Resenhas

Resenha: A escolhida, de Lois Lowry, por Carolina Silva

Como deste segundo livro não teve filme…

NO  BIG  SPOILERS !

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A escolhida, de Lois Lowry. Editora Arqueiro, 2014.

A autora, aqui, nos apresenta uma comunidade diferente da do Jonas, do Gabe, d’O doador. Não há a disciplina dos cidadãos, a cortesia (mesmo que automática) ou a precisão de linguagem. Ao contrário: cuidado ao falar é praticado por poucos, a maioria da população age por instinto de autopreservação, dialetos são utilizados, há inveja, rivalidade e, para “imperfeições”…

          “A garota deveria ter sido levada para o Campo quando nasceu e ainda não tinha nome. É a lei.” “Ela era imperfeita. E também órfã de pai. Não deveria ter sido poupada.” p.26

Fala da Vandara, acusando a protagonista, Kira, que acaba de voltar do Campo de Partida, onde velou sua mãe, Katrina, por quatro noites, até o espírito deixar o corpo. Kira tem defeito na perna, manca, usa cajado para se apoiar. O pai, que nunca conheceu, chamava-se Christopher. Ótimo caçador! Diz-se que foi levado pelas feras. Sim, diz-se: há feras! E a crença na existência delas é usada como forma de amedrontar a população, define “limites”.

Acusações procedem, mas…

“Se consultarmos, no entanto, o terceiro conjunto de emendas (…) Está claro que pode haver exceções.” p.32.

Por que a Vandara acusa e leva a Kira ao Conselho dos Guardiões? Interesse no terreno onde ficava o casebre da família da Kira – e não dava para seguir com a ideia do apedrejamento porque “o causador-da-morte deve morrer” (p.19) – além de maldade.

Julgamento: o terreno é dado para as mulheres construírem o cercado dos pequenos… mas a Kira não é levada para o Campo, para “as feras”. Ela fica no Edifício do Conselho, trabalhará lá. Ela pode não cavar… ou caçar… ou… mas tem um dom: borda como ninguém! Dom. O bordado “que veio à ela”, pequeno, fala com ela, da alertas.

“… lembrou como aquele padrão tinha se formado espontaneamente, sem que suas mãos percebessem, enquanto ela estava ao lado da mãe nos seus últimos dias de vida.” p.28

Mágica?

O Thomas, entalhador, igualmente órfão, vizinho de quarto, também tem sua pequena madeira trabalhada, pinho de cor clara, que cabe na palma da mão…

“…descobri, sei lá como, que se pegasse uma ferramenta afiada e um pedaço de madeira, eu podia gravar figuras nele.” p.63.

Além do Thomas, com quem faz amizade logo após se mudar, Kira tem Matt, uma sílaba ainda (uns 8 ou 9 anos). Estranho?.. Quando pequeno, uma sílaba… O nome ganha mais sílabas como passar do tempo. Matt mora no Brejo, não toma ou gosta de tomar banho, não consegue ficar parado, anda por todo canto, conhece a todos… sempre com o seu cão, o Toquinho.

  • Diferença de sociedade ✓
  • Lei ✓
  • Kira ✓
  • Dons . . .

Faltou mencionar a Jo, do Brejo, também subitamente órfã. Seu Dom? O canto.

“Todo mundo lá no Brejo fica feliz à beça de ouvir ela cantar.” p.110

Todos os anos há a Congregação, momento em que todos se reúnem no prédio do Conselho para ouvir o Cantor do Hino da Ruína. Hino este que narra a História do Mundo, da sua criação à ruína, belezas e desastres. Para que todos lembrem. A túnica auxilia, bordada com a História, bem como o cajado com seus entalhes.

Para bordar, além dos acessórios, são necessárias linhas… coloridas. E a Kira aprenderá a tinturá-las com a sra. Annabella, na clareira. Ervas, flores, raízes… “mordentes” (fixador?) – cores. A busca do azul!!.. Única cor que não tem como produzir. O ingrediente para tal cor…

 “Outros tem, mas vivem longe daqui.” p.77

Longe, muito longe. E tem o problema das feras.

“Não tem fera nenhuma.” p.97, 98, 176…

Ir além…

Como disse, no big spoilers. Lendo, questionamo-nos. Há mistérios. Há mortes estranhas. Há X não há feras. Na comunidade do Jonas os cidadãos não tem memórias; na da Kira, o passado é lembrado, cantado, entalhado, bordado… E o Jamison, defensor da Kira no julgamento, supervisor do seu trabalho diário, gentil, guardião, grosseiro (?)… Quem? Para quem? Conselho? Há outras comunidades? Que decisões?…

Certa vez a Kira explicou o conceito de “presente” para o Matt. Este depois volta de uma longa viagem com presentes para ela, para se tornar sua pessoa favorita! 🙂  Ingrediente para a sonhada cor azul e um outro… – e informação:

“Eu vi um menino lá, um menino de duas sílabas, que nem é quebrado, mais ou menos da sua idade (…) Ele tem os olhos dum azul muito bonito.” p.189

Jonas?

Um abraço,

Carolina.

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4 comentários em “Resenha: A escolhida, de Lois Lowry, por Carolina Silva”

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