Resenhas

Resenha: Até o fim do mundo, de Tommy Wallach

Seattle.

Pares tidos como perfeitos, mal-entendidos que levam a bullying, dramas familiares e pessoais… Vidas aparentemente “normais”… Perspectivas – ou falta delas. Agora, sob um novo prisma:

Não há maneira agradável de informa-los de que as estimativas mais recentes feitas por cientistas de várias partes do mundo afirmam que o asteroide está diretamente em rota de colisão com a nossa órbita. (…) deve acontecer dentro de sete a oito semanas (…)

p.71-2

Em caso de colisão: 66,6%  x  33,3%.

Um dia ou dois, arrisca-se: coragem, uma atividade, viagem, declarações… Quase dois meses? Pode ocorrer “pânico coletivo”… o que influencia as vidas ao redor dos protagonistas, bem como as deles próprios.

Peter Roeslin é jogador de basquete do colégio, é um bom filho, e namora com a bela e popular Stacy. Se já “saiu da linha”? Pouco mais de um ano atrás, em um impulso, beijou a Eliza no quarto escuro de fotos dela, sendo pego em flagrante por uma amiga da namorada. Não “se falou dele”, mas a garota das fotos ganhou fama de “fácil”.  

Eliza Olivi era “na dela”. Sua vida era o colégio, suas fotos e o seu pai, que está doente. Sua mãe os abandonou anos atrás para morar no Havaí com outro homem. Ela não menciona a doença do pai para ninguém. Após ganhar fama gratuita, segue conselho recebido: se for para ficar falada, melhor se divertir. Fecha-se ainda mais.

Andy Rowen gosta de “filar aula”, não entende muito a necessidade do colégio, horários… Na verdade, não acredita que se importem – é tudo uma perda de tempo. Anda de skate quase sempre com o amigo, o “Bobo”, que “tira muita onda com ele” por nunca ter estado com uma garota. Nutre sentimento platônico pela Eliza anterior a fama adquirida.

Anita Graves é decidida, estudiosa. O que não sabem é a pressão que ela sofre em casa quanto a isso, sem poder seguir com a sua paixão por cantar. Um “investimento” do seu pai. Procurou a orientadora, Suzie O., quase à beira de um colapso nervoso. Talvez precise desapontar o pai, fingir que foi mal em algo… Ouve do Andy, que ia para a sala da orientadora, algo que nunca se esquece:

Seja lá o que for, não vale a pena.

Difícil expressar claramente o que senti ao ler o livro. Coisas as quais, de uma forma ou de outra, já nos questionamos, seja o futuro, a falta dele, o dia-a-dia, o agora… A busca de significado.

São pessoas que não precisariam conviver. Peter se imaginou casado com a Stacy, filhos, campeonatos como jogador ou treinador… Eliza e suas fotos, preferencialmente em preto e branco, onde há maior fidelidade… Andy e vida errante, deixando-se levar pelo amigo ou pela consciência de que o abandonou um dia e não poderia fazê-lo novamente… Anita e sua carreira brilhante pós Princeton e a tristeza e vazio por não ter seguido seu sonho, apenas dando retorno ao investimento paterno.

No entanto, antes de o asteroide colidir com a Terra ou não, suas vidas colidiram.

Na iminência do fim, questões ligadas à rotina… Para quê continuar? Por que permanecer? O que temer? Quando a policia tentar “proteger e servir”, na realidade podando o direito de ir e vir, haverá uma revolução pelos últimos dias de liberdade? Fugir? Lutar no fim ou vadiar até que este realmente chegue?

Amigos, família, uma última chance… Criar um blog e expor intransigências e realidades, o comportamento humano?

Um grupo de discussão escolar, filosófico?

– Epicuro diria que sofrer por antecipação é que é idiotice. Por que passar a vida preocupado com uma coisa que ainda não aconteceu?

p.101

Peter vai atrás da irmã, que namora o amigo do Andy, tenta fazer algo diferente, ajudar em projeto… Eliza observa, registra, divulga (Apocalipse Já)… Andy e os amigos se entorpecem, mas ele se difere… Anita toma coragem, foge de casa, vai atrás do seu sonho – junta-se ao Andy: A Festa do Fim do Mundo.

Karass (pessoas ligadas de maneira cosmicamente significativa…, p.133), palavra retirada de um livro lido no colégio, usada pelo Andy referindo-se a eles…

Somos karass?… Estamos ligados?… E você, o que faria?!?

Um abraço,
Carolina.


FICHA TÉCNICA

Título: Até o fim do mundo

Autor: Tommy Wallach

Editora: Verus Editora

Páginas: 322

Ano: 2016

Adicionar: Skoob

Comprar: Amazon

5 comentários em “Resenha: Até o fim do mundo, de Tommy Wallach”

    1. Lembrei inicialmente da música do Lenini…
      Mais que o incidente em si, o convívio, os mundos pessoais e conjuntos, “colididos”. Após as primeiras páginas, quando conhecemos eles nos capítulos alternados, o interesse vai sendo desperto… ou não. 😉 :*

      Curtir

Gostou? Não gostou? Deixe seu comentário, vamos ficar muito felizes em respondê-lo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s