Resenhas

Resenha: Origem, de Dan Brown

Se você acompanha o blog há algum tempo, provavelmente deve saber que sou suspeito para falar dos livros do Dan Brown. O cara é um monstro do suspense contemporâneo, com capacidade de escrita de uma fluidez assombrosa e, muito embora suas histórias estruturem-se a partir de uma fórmula comercial, ele consegue se destacar facilmente entre outros nomes que trabalham com o mesmo gênero.

Agora ele resolveu falar sobre a origem do universo.

E não apenas do início, mas também do destino. Em A Origem, lidaremos com duas das maiores indagações que a humanidade já fez a si mesma: 1) De onde viemos? 2) Para onde vamos? O plot todo da história orbita em volta da possibilidade de, finalmente, acabar com a dúvida que essas perguntas carregam, que, além do mais, podem, por associação, ajudar a responder outras questões parecidas, como: Estamos sozinhos no universo? Existem outras dimensões? Estamos sendo observados por seres extraterrestres? Etc, etc, etc…

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Acho importante frisar que há muito tempo Dan Brown não fazia tanto estardalhaço no mundo literário. A última vez, para ser mais exato, foi quando lançou O Código Da Vinci, que gerou uma explosão de ataques da Igreja Católica por conta do teor da trama do livro. Em A Origem, Dan Brown volta a deixar os religiosos em polvorosa ao declarar – não surpreendentemente – que deus não existe. Isso virou muita gente do avesso, culminando num bom número de “tentativas” de boicote ao livro pelo mundo.

O que os religiosos parecem não aprender é que, quanto mais eles repudiarem um livro, mais e mais esse livro despertará o desejo de aquisição dos consumidores. No fim das contas, o tiro sempre sai pela culatra como um marketing reverso, e, cá entre nós, o Dan Brown deve adorar ser condenado pelo alto escalão do catolicismo. Se ele não incomodar ninguém com suas histórias, provavelmente deve encarar isso como algum tipo de fracasso.

Mas, bem, vamos a uma breve sinopse:

Um futurólogo bilionário chamado Edmond Kirsch convida centenas de pessoas internacionalmente importantes para um evento misterioso, no qual pretende fazer um anúncio que promete chocar a humanidade e decretar de uma vez por todas a superioridade da ciência sobre a religião. Quando Kirsch está prestes a fazer o tão aguardado pronunciamento, tudo começa a dar errado de uma maneira que ninguém conseguiu antever, puxando o gatilho de uma profusão de acontecimentos conectados capazes de passar a clara mensagem de que com a Igreja não se brinca.

Essa é a hora de Robert Langdon agir.

Aproveitando a oportunidade, quero falar sobre alguns personagens desse livro. Eu adoro o Robert Langdon, e acho a construção dele como carro-chefe do Dan Brown algo entre a autobiografia e as aspirações não concretizadas. Langdon é um homem cheio de camadas, algumas delas bem sombrias, mas que lida com tantos simbolismos que sua vida parece agora um reflexo subliminar do intelecto que ele carrega. Em A Origem, Langdon volta com tudo. Para ser sincero, não morri de amores pelo Inferno, último livro em que ele apareceu, por isso agora fiquei dando pulinhos quando Dan Brown entregou para nós um Robert Langdon no ápice de sua personificação literária, com direito a mais piadas inteligentes, referências à cultura pop e à arte, e uma porção de conhecimentos científicos que, muito embora sejam de domínio público, são pouco conhecidos pelas massas.

Como sempre, o desenvolvimento da trama depende da capacidade de Langdon para juntar peças de um quebra-cabeça impraticável para as mentes menos privilegiadas. Langdon, em A Origem, é ex-professor de Edmond Kirsch, mas os dois se tornaram grandes amigos e Kirsch vive fazendo consultas ao professor sempre que precisa tomar decisões capciosas. Aqui Langdon ostenta com dinamicidade um jogo de cintura para se adaptar com rapidez a situações de perigo extremo, chegando a executar empreitadas dignas de Tom Cruise em Missão Impossível. Langdon é, sem dúvida, um de meus personagens favoritos no mundo da literatura.

Paralelamente, temos o próprio Edmond Kirsch, cuja mente brilhante e megalomaníaca o levou a criar coisas inimagináveis. Kirsch é, acima de tudo, um ser irrequieto, insatisfeito por conta das dúvidas, com tempo e dinheiro suficientes para se empenhar em descobrir o segredo do universo. Como todo bilionário, ele é arrogante. Como todo gênio, ele é excêntrico. E, como todo bilionário gênio, ele certamente gosta de pensar que é maior que deus. Por esse motivo, gastou um bocado de tempo buscando a verdade que satisfaria sua curiosidade e acabou encontrando o que procurava.

Entretanto, o personagem que roubou o livro foi outro. Seu nome é Winston. E, Winston, senhoras e senhores, é um computador controlado por Inteligência Artificial. Ele foi criado por Kirsch e é de longe a melhor surpresa que eu tive durante a história. Vejam bem, Winston pode ser um computador, mas se comporta como se fosse um ser humano (com sotaque britânico) dotado de um cérebro incomparável, capaz de falar todas as línguas já registradas, calcular equações infinitesimais e até fingir ser outras pessoas para enganar agentes secretos da Guarda Real Espanhola.

Winston se tornou instantaneamente meu crush platônico imaginário. Ele é de fato um personagem à parte que, mesmo não tendo a complexidade do fator humano, consegue ser uma figura carismática, com quem você com certeza gostaria de fazer amizade. Em dados momentos, chega a ser muito difícil imaginá-lo como um computador, porque a prolixidade da interação que ele tem com os outros personagens vai muito além daquilo que a Inteligência Artificial é capaz de produzir.

No que se refere à escrita, Dan Brown é perfeito. Todos os personagens têm profundidade, passados próprios, dúvidas, certezas, alegrias e tristezas. Ouso dizer que cada um dos principais nomes de A Origem resultaria em spin-offs interessantíssimos, de modo que a aptidão do autor de fazer o leitor criar empatia é algo de outro mundo.

Na minha opinião, Dan Brown é uma leitura-coringa, que agrada muita gente, por motivos diferentes. Mas, seja qual for a razão, seus livros sempre estarão em alta conta na minha vida, porque foi ele quem me fez despertar, de verdade, o gosto pela leitura.

Isso é tudo por hoje.

Há braços.
Vlaxio.

10 comentários em “Resenha: Origem, de Dan Brown”

  1. Oi, Vlaxio!
    Lembrei de quando assisti O código da Vinci pela primeira vez, no ensino fundamental, fiquei bem impressionada…
    Esse ano eu assisti os três da sequência, não li nenhum livro de Dan Brown, mas acho que irei gostar, desperta a minha curiosidade já que geralmente o livro é melhor que o filme.

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  2. Primeiramente gostaria de dizer que o Robert Langdon é meu esposo, só ele que ainda não sabe disso rs. É uma das minhas personagens do coração. Acho todos os livros em que o Robert está presente fabulosos.
    Sou fã do Dan, me segurei horrores para não comprar “Origem”. Já estava depressiva, por falta de verba e adivinha?
    Ganhei o livro em um sorteio essa semana.
    EU TÔ MUITO FELIZ E NEM LI O LIVRO AINDA!
    Bom, me acalmando um pouco…
    A presença constante do suspense me motiva, os livros do Dan sempre possuem uma qualidade imensa, do inicio ao fim, é bom saber que ele continua assim.
    Louca para ler!

    Vlaxio, vem cá, dando uma passadinha em “Inferno”, só eu shippei fortemente o Robert com a Elizabeth Sinskey?

    Nunca vou superar!

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  3. Vou confessar, que comecei a assistir o filme “O Código Da Vinci” e não me empolgou, desistir de ir até o final e por sequência não vi os outros filmes, porem sei que não devemos julgar um livro pela adaptação cinematográfica e quem sabe qdo tiver condições financeiras para aumentar minha biblioteca. Sua resenha me deixou com vontade de comprar pelo menos esse. 😊😊

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    1. Que bom que gostou, Carolina… O meu favorito também é Anjos e Demônios, tanto é que na época que li consegui criar um ambigrama pro meu nome, de tanto que eu fiquei obcecado pelos ambigramas iluminati que apareciam no livro… A Origem, por outro lado, veio com tudo e já é uma das melhores obras do autor na minha opinião.

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