Resenhas

Resenha: Como agarrar uma herdeira, de Julia Quinn

Olá, leitores!

Nunca pensei que essa resenha seria uma complicação, mas estou entre escrever algo simples e direto ou fazer comparações que podem ser interpretadas de forma equivocada. “Simples e direto” parece muito fácil, e talvez não consiga mostrar com clareza a minha opinião sobre o livro de hoje com este método. As comparações, por outro lado, podem me colocar numa saia justa com vocês, que amam Julia Quinn. De antemão, aviso que vocês não precisam concordar comigo (noooossa) e possuem o direito de me esculachar nos comentários. 

Dramática, eu sei.

A questão é que eu gosto de Julia Quinn, gosto mesmo. Contudo, aqui começa a treta, não é com aquela loucura que eu sinto por algumas outras autoras de Romances de Época. Para mim, ler Julia Quinn é um passatempo gostoso, mas confortável. Sem grandes dramas, sem intrigas de perder o fôlego, sem altos e baixos de dar vertigem. É um momento de calma, diversão e zona de conforto. Não irá exigir tanto, pois é uma leitura fácil e fluida.

Ao mesmo tempo, tudo é muito onírico, quase perfeito demais. Haverá algumas palpitações e lágrimas, mas não o suficiente para você dizer que aquele livro foi triste. Uma coisa que nunca se perde nos livros da Quinn é a diversão, o toque de comédia romântica. Tudo bem equilibrado: o enredo, as cenas, os personagens, os cenários e os costumes.

Meus livros da Julia Quinn

Posso não ter lido todos os livros publicados da autora, mas já li 15 deles. Ou melhor, já li 11 livros dela que não se perdem disso. Isso é ruim? Não. Eu gosto de ler os livros dela, são como férias mentais. É sempre um momento doce, calmo e de gargalhadas. Eu devoro esses livros em instantes. Apesar desses 11 livros lidos, eu não consigo enjoar. Preciso desses livros para minha paz mental, pelo menos, a cada dois meses.

Sabe aqueles 4 dos 15 restantes? Bem, três deles são meus favoritos: O conde enfeitiçado, que me reduziu a uma bola soluçante; Como agarrar uma herdeira, que é o livro de hoje; e, Como se casar com um marquês, que será resenhado em breve. E o ultimo é Os mistérios de sir Richard, não tem quem me faça gostar desse livro. Todos os piores personagens dela estão nele, a situação toda é ruim e tinha uma protagonista incrível que foi reduzida a nada. Por um milagre, a resenha de todos os volumes de Quarteto Smithe-Smith foram postadas no blog.

Série Agentes da Coroa

Como agarrar uma herdeira foi publicado, pela primeira vez, em 1998, dois anos antes de O duque e eu — primeiro volume da série de maior sucesso da autora, Os Bridgertons. Quando isso acontece, eu meio que espero uma regressão no estilo ou na escrita do autor. É neste ponto que o livro me surpreendeu, há uma certa brusquidão. Enquanto que em Os Bridgertons muitos pontos são suavizados, Como agarrar uma herdeira e, na continuação, Como se casar com um marquês não existe muito polimento.

Essa diferença não é gritante, mas me chocou algumas vezes. E foi de uma maneira muito boa. Continua sendo a mesma autora, que é maravilhosa, mas que me surpreendeu de uma maneira que eu nunca esperei. Essa falta de suavização deixou os personagens mais interessantes, as situações mais inusitadas e, ainda, com finais felizes que merecem aqueles suspiros bem altos e gritinhos de ‘ai, que lindo!’.

Como se casar com uma herdeira

Caroline Trent atirou em Percival Prewitt. É assim que começa o livro, após o tiro. Caroline é uma herdeira rica, sem família, que passou por vários protetores designados pela Corte. Bem criada, mas que carrega uma arma e o desejo de se ver livre. Ela conta os dias para quando atingir os vinte um anos, falta seis semanas. Parece simples, mas é aí que a autora nos dá alguns detalhes sem suavização.

Percival tentou estuprá-la a mando do pai, Oliver Prewitt, para que ela fosse obrigada a se casar com ele e o dinheiro dela passasse a estar sob o controle de seu atual protetor. Desde os 10 anos ela foi sendo passada de casa em casa, um a ignorou, outro achou que tinha ganhado uma empregada, um pensou que ela era muito bonita e ficava a apalpando (foi aí que ela começou a andar armada), o irmão mais novo do aliciador era um alcoólatra violento e, por último, tem esse que quer tanto o dinheiro ao ponto de armar um cerco cruel.

con.tu.ber.nal (substantivo). Aquele que vive debaixo do mesmo teto; companheiro de habitação, camarada.

A ideia de Percy Prewitt como meu contubernal me dá urticária.

— Do dicionário pessoal de Caroline Trent.

A situação é insustentável, Caroline foge só para ser sequestrada a poucos quilômetros por Blake Ravenscroft, que a confunde com a lendária espiã espanhola Carlotta De Leon. Ela até tenta dizer a ele que se confundiu, mas Blake é irredutível. Esse sequestro pode caber muito bem nos planos (ou na falta deles) de Caroline, afinal ela não tem para onde ir, nem trasporte e somente algumas moedas.

Desculpa, gente. O Blake é o pior agente secreto da literatura, o que é hilário! Não era para ele ser, mas foi a impressão que me deu. Eu entendi que não tinha uma foto da tal espiã ou uma gravura, apenas o marquês de Riverdale — amigo de Blake e também agente da Coroa — a tinha visto, mas não descrito muito bem. E nem vou entrar nos plácidos interrogatórios de Blake porque é de morrer de rir.

pa.li:a.ti.vo (adjetivo). Que dá alívio superficial ou temporário.

Estou aprendendo que um beijo é um fraco paliativo quando o coração de alguém está partido.

— Do dicionário pessoal de Caroline Trent.

Se você acha que vai ficar só nessa de Blake pensa que Caroline é Carlotta, relaxa. Mais ou menos um quinto inicial do livro é isso mesmo, mas a autora não posterga isso e abre para explorar outras facetas da história. Vai ter um choque entre sentir luxúria livremente por uma espiã, ainda que com uma sensação de que aquilo é errado, e descartar qualquer tipo de sentimento similar por uma dama.

Para o Blake, esta é sua última missão, ele quer acabar aquilo bem e fechar o cerco contra os traidores que estão divulgando nomes de agentes da Coroa. Eu gosto do Blake porque a história dele é um pouco similar à da Francesca, de O conde enfeitiçado. Blake tinha uma noiva, também uma agente, que morreu, e ele carrega uma culpa imensa por essa morte. Eles eram amigos de infância e se amavam muito, planejaram passar a vida juntos.

Nunca poderia tê-la, nunca poderia amá-la de todos os modos como ela merecia ser amada, mas era egoísta demais para deixá-la ir. Só por aquele instante, ele poderia – e iria – fingir que pertencia a Caroline, e que ela pertencia a ele, e que o coração dele estava inteiro.

Esse detalhe, obviamente, vai ser um empecilho para o casal desse livro, mas dá margem para a Julia Quinn fazer algo que eu amei em O conde enfeitiçado. Ela não tira o crédito da relação anterior de Blake como muitas autoras fazem. Não há necessidade de ela escrever algo como “o que eu sinto por ela é diferente”, “eu nunca senti algo assim antes”, “nunca vivi nada parecido”, “eu a amo mais do que alguma vez na vida pensei em amar alguém”… A autora nunca, em hipótese alguma, desvaloriza o amor que Blake teve pela amiga de infância, assim como nunca desvalorizou o que Francesca teve com o primeiro marido.

Não há questão de amar mais ou menos, a construção dos personagens e do casal acontece de forma a te passar que aquela relação é sólida e tem sua importância. Não existe a ideia de que aquela relação é um estepe da anterior e nem que a anterior é só uma sombra da atual. São pessoas diferentes que têm bagagens diferentes, que se encontraram e que, aos trancos e barrancos, criaram afinidade.

ple.to.ra (substantivo). Superabundância ou excesso de algo.

Blake insiste que há uma verdadeira pletora de razões para não registrar nada importante por escrito, mas não consigo pensar em nada neste meu pequeno dicionário que alguém pudesse achar incriminador.

— Do dicionário pessoal de Caroline Trent.

Beijos, May.

Título: Como agarrar uma herdeira (Agentes da Coroa; 1)

Autor: Julia Quinn

Editora: Arqueiro

Páginas: 292

Ano: 2017

Adicionar: Skoob

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12 comentários em “Resenha: Como agarrar uma herdeira, de Julia Quinn”

  1. Vamos lá, ainda não li nada da Quinn, Então não posso opinar muito, mas tenho que dizer que odiei o título “Como agarrar uma herdeira “. Achei meio machista, objetificando a mulher. Entende?
    Não estou dizendo que o livro seja assim, mas não curti o título mesmo.
    “Como se casar com um marquês”, também não me agradou, pelo mesmo motivo.
    Agora assim, o que li aqui sobre “”Como agarrar uma herdeira ” levantou um pouco meu interesse, gostaria de ver como essa construção meio brusca foi feita, uma vez que está sendo abordado um tema tão pesado como o assédio e até a violência sexual.

    Curtido por 1 pessoa

    1. É isso mesmo, Samy! Essa é a ideia. É machista, mas você só terá mulheres fortes. Nos dois livros, que foram bem problemáticos para ela, a autora fala sobre a inspiração em uma carta pré-texto.

      Como agarrar uma herdeira, ela conseguiu levar o texto porque o pai dela a inscreveu para receber significados de palavras diferentes todos os dias. Porém, o título vai bem na ideia de que o Blake está tentando apanhar os traidores, mas acaba capturando uma herdeira que não tinha nada a ver com as traições. Pior agente de todos os tempos~

      Em Como agarrar um marquês, ela conseguiu desenrolar porque tinha um livro muuuito famoso na década de 1990 fazendo um estardalhaço sobre como conquistar um marido dos sonhos. O que é bem regressista, esse tipo de manual era muito comum nos séculos XVII e XIX. A própria protagonista acha um desses manuais [com mesmo título] no início do livro, e (spoiler) ela não consegue seguir nenhuma das regras…

      Beijos, May.

      P.S.: Acho que fiquei bem chocada com a brusquidão da autora porque eu li tantos livros dela que me surpreendeu…

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