessariamente será contemplado, o Conselho delibera. Quanto ao nascimento, há a atribuição de “mãe biológica” que se estende por três partos, devendo a cidadã exercer, depois, outras atribuições.

Todos os anos há a cerimônia onde as crianças novas são entregues a seus pais pelos Criadores, onde se “promove” a criança para o ano seguinte… A atribuição de funções ocorre aos doze, quando se torna um adulto novo e aprendiz da função que exercerá.

Jonas. Seu pai é um Criador, sua mãe trabalha no Departamento de Justiça. Sua irmã, Lily, fará 8 e ele, 12. Por isso está apreensivo. Os anos de voluntariado não deram um Norte a ele… Como foi a 19ª criança em seu ano, sua atribuição será a 19ª a ser informada.

Na cerimônia o melhor amigo do Jonas torna-se Diretor Assistente de Recreação; Fiona, amiga sensível e meiga, Curadora de Idosos. 17, 18,  20, 21… Opa! Jonas é pulado! A comunidade inteira está confusa, ele se questiona. Ao término, desculpas são pedidas e aceitas. Jonas não tem função atribuída, mas é escolhido como Recebedor de Memórias. E ser o Recebedor de Memórias é grande honraria…

Há apenas um Recebedor na comunidade e, quando o Jonas se torna o Recebedor, o existente se torna o Doador.

Qualidades necessárias:

  • Inteligência
  • Integridade
  • Coragem
  • Sabedoria

“A aquisição de sabedoria virá através do seu treinamento.” p.67

  • Capacidade de Ver Além.

Jonas não pode pedir dispensa – consta nas regras que recebe, acrescida após escolha feita 10 anos antes, onde “o Recebedor” em treinamento pediu dispensa, teve nome impronunciável, o que representa desonra do mais alto grau, e liberou algumas memórias.

Ser o Recebedor é um fardo difícil. Doloroso…

“Mas por que todo mundo não pode ter as lembranças? Acho que seria um pouco mais fácil se as lembranças pudessem ser partilhadas. O senhor e eu não teríamos que suportar tanta coisa sozinhos se todas as outras pessoas assumissem uma parte disso.” p.117

A razão de ser do Recebedor é tirar tal fardo da população… Guerra… Morte… Angústia… Dor… Perda… Também cores, música… tudo o que venha a interferir na Mesmice. Também é a de ter a sabedoria proveniente das memórias para aconselhar quando necessário, em momentos difíceis.

Quase um ano se passa, aproxima-se o dia da Cerimônia. Recebedor e Doador decidem tentar mudar, compõe um plano…

“Tenho muito amor por você Jonas. (…) Quando meu trabalho aqui terminar, quero ficar com a minha filha.” p.167

(Rosemary, dispensada há 10 anos…)

Amor… “uma palavra tão sem sentido que já se tornou quase obsoleta.” p.132

Jonas parte, o Doador fica. Gabriel, criança com quem Jonas conviveu por quase um ano em sua casa, a pedido do pai-Criador, por ter problemas para dormir à noite, na busca de fortalecimento… uma tentativa… é levado por Jonas em mudança repentina de planos, já que o conhecimento da sua dispensa na manhã seguinte seria bem cedo.

Bicicleta do pai com cesto para Gabriel, alguma comida… e só.

Provações… Fuga de aviões de busca… Fome… Frio… Buscando alento nas cada vez mais escassas memórias de calor e fartura partilhadas com o Gabriel, razão pela qual não pode se deixar fraquejar…

“E num lampejo, teve certeza, cheio de alegria, que lá embaixo, lá adiante, esperavam por ele, e que esperavam pela criança.” p.184

Seria “fácil” viver em uma sociedade funcional, sem transgressões, com ordem, cumprimento de deveres… Sem problemas como fome, destruição pessoal e coletiva… Mas viver sem sentimentos?… Condicionados por medicação e “behaviorismo”..? Seria mais..? Você se adaptaria ou buscaria Alhures?

Carolina Silva

Anúncios

6 thoughts on “Resenha: O doador de memórias, de Lois Lowry, por Carolina”

  1. Eu li esse livro faz anos e confesso que fiquei muito decepcionada. Tanto com o livro, quanto com o filme.
    Esperava mais, muito mais de ambos.
    A ideia central é ótima, mas o desenrolar é entediante!
    Sei que tem continuação, mas não tenho vontade alguma de ler.
    Engraçado, pensei que era cisma minha, mas percebi que esse livro divide muitas opiniões, normal!
    Já o filme parece ser unânime o desgosto.
    Confesso que só conheci a história ao saber que a Meryl Streep faria parte do elenco (alguma participações que salvou o filme), como sou fã louca da atriz comprei o livro (edição que a mesma está na capa), gostei bastante da ideia inicial, mas depois… Perdi totalmente o interesse.

    Curtir

  2. Nossa! Eu não sabia da existência desse livro, até agora, que incrível, já anotei na minha lista . Li Caixa de Pássaros, e amei! Tenho certeza que vou gostar de O Doador.

    Curtir

  3. Confesso que fiquei super decepcionada com o livro. Não só com o livro como também com o filme.
    Esperava mais, muito mais!
    A ideia central é ótima, começou muito bem, mas chega a um ponto em que a leitura ficou extremamente entediante.
    Sei que tem continuação, mas realmente não penso em ler, pelo menos não por enquanto.

    Curtir

    1. No filme, confesso, não gostei de terem mudado a idade para rolar “um quê de romance” entre o Jonas e a Fiona (coisa que eles tem feito com frequência… veja o “Assistível mas totalmente esquecível” – palavras do autor Joseph Delaney – O sétimo filho!..).
      Quanto aos livros, estou gostando! Quando leio algo que penso “incomum”, mesmo para a comunidade retratada, questiono-me… O que está por trás?!?.. Fico intrigada, quero “descobrir” as possíveis causas ou entender porquês. 🙂 Abraço!

      Curtir

Gostou? Não gostou? Deixe seu comentário, vamos ficar muito felizes em respondê-lo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s