Livros, Resenhas

#MLI2015 – Atualização Semanal #01 + Dias de Sangue e Estrelas, de Laini Taylor

#MLI2015 Semana #01

Olá!

Esse post era para ser um simples update da Maratona Literária de Inverno 2015, uma prestação de contas, por assim dizer. Contudo, eu tenho que acrescentar uma mini resenha da minha ultima leitura da primeira semana de maratona. Dias de Sangue e Estrelas é o segundo volume da trilogia Feita de Fumaça e Osso, escrita por Laini Taylor. Eu li o primeiro livro para o evento de Trilogias da Editora Intrínseca, organizado pelo Rômulo Neto, que rolou aqui em Manaus em maio. Feita de Fumaça e Osso ganhou resenha do Kem no blog, você pode conferir aqui!

Ficha Técnica

Título: Dias de Sangue e Estrelas (Trilogia Feita de Fumaça e Osso #02)

Autor: Laini Taylor

Editora: Intrínseca

Páginas: 447

Ano: 2013

Sinopse:

“Dias de Sangue e Estrelas – Karou, uma estudante de artes plásticas e aprendiz de um monstro, por fim encontrou as respostas que sempre buscou. Agora ela sabe quem é – e o que é. Mas, com isso, também descobriu algo que, se fosse possível, ela faria de tudo para mudar: tempos atrás Karou se apaixonou pelo inimigo, que a traiu, e por sua culpa o mundo inteiro foi punido.

Na deslumbrante sequência de Feita de fumaça e osso, ela terá que decidir até onde está disposta a ir para vingar seu povo. Dias de sangue e estrelas mostra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra ancestral. Enquanto os quimeras, com a ajuda da garota de cabelo azul, criam um exército de monstros em uma terra distante e desértica, Akiva trava outro tipo de batalha: uma batalha por redenção… por esperança.

Mas restará alguma esperança no mundo destruído pelos dois?”

Este livro me deixou frustrada! Nesse segundo volume, Akiva e Karou estão mais do que de lados opostos da guerra milenar entre os Serafins e os Quimeras. Não me diga que a ignorância auto imposta não é uma perda de senso moral, pois é. Enquanto um perde, o outro ganha, no caso o Akiva que encontra alguma humanidade e senso de dever com as quimeras e ainda consegue aos poucos convencer os próprios irmãos que o massacre de uma raça não é a resposta certa. Esse livro tem pouca ação, nada de romance e um toque de crueldade. Além de uma reviravolta surpreendente na guerra, talvez aquela esperança de harmonia entre as duas raças possa ser possível – ou não.

“Não foi você que nos condenou. Foram milhares de anos de ódio.”

—XXX, p.304

Não posso discordar que o livro é bem escrito e que há um grande amadurecimento da escritora, mas eu teria cortado muitas coisas na revisão final que são consideravelmente desnecessárias. O início foi extremamente parado, teve um ar de fato impossível para fazer um suspense que eu achei bem clichê. É claro que houve cenas de tirar o fôlego, bastante sangue e um pouco de filosofia para manter o leitor mais ou menos satisfeito, entretanto essa degustação veio nas últimas 150 páginas. Nem preciso dizer que o primeiro volume é meu favorito até agora e só por ele que eu irei terminar a trilogia, e o fato de precisar ler uma trilogia para o 2015 Reading Challenge.

RESUMO DA SEMANA #01

Livros:

1. Half Bad, de Sally Green *resenhado

2. Half Lies, de Sally Green *resenhado

3. Selva de Gafanhotos, de Andrew Smith *resenhado

4. Dias de Sangue e Estrelas, de Laini Taylor

Total de páginas: 1.160

Boa sorte a todos os maratonistas! Vamos desviar do flop 😉

Beijos,

May

Desafios e Metas 2015, Livros, Resenhas

#MLI2015 – Selva de Gafanhotos, de Andrew Smith

Selva de gafanhotos banner resenha

Olá,
Selva de Gafanhotos foi um dos livros que ganhou destaque durante a 4ª Turnê da Editora Intrínseca, que aconteceu em abril. Vamos dizer que quando alguém diz que um livro vai falar sem preâmbulos de sexo, cigarros, deuses gays adolescentes e gafanhotos gigantes alinhados à história do fim do mundo, você fica louco pra ler. Eu fiquei.

Essa é a verdade.

Seguindo a temática da primeira semana da #MLI2015, eu encaixei Selva de Gafanhotos para leitura como ficção cientifica. Devo confessar que fiquei um pouco indecisa sobre a categoria do livro, já que o mesmo é narrado por um garoto de dezesseis anos passando por uma fase. Eu me perguntei se não poderia ser um YA, mas como classificar um livro que tem de tudo um pouco?! No fim, eu decidi que não é nem um nem outro, mas os dois e um pouco mais. Ouvi dizer que é um tal de Weird Fiction (saiba mais no link), um subgênero da Fantasia que une ficção científica a elementos bizarros.

“O fim do mundo já tinha quase uma semana.

O fim do mundo já tinha começado havia quase uma semana e só três pessoas em Ealing sabiam sobre ele: eu, Robby Brees e Shann Colins.”

— Austin Szerba, p. 228

Selva de Gafanhotos é, em suma, a História do fim do mundo contada pela perspectiva de Austin Szerba, um adolescente de dezesseis anos em crise com sua orientação sexual e com uma super predisposição para registrar a História. Austin não ocultará nada dos nossos pobres olhos, ele é muito bom em contar as coisas como elas realmente aconteceram sem descartar nada. Nada mesmo. Tipo o fato de que ele andou fazendo experiências com seu melhor amigo, Robby Brees, ou que ele é louco para transar com sua namorada, Shann Collins. Ele também irá nos afogar em fatos que, aparentemente, são sem nexo com a História principal a ser contada. Eu realmente gosto de como ele traça a história de seus antepassados e dos outros personagens e nos mostra que tudo é um emaranhado de conexões, que tudo está interligado, que o passado está ligado ao presente, o futuro ao passado, todos convergindo várias e várias vezes.

“Todas as estradas não param de se cruzar na ponta de minha caneta.”

— Austin Szerba, p. 329

Austin é um personagem que eu quis estrangular, ele está passando por um momento crítico e está tão confuso que faz você se sentir confuso. Ao mesmo tempo, eu não pude parar de me sentir um pouco Austin. Somos egoístas, temos dúvidas e magoamos a quem amamos continuamente. Acho que o livro era para ser engraçado, de certa forma até foi, mas eu o usei como algo para reflexão. Os gafanhotos gigantes que só comem e fodem são um artifício como muitos outros no livro que descascados tornam a estória bem profunda, esse livro precisa de leitores que possam descascá-lo ou ele se tornará um conjunto de palavras esdrúxulas a serem evitadas.

“Eu me perguntei se um dia eu deixaria de sentir tesão, ou ficar confuso sobre meu tesão, ou confuso sobre por que eu sentia tesão por coisas que não deveriam me dar tesão.”

— Austin Szerba, p. 24

Andrew Smith construiu uma história do fim do mundo bem bizarra, cheia de momentos engraçados e citações inesquecíveis. Nunca mais poderei ouvir “Essa é a verdade.” sem lembrar do Austin, assim como “Não foi uma boa ideia.” sem pensar que alguém fez uma ação pequena que resultou na própria morte. Eu adorei a narração, o modo como Austin era repetitivo ao contar cada história ou acontecimento ou fatos ligados aos personagens, como ele tirava da cartola mágica que é sua sua memória uma história de alguém para ligá-la a uma sensação ou um hábito. Até o fato de que as coisas mais estranhas e simples lhe darem tesão ou ainda a obsessão por um ménage à trois com seu amigo e sua namorada. Depois do sucesso que foi esse livro pra mim, pretendo ler Minha metade silenciosa do mesmo autor.


Ficha Técnica:

Título: Selva de Gafanhotos

Autor: Andrew Smith

Editora: Intrínseca

Páginas: 350

Ano: 2015

Sinopse:

“Previsão: Selva de Gafanhotos vai ser um sucesso estrondoso. Você nunca leu nada igual.”

John Green

Na pequena cidade de Ealing, Iowa, Austin e seu melhor amigo, Robby, libertam acidentalmente um exército incontrolável. São louva-a-deus de um metro e oitenta de altura, completamente tarados e famintos.

Essa é a verdade. Essa é a história. É o fim do mundo e ninguém sabe o que fazer.

Com todos os elementos obrigatórios de um romance apocalíptico, Selva de Gafanhotos mistura insetos gigantes, um cientista louco, um fabuloso bunker subterrâneo, um mal resolvido triângulo amoroso-sexual, muita, muita confusão, e está longe de tratar apenas do fim do mundo.

Engraçado, intenso e complexo, o livro fala de um jeito inovador de adolescência, relacionamentos, amizade e, claro, de temas um tanto mais inusitados, como testículos dissolvidos e milho modificado geneticamente. Um romance surpreendente sobre a odisseia hormonal, amorosa e intelectual que é essa fase da vida.


E assim foi meu dia. Você sabe o que quero dizer.

May