Resenhas

Romance entre rendas, de Loretta Chase

Olá, leitores!

Para iniciar esta resenha precisamos saber alguns fatos:

  1. Romance entre rendas é o último livro da série As modistas;
  2. Eu tinha excelentes expectativas para essa série… foi um pouco decepcionante;
  3. Eu não tinha boas expectativas para esse último livro;
  4. Romance entre rendas é o meu livro favorito dessa série.

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Lançamentos

Saindo do forno: lançamentos de junho

Olá, leitores!

Vocês estão acostumados a cada mês eu falar de alguns lançamentos, aqueles que me chamaram atenção, da Editora Arqueiro. Este mês, especialmente, irei ressaltar dois lançamentos incríveis que estarão sendo publicados por outros dois selos do mesmo grupo editorial da qual a nossa parceira faz parte. Questão de utilidade pública, que afetam drasticamente nossa infância e, o outro, acerca do nosso entendimento com Deus pelo ponto de vista do cara (que é o cara) do assunto nos romances ficcionais.  Continue lendo “Saindo do forno: lançamentos de junho”

Livros, Resenhas

|RESENHA|Escândalo de cetim, de Loretta Chase

SAMSUNG CSC

Olá,

Tem jeito melhor de terminar o ano, para nós leitores, do que com um bom livro? Eu acho que não, já até selecionei um livro para a virada de ano. Na verdade, eu tinha separado Escândalo de cetim, mas Loretta é Loretta, e foi impossível esperar. Além de Loretta Chase ser a minha autora favorita de Romances de Época, no primeiro livro da série As modistas, Sedução da seda, foram-nos apresentadas as três anti-convencionais irmãs Noirot, que vêm de uma longa linhagem de vigaristas, e são proprietárias de um refinado ateliê em Londres, a Maison Noirot. Elas têm um objetivo muito ambicioso, vestir as damas da nobreza e, assim, tornar a Maison Noirot um referencial da moda. E farão o que preciso for para isso, desde usar suas aptidões de manipulação e espionagem até… Bem, os Noirot poucas vezes conhecem um limite.

CONTÉM SPOILERS DE SEDUÇÃO DA SEDA

Em Escândalo de cetim, segundo volume da série As modistas, Sophia Noirot mostra que há pouco que elas não farão para alcançar seus objetivos. Após a irmã mais velha de Sophia, Marcelline, casar com o duque de Clevedon — não bastando toda a repercussão do casamento de um nobre com uma lojista —, a mãe de sua cliente mais importante e quase futura noiva por anos do referido duque começa a fazer propaganda negativa da loja entre as damas. Não bastasse isso, a tal cliente importante (e amiga) — Clara Fairfax — se envolve em um escândalo com um barão que não tem onde cair duro em frente de toda a alta sociedade londrina. E, para piorar, a Trapos (loja concorrente) volta a abrir as portas, apesar dos esforços das irmãs Noirot. Sophia é a mais indicada para resolver essa situação, pois ela não só desenha os chapéus mais elegantes como também tem um dom para planos infalíveis, espionagem, escrita extremamente elaborada e disfarces.

Conde Logmore, irmão de Clara, precisa de ajuda urgente para salvar a reputação de sua irmã e evitar que ela se case por causa de uma lapso momentâneo com um homem que claramente a seduziu e a expôs de propósito por seu dote. Ele não acredita muito que Sophia possa ajudar de alguma forma, mas se tem alguém que pode resolver isso é ela, e a mesma se oferece prontamente para dar um jeito na coisa toda. Parece até que ele é sensato ao pensar nisso, mas não se enganem, Longmore é um troglodita, sem modos, não muito inteligente, insensível, pouco sutil, sedutor, charmoso, alto, porte atlético, moreno, bonito e sensual. Além de conseguir ajuda para a irmã, Longmore vai poder passar mais tempo com a misteriosa e cativante Srta. Noirot como seu ajudante em um grande e desafiante plano, algumas pequenas trapaças e excursões de espionagem, e talvez, com sorte, ele consiga seduzi-la. Isso tudo em meio a muitas brigas, desavenças, divergências de opinião e até alguns socos.

Longmore é do tipo muito músculo e pouco cérebro, o que o faz fugir de ser um completo clichê é com certeza seu humor. Ele não ri de coisas bobas ou faz piadas sem noção, mas sabe apreciar com requinte as peripécias no caminho. Bom para ele ter encontrado uma mulher que é seu oposto, e maquiavelicamente perspicaz. Sophia também se deu muito bem nessa história; um homem como Longmore, que está sempre disponível a participar de suas empreitadas e ainda apreciá-las com tanta alegria, é difícil de encontrar. Mas o felizes para sempre deles vai ser um pouco difícil, parece até impossível. Se ela aceitar suas investidas, é muito provável que a Maison Noirot vá à falência, a mãe de Longmore muito provavelmente nunca iria aceitá-la e só parece improvável demais para os dois. Eles vão precisar de muito mais que essa química incrível que eles sentem um pelo outro; vão precisar de praticamente um milagre.

A trajetória pode ser difícil — você pode até chorar e sofrer —, mas vai dar tudo certo e você estará com um sorriso sonhador no final, porque isso é um Romance de Época. Contudo, como eu disse, Loretta é Loretta, você vai se apaixonar por esses personagens, gargalhar bastante, torcer a todos os momentos pela Sophia e o Longmore, e tentar imaginar cada detalhe de cada vestido e chapéu — o que é preciso de uma mente extremamente criativa. Loretta Chase cria personagens cativantes, que ultrapassam as convenções e que nos levam a repensar vários conceitos. Longmore tem aquele traço comum dos heróis de Loretta Chase; ele distribui comentários machistas e pensamentos retrógrados — que eram (e ainda são para alguns) uma noção comum em relação às mulheres —, contudo, Sophia sempre o faz reconsiderar com respostas insolentes e ações impensáveis. Ainda, sua história é inteligente e seus diálogos são brilhantes e divertidos, o enredo flui e leva o leitor em um ritmo extraordinário. E, sem dúvida, Loretta Chase é mestre em tramar uma história de amor a ser gravada para sempre em nossas memórias.

CITAÇÕES

” – […] É fácil reconhecer o trabalho dela no Spectacle. Um enorme fluxo de palavras sobre fitas, laços, rendas e pregas aqui e franzidos acolá. Nenhum fio de linha deixa de ser mencionado.

Ela também percebe gestos e aparências – acrescentou Clevedon. – Ninguém conta uma história como ela. 

– Sem a menor sobra de dúvida – concordou Longmore. – Uma jovem cheia de adjetivos e advérbios.”

Longmore e Clevedon sobre Sophia, p. 18

” – Ela tem centenas de nomes, isso depende da conveniência. Não tente aprender todos eles. Só vai lhe dar dor de cabeça.”

Longmore sobre Sophia para Fenwick, p. 77

” –Truques fazem parte do seu departamento, Srta. Noirot. O meu é distribuir socos. Mas fico lisonjeado pela senhorita imaginar que sou esperto o bastante para enganá-la.”

Longmore, p. 79

” – Isso é algo que eu jamais faço. E é preocupante… Talvez tenhamos feito uma daquelas coisas pequenas e cor-de-rosa que se movimentam muito e urram a noite inteira.

– Um bebê?”

Longmore e Sophia, p. 179

” – O truque é acreditar enquanto você finge, mas voltar a ser você mesmo assim que sai do palco.”

Sophia, p.228

E o fim, esse fim é perfeito! 

LEIA TAMBÉM


escandalos_de_cetim_1476478893619993sk1476478893bTítulo: Escândalo de cetim (As modistas; 2)

Autor (a): Loretta Chase

Editora: Arqueiro

Edição: 1 ed.

Ano: 2016

Páginas: 272

Skoob: Adicione!

Compre: Amazon


Beijos, May.

Eventos, Lançamentos, Livros, Resenhas

|RESENHA| O príncipe dos canalhas, de Loretta Chase

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Caros leitores¹,

Gostaria de informá-los que esta resenha segue o padrão de nossa querida protagonista, Jessica “Jess” Trent, e está recheado de impropérios, segundo Dain “lorde Belzebu”, contra o intelecto masculino. Senhores, não se sintam ofendidos. Não mais do que sua pobre lógica possa elucidar…

Com carinho,

Lady Tashiro

_______________

¹ É interessante que ao indicar esta nota, também nós mulheres devemos subjugar-nos a um substantivo masculino para generalização, isso somente comprova que esta regra foi lamentavelmente criada por um homem com problemas de ego.


Não pense que esta é uma estória comum, uma estória onde os cavalheiros se assemelham a príncipes e as senhoritas são damas recatadas, à espera da oportunidade de preencher seus cartões de dança. Nem que há uma sincronia perfeita entre o casal protagonista e que seu felizes para sempre acontece no momento em que dizem “eu aceito” na igreja. Sinceramente, que graça há nisso? Cadê a emoção? O sangue, o suor e as lágrimas? E, principalmente, a diversão?

Em maio de 1795, nasceu Sebastian Ballister, marquês de Dain, filho de um nobre com uns oito nomes e de mãe italiana. Sebastian era visivelmente parecido com a linhagem de sua mãe – a única prova de que era mesmo filho de seu pai é um sinal de nascença em uma das nádegas –, mas seu pai pode jurar que o menino é a cria do diabo. Além das feições italianas, Sebastian também herdara o temperamento explosivo. Sempre fora rejeitado por seu pai, e até os oito anos recebera o pouco carinho de sua mãe como se fossem presentes de Natal. Além do fato de que sua aparência lhe rendera muita humilhação quando passou a estudar; comparações e apelidos que o seguiram até a vida adulta.

“Ele se levantou e tocou a sineta, e um dos lacaios levou o garoto dali. Mesmo com a porta do escritório fechada, mesmo quando descia rapidamente as escadas, os gritos na cabeça de Sebastian não paravam. Ele tentou tampar os ouvidos, mas a gritaria continuou, e tudo o que conseguiu fazer foi abrir a boca e soltar um berro longo e terrível.”

— Sebastian “Dain” Ballister

Bem, você achou que ele seria um ser reprimido? Okay, vamos dizer que ele tem um pequeno problema que eu apelidei d’A Síndrome do Patinho Feio. Porém, Sebastian de modo algum aparenta ser um homem fraco. Ele crescera e aprendera a conviver com a repulsa das pessoas, a lidar com o fato de que possui a aparência do demônio em pessoa: alto demais, ombros largos demais, pele com um tom escuro e um nariz grande (que por tudo ser grande deve se encaixar perfeitamente na minha concepção). Sem poder contar com o pai, ele aprendera cedo a lidar com os negócios e fazer seu dinheiro se multiplicar. Também aprendera como ganhar jogos de azar, contratar prostitutas, beber até cair e a participar de festas escandalosas com seus amigos. E ele adora sua vida depravada e quer continuar assim, mas um dia ele conhece uma mulher que pode fazê-lo ajoelhar e implorar…

“Aquela criatura linda e louca – ou cega e surda – anunciara isso com a mesma frieza com a qual alguém pedia para passar o saleiro, e sem perceber que o eixo da Terra havia acabado de virar de cabeça para baixo.”

— Dain

Jessica Trent é uma mulher inteligente, bonita e divertida, além de uma excelente atiradora. Mesmo aos 27 anos e ainda solteira, poucos a chamariam de solteirona. Pretendentes não lhe faltam, mas para os padrões de Jess não há nenhum que se encaixe. Jess é uma mulher muito à frente de seu tempo, compreensiva – até demais – que os homens realmente necessitam de álcool e prostitutas, do mesmo modo que os animais devem caçar para comer. Não há tabus, peças de arte indecorosas e nem propostas que possam lhe causar rubor. Não o rubor da timidez, mas há um homem que pode aquecer a face de Jess com a raiva. Principalmente, quando esse homem está acabando com a vida do paspalho do irmão dela com sua má influência. E este homem, lorde Dain, não poderia ser baixo e gordo, tinha que ser um deus romano em carne e osso.

“— Você não devia usar esse charme masculino – disse ela, com a voz sufocada. E tocou na manga da camisa dele. — O que eu fiz de tão imperdoável?”

— Jessica “Jess” Trent

É óbvio que assim que eles se conhecem há uma química entre ambos, mesmo com a língua afiada de Jess. Enfeitiçado por sua beleza e inteligência, Sebastian se vê criando situações para poder vê-la. E, como uma bala, aquele fascínio se torna obsessão de ambos os lados começando um jogo de vingança entre os dois que os levará para a única coisa que nenhum deles quer: o casamento e a perda de suas independências. Os insultos de Jess se tornam uma grande chave para o nosso divertimento na estória, assim como Sebastian acrescenta drama com suas inseguranças. O enredo se desenvolve em cima desse casal que vive uma guerra de amor e ódio, insultos, incertezas e cenas avassaladoras. Mas o que fazer quando ambos têm personalidades tão fortes? Quem terá de se curvar? Jess dará a obediência cega que as mulheres devem proporcionar aos seus maridos ou Dain entenderá que a lógica feminina é imbatível?

“(…) Mas você não me escuta! Porque, como todo homem, você só consegue pensar uma coisa de cada vez. E ainda pensa errado.”

— Jess

Loretta Chase vai romper sua mente, e seu coração, e te mostrar que a perfeição está na imperfeição. Porque só uma mulher louca gostaria de ter como marido o príncipe dos canalhas, além de um macho alfa de carteirinha! E só uma mulher inteligente e autoritária poderia fisgar o coração desse verdadeiro cafajeste. E, por fim, o livro foi muito bem escrito, o enredo pode parecer comum, mas não seus personagens, eles dominam esse espetáculo à precisão. Quer apostar comigo que você irá amar?


Aos senhores que se sentiram insultados e querem defender a honra masculina, 

Convido a todos para o Encontro de Romances de Época que acontecerá dia 30 de maio, na Saraiva Manauara Shopping, às 15h.

Atenciosamente,

May.


P.S.:Gostaria de agradecer a editora Arqueiro por ter disponibilizado a prova deste livro. Vocês são demais! O livro lança em maio, meninas!