Resenhas

Resenha: Versos Livres, como nós, de Kinaya Black

E aí, leitores, tudo bem?

Me chamo Elânny, sou estudante de Jornalismo, tenho 20 anos e pra quem interesse sou do signo de áries. Nesse universo literário posso dizer que tenho afeição por livros de mistério. Sabe aqueles livros que você lê até no ônibus lotado só para saber o final? É, esses são os meus favoritos. Mas, para a minha primeira resenha no blog, escolhi um livro que define parte dos meus ideais. Sem mais delongas, vamos à resenha do dia em parceria com a Editora Letramento: Versos livres, como nós.

Por algum tempo havia esquecido o pensamento de ser uma mulher negra. Quando pequena, minha mãe sempre me enriquecia com palavras do tipo “você é linda e inteligente”, mas eu não me reconhecia dessa forma, talvez pela falta de representatividade que me causava estranheza. Não demorou para eu descobrir o porquê em alguns momentos o tratamento desigual, e aos 16 anos comecei a conhecer a realidade do que é ter uma pele escura e cabelo afro, e a enxergar o que desde criança me falavam para não dar importância.

Versos livres, como nós

Versos livros, como nós é uma obra que trata justamente sobre a vivência de uma mulher negra. Diria que antes de você ler é necessário se vestir com uma capa de empatia e sensibilidade. Apesar da escrita delicada, cada poema transmite uma sensação diferente, onde o leitor é convidado a conhecer características e partes da autora, que são baseadas em traumas, histórias, estereótipos e relações amorosas.

Escrito por Kinaya Black, pseudônimo de Gisele Souza Santos, a coletânea de poemas é dividida em três capítulos que têm em comum as memórias baseadas no passado. O primeiro contando sobre como a vivência e a resistência apesar de anos, o segundo com versos em busca do reconhecimento e construção de uma identidade, o terceiro e último, baseado nas tentativas de um vínculo amoroso, diante da sexualização do corpo negro e nos padrões impostos.

Para quem quer sentir um gosto das poesias de Kinaya, escolhi uma das minhas favoritas:

Escuto vozes

Todos os dias

Dos meus

Que pularam dos navios

Que fugiram das fazendas

Que correram da polícia

Tentando sobreviver

Da extinção preta.

Sendo o meu primeiro contato com poemas afro-centrados, posso dizer que me envolvi em cada pedaço da escrita, como se compartilhasse da mesma história, as vivências da negritude feminina, na maior parte da vida são iguais. Com uma linguagem simples, a leitura de “Versos livres, como nós” é essencial e cativante, o tipo de livro que acabo lendo em dois dias, pelo peso reflexivo e sentimental que é exibido. Faço a recomendação para qualquer pessoa, mas principalmente para jovens negras, que ainda estão em processo de conhecimento.

E um até logo ❤


FICHA TÉCNICA

Título: Versos livres, como nós

Autor: Kinaya Black

Editora: Letramento

Páginas: 95

Ano: 2019

Adicionar: Skoob

Comprar: Amazon

9 comentários em “Resenha: Versos Livres, como nós, de Kinaya Black”

  1. Primeiramente: Seja bem vinda Elânny!
    Em segundo lugar: adoro gente de áries (sou escorpiana).]
    Em terceiro, mas não menos importante: Você curte Agatha Christie, Harlan Coben, essa galerinha que só nos deixa dormir quando o livro acaba?
    Conheci “Versos livros, como nós” faz pouco tempo, foi por acaso, comecei a seguir a autora no Instagram e fiquei sabendo do livro.
    A poesia contemporânea tem sido um grito de resistência extremamente necessário, podemos ver isso em livros como os da Rupi Kaur , da Angélica Freitas…
    Recentemente comecei o processo de transição capilar, e pude perceber como as questões de aceitação ligadas ao nosso próprio corpo são tão importantes, se fala tanto nisso, mas quando é o seu corpo no centro é algo totalmente diferente. Quando você começa a ampliar seus horizontes, percebe que a opressão as mulheres, a opressão as mulheres negras se manifestam nos detalhes. Produções nesse estilo são importantes, principalmente para as jovens que precisam lutar, precisam aceitar-se em uma sociedade que procura a todos os momentos nos colocar em padrões.

    Recomendo a leitura do poema “Da minha consciência ancestral”, da Aline Djokic e dos poemas da Ryane Leão.

    Ah! Parabén pela resenha!

    Abraços!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Olá Samanta, tudo bem ? Obrigada pelas boas vindas, meu signo é de áries mas meu ascendente é em peixes (dizem as boas línguas que sou amorzinho, e que meu signo e o seu se dão bem). Então, minha autora favorita é a musa Agatha Christie, como não gostar das obras dessa mulher ? Ainda não cheguei a ler Harlan Coben, mas pode deixar que vou dar uma conferida. Fico feliz em saber que vc está em processo de transição capilar, é difícil, mas pode ter certeza que é algo que irá te mudar de dentro para fora. Realmente tem se falado muito sobre aceitação, e nós mulheres negras somos um dos principais alvos, em quesitos além do cabelo. E é importante lembrarmos que estamos juntas nesse processo, ❤

      Obrigada pelas sugestões, Samanta. E continue forte na transição capilar. ❤

      Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Muito bem vinda a esse blog que amo de paixão, me arrepiei toda com essa resenha. Infelizmente a desigualdade continua estampada na nossa cara mas é sempre bom encontrarmos algo do qual possamos nos orgulhar e esse livro parece fazer isso.
    No aguardo de suas novas postagens.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Joyce, tudo tranquilo ? Obrigada pelas boas vindas, fico muito feliz em saber que deixei alguém arrepiada logo na primeira resenha, hahaha. Realmente, ainda que parte da sociedade feche os olhos para as maldades do mundo, ela continua ali, e infelizmente o racismo continua. Apesar disso, podemos contar com pessoas iguais a você, que apoiam e acreditam na nossa luta contra a desigualdade. Valeu Joyce ❤

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  3. Descobri essa resenha por acaso e fiquei muuuuito feliz com suas palavras! Ainda é uma sensação que está se internalizando no meu ser, ler sobre o que escrevo. Muito obrigada por suas palavras! Me inspiram mais!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Aaaah, eu é que agradeço. Suas palavras servem de inspiração para muitas de nós, para o autoconhecimento e representatividade. Que sua poesia continue a tocar as pessoas. Parabéns pelo livro, Kinaya ❤

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    2. Seja bem vinda Elanny! Espero ver mais resenhas suas por aqui.
      É impressionante como o mundo se atualiza, moderniza, e ainda é necessário curtir questões como racismo, é como se o mundo evoluísse e ao mesmo tempo não, achei muito bonita a poesia que você escolheu .

      Curtido por 1 pessoa

      1. Muito obrigada, Aline.
        Precisamos sempre relembrar sobre assuntos que envolvam negritude perante a sociedade, é de grande importante. Ah, e pode deixar que irei aparecer por aqui novamente ❤

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