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Adam Silvera: o autor-cebola

Ai, ai, ai… o que falar sobre esse cara? Bem, para começo de conversa, você só precisa de uma coisa básica quando for ler os livros dele: lenços de papel para enxugar as lágrimas descontroladas que vão rolar pelo seu rosto, capazes de arruinar até a maquiagem da Drag Queen mais fabulosa do Reino da Noite.

Hipérboles à parte, eu considero o Adam Silvera um autor-cebola justamente pela capacidade que ele tem de fazer o leitor chorar, assim do nada, sem nem fazer muito esforço. Não sei ao certo se é proposital, quer dizer, acho difícil imaginá-lo, quando começa a escrever um livro, dizendo a si mesmo o seguinte: “Okay, como posso enfiar um punhal no coração dos leitores nessa cena?”. Penso que a parte da emoção seja uma característica natural de autor, da qual ele faz uso sempre que conveniente para tornar sua história marcante.

authorsunlimited.org
Fonte: authorsunlimited.org

 

Toda vez que um autor consegue atravessar minha carapaça e entrar para o rol dos meus favoritos, eu tiro um tempo para pensar no que mais pesou para que eu gostasse dele. Talvez eu faça isso por causa dessa minha irritante aspiração a escritor, ou talvez eu faça isso porque gosto de ir até as vias de fato quando algo me impacta. O caso é que o Adam Silvera é um caso delicado para mim, uma vez que ele lida com temas muito comuns, mas jamais fáceis de escrever sobre, como é o caso do preconceito, da violência, do amadurecimento, da perda, da solidão, do coração partido, dentre tantos outros.

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Segundo o site do autor, Adam Silvera nasceu e cresceu no Bronx, que é uma localidade bastante conhecida de Nova York. Ele já trabalhou na indústria de publicação, especialmente lidando com livros infantis e infanto-juvenis. Até agora, ele tem três livros publicados: Lembra Aquela Vez (More Happy Than Not, 2015), História É Tudo Que Me Deixou (History Is All You Left Me, 2017), e They Both Die at the End (2017, ainda sem título em português). Ele é alto por nenhuma razão especial e vive na cidade de Nova York.

Meu primeiro contato com o trabalho dele foi em 2015 exatamente com o More Happy Than Not, porque fiquei sabendo na época que a premissa da história era similar à premissa do Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), que é um dos meus filmes favoritos, e o único passável com o Jim Carrey encarando o gênero drama. Então resolvi dar uma chance ao livro e, uau, eu definitivamente NÃO ESTAVA PREPARADO para o que li, sério, o baque foi tão forte que até hoje eu ainda sinto a dor dentro do meu coração. Eu só vim experimentar uma sensação parecida em se tratando de um livro quando li, no ano passado, o final de Half Lost, da Trilogia Half Bad [Tashiro adorou, cof cof].

Daí, no comecinho desse mês, resolvi dar cabo da leitura de They Both Die at the End, mas vocês já podem imaginar o nível da minha apreensão, não é mesmo? Quer dizer, o título deixa tudo muito claro: ambos os protagonistas vão morrer no final do livro e não há nada que você possa fazer para impedir. Ponto final! Dessa vez, eu chorei menos, mas devo isto ao fato de que estava realmente preparado para o que viria na história. Muito embora tenha havido, sim, uma boa quantidade de lágrimas durante a leitura.

Ainda não li o History Is All You Left Me (pretendo corrigir isto agora em março), mas consigo tirar algumas coisas muito boas dos dois outros livros. Por exemplo: existe sempre uma ambientação na qual se observa a presença de gangues, e elas são em sua maioria compostas por amigos de infância que cresceram juntos em bairros da periferia, o que demonstra muito a realidade de quem foi adolescente/jovem no Bronx nas últimas décadas; outra coisa que reparei com facilidade foi a alusão à morte de uma maneira positiva, quer dizer, não sei se o Adam Silvera tem de fato algum parentesco latino como sugere seu sobrenome, mas penso que ele encara o luto de uma forma muito similar à maneira do mexicanos, e isso, apesar de deixar tudo mais sombrio para o nível do eu-sou-brasileiro-não-desisto-nunca, foi um dos elementos que mais me encantou nas alegorias do autor.

No que diz respeito à escrita, ele é um autor muito fluido, ou seja, a dinâmica na contação das histórias permite uma leitura rápida e fácil, sem apresentar muitas dificuldades (você inclusive nem precisa estar com o inglês afiado caso queira ler as obras no original). Acho que essa característica de narrativa — simples, crua e às vezes sarcástica — é algo que se aplica a muitos autores YA dessa geração, o que facilita o consumo da literatura por parte do público para o qual os livros são destinados, mas, no fim das contas, não mostra muito uma voz própria para cada autor.

Para finalizar, informo a quem possa interessar que o Adam Silvera co-escreveu um livro com a Becky Albertalli, autora de Simon vs. A Agenda Homo sapiens (leia minha resenha aqui), e o lançamento está programado para outubro deste ano em inglês. Quando chegará ao Brasil, só o tempo dirá. Amém.

Enfim, isso é tudo por hoje. Espero que tenham gostado desse mini-texto sobre um autor que não é cebola, mas vai te fazer chorar com certeza.

A deus.
Vlaxio.

11 comentários em “Adam Silvera: o autor-cebola”

  1. Eu já ouvi falar desse autor no Booktube e as obras dele, só pela sinopse, já dá pra ver que são bastante originais! Eu o chamo de Silveira mesmo, como se fala no bom português… nada de Silveiruah! Eu hein.

    E eu necessito de livros que me façam desmanchar em lágrimas, afinal, amo sentir as desgraças dos livros para simplesmente esquecer as da minha vida.. *coração*

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  2. Já chorei muito lendo livros, mesmo pq me sinto dentro da história daí já viu. Não curto morte de protagonistas e por isso tenho um sério problema com o Nicholas Sparks queama fazer nosso coraçãozinho sofrer. Mas vou confessar q seu post me deixou bastante curiosa sobre esse autor.

    Curtido por 2 pessoas

  3. Eu amo MHTN, ainda não li o TBDATE, e enquanto estava lendo HIAYLM eu só queria morrer tanto de tristeza quanto de ódio do Theo. Sinceramente. Ô livro pesado. Gostei dele, mas foi um gostar quase obrigado. A história valeu mesmo a pena, mas alguns acontecimentos… ARGH. Foi quase 5 estrelas. Espero gostar de TBDATE. Amém.
    P.S.: tenho um crush enorme no Adam. Um homão daquele tamanho…

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    1. O que mais pesou no fato de eu ter ficado muito triste depois de MHTN é que eu realmente não estava preparado. Pensava que era mais um YA do nível de Openly Straight, mas daí quando as coisas começaram a se encaixar na história, eu fui ficando WTF? NOOOOOOOO… Fiquei deprê por um tempo e até hoje tenho memórias emotivas do livro.
      P.S.: também tenho crush no Adam, até porque ele é dono de uma mente perturbada do jeito que eu gosto…

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