Resenhas

Paixão ou reputação: Onze leis a cumprir na hora de seduzir, de Sarah MacLean

Olá, leitores!

Chegamos ao fim de mais uma série de Romances de Época da Editora Arqueiro, eu já havia dito que este ano muitas delas se encerrarão e, para o ano que vem, podemos esperar coisas completamente diferentes. Damos adeus hoje à trilogia Os número do amor, da querida Sarah MacLean. Peço, gentilmente, que leiam as resenhas de Nove regras a ignorar antes de se apaixonar e Dez formas de fazer um coração se derreter. Para aqueles que têm pressa, tentarei fazer uma panorama geral de onde nosso livro de hoje se encaixa.

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Resenhas

|Especial Quarteto Smythe-Smith| Os mistérios de sir Richard, de Julia Quinn

Queridos leitores,

Chegamos ao último livro do Quarteto Smythe-Smith e a reta final do nosso especial da série, talvez não a última postagem sobre o assunto, já que eu ainda estou elaborando uma postagem sobre a série como um todo e mexendo os pauzinhos para descolar um sorteio para vocês ou algo assim. Se eu irei conseguir ou não, é um mistério tal qual o livro de hoje. Um bom segredo sempre dá um sabor a mais em uma boa estória, vocês não acham? Pois eu adoro a antecipação, criar teorias e, se couber, imaginar várias soluções. Parece até um jogo divertido, mas não é bem assim para os envolvidos. Continue lendo “|Especial Quarteto Smythe-Smith| Os mistérios de sir Richard, de Julia Quinn”

Resenhas

|Especial Quarteto Smythe-Smith| A soma de todos os beijos, de Julia Quinn

Olá, leitores!

Hoje é a vez do Hugh!

Ahhhh… Hugh ❤

Gênio matemático, invencível nas cartas – até Daniel Smythe-Smith vencê-lo bêbado – e segundo filho do marquês de Ramsgate, não que este último seja algo a contar como mérito.

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Eventos

Encontro de Fãs – Romances de Época Arqueiro

Queridos leitores,

Gostaria de lhes fazer um convite imperdível para um evento muito disputado em todas suas três temporadas, de fato, um sucesso e tanto. Ahhhh, ele acontece em todas as capitais do Brasil e mais uma cidade. Vocês não irão querer faltar, afinal, ninguém quer ficar por fora de um escândalo, não é mesmo? Continue lendo “Encontro de Fãs – Romances de Época Arqueiro”

Resenhas

Escândalos na primavera, de Lisa Kleypas

Olá, leitores!

Mais uma série de Romance de Época publicada pela Editora Arqueiro chega ao fim… Bate uma tristeza, né? Lisa Kleypas foi a autora que fez eu me apaixonar pelo gênero, seus personagens, tão longe do comum, me encantaram. Não só libertinos e solteironas percorrem as páginas de seus romances, mas também os sedutores ciganos, os escandalosos homens de negócio, os excêntricos americanos, os detetives de Bow Street e, para não desmerecer lorde Westcliff, os nobres arrogantes. O único alívio para o meu coração é que a editora publicará outras séries da autora, mas qual será a próxima? Isso me deixa aflita! Continue lendo “Escândalos na primavera, de Lisa Kleypas”

TAGS

|TAG| E Os Bridgertons viveram felizes para sempre…

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Queridos leitores,

Com o lançamento de E viveram felizes para sempre, chega ao fim a série Os Bridgertons, da renomada, adorada e amada escritora de Romances de Época, Julia Quinn. Foram 9 livros com muitas personagens marcantes, bailes, vestidos e escândalos. Pode até parecer muito definitivo, e até seria, mas a editora Arqueiro confirmou a publicação de diversas séries da autora, sendo que os quatro livros de Quarteto Smythe-Smith serão publicados de uma só vez em fevereiro e, ainda, a própria Quinn fará turnê no Brasil em março para divulgar os novos livros. Continue lendo “|TAG| E Os Bridgertons viveram felizes para sempre…”

Desafios e Metas 2016, Eventos, Livros

Retrospectiva 2016 + Melhores do Ano

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Primeiramente, FORA TEMER!

Vamos fazer um pacote hoje, não dá para ficar enrolando mais. Vamos deixar 2016 para trás, fazer um resumão das leituras, para assim poder colocar as metas — literárias e não-literárias — para 2017 em vigor. Para isso, irei fazer uma retrospectiva rápida e, por fim, mostrar os livros favoritos de 2016. Preparados? Continue lendo “Retrospectiva 2016 + Melhores do Ano”

Livros, Resenhas

|RESENHA|Escândalo de cetim, de Loretta Chase

SAMSUNG CSC

Olá,

Tem jeito melhor de terminar o ano, para nós leitores, do que com um bom livro? Eu acho que não, já até selecionei um livro para a virada de ano. Na verdade, eu tinha separado Escândalo de cetim, mas Loretta é Loretta, e foi impossível esperar. Além de Loretta Chase ser a minha autora favorita de Romances de Época, no primeiro livro da série As modistas, Sedução da seda, foram-nos apresentadas as três anti-convencionais irmãs Noirot, que vêm de uma longa linhagem de vigaristas, e são proprietárias de um refinado ateliê em Londres, a Maison Noirot. Elas têm um objetivo muito ambicioso, vestir as damas da nobreza e, assim, tornar a Maison Noirot um referencial da moda. E farão o que preciso for para isso, desde usar suas aptidões de manipulação e espionagem até… Bem, os Noirot poucas vezes conhecem um limite.

CONTÉM SPOILERS DE SEDUÇÃO DA SEDA

Em Escândalo de cetim, segundo volume da série As modistas, Sophia Noirot mostra que há pouco que elas não farão para alcançar seus objetivos. Após a irmã mais velha de Sophia, Marcelline, casar com o duque de Clevedon — não bastando toda a repercussão do casamento de um nobre com uma lojista —, a mãe de sua cliente mais importante e quase futura noiva por anos do referido duque começa a fazer propaganda negativa da loja entre as damas. Não bastasse isso, a tal cliente importante (e amiga) — Clara Fairfax — se envolve em um escândalo com um barão que não tem onde cair duro em frente de toda a alta sociedade londrina. E, para piorar, a Trapos (loja concorrente) volta a abrir as portas, apesar dos esforços das irmãs Noirot. Sophia é a mais indicada para resolver essa situação, pois ela não só desenha os chapéus mais elegantes como também tem um dom para planos infalíveis, espionagem, escrita extremamente elaborada e disfarces.

Conde Logmore, irmão de Clara, precisa de ajuda urgente para salvar a reputação de sua irmã e evitar que ela se case por causa de uma lapso momentâneo com um homem que claramente a seduziu e a expôs de propósito por seu dote. Ele não acredita muito que Sophia possa ajudar de alguma forma, mas se tem alguém que pode resolver isso é ela, e a mesma se oferece prontamente para dar um jeito na coisa toda. Parece até que ele é sensato ao pensar nisso, mas não se enganem, Longmore é um troglodita, sem modos, não muito inteligente, insensível, pouco sutil, sedutor, charmoso, alto, porte atlético, moreno, bonito e sensual. Além de conseguir ajuda para a irmã, Longmore vai poder passar mais tempo com a misteriosa e cativante Srta. Noirot como seu ajudante em um grande e desafiante plano, algumas pequenas trapaças e excursões de espionagem, e talvez, com sorte, ele consiga seduzi-la. Isso tudo em meio a muitas brigas, desavenças, divergências de opinião e até alguns socos.

Longmore é do tipo muito músculo e pouco cérebro, o que o faz fugir de ser um completo clichê é com certeza seu humor. Ele não ri de coisas bobas ou faz piadas sem noção, mas sabe apreciar com requinte as peripécias no caminho. Bom para ele ter encontrado uma mulher que é seu oposto, e maquiavelicamente perspicaz. Sophia também se deu muito bem nessa história; um homem como Longmore, que está sempre disponível a participar de suas empreitadas e ainda apreciá-las com tanta alegria, é difícil de encontrar. Mas o felizes para sempre deles vai ser um pouco difícil, parece até impossível. Se ela aceitar suas investidas, é muito provável que a Maison Noirot vá à falência, a mãe de Longmore muito provavelmente nunca iria aceitá-la e só parece improvável demais para os dois. Eles vão precisar de muito mais que essa química incrível que eles sentem um pelo outro; vão precisar de praticamente um milagre.

A trajetória pode ser difícil — você pode até chorar e sofrer —, mas vai dar tudo certo e você estará com um sorriso sonhador no final, porque isso é um Romance de Época. Contudo, como eu disse, Loretta é Loretta, você vai se apaixonar por esses personagens, gargalhar bastante, torcer a todos os momentos pela Sophia e o Longmore, e tentar imaginar cada detalhe de cada vestido e chapéu — o que é preciso de uma mente extremamente criativa. Loretta Chase cria personagens cativantes, que ultrapassam as convenções e que nos levam a repensar vários conceitos. Longmore tem aquele traço comum dos heróis de Loretta Chase; ele distribui comentários machistas e pensamentos retrógrados — que eram (e ainda são para alguns) uma noção comum em relação às mulheres —, contudo, Sophia sempre o faz reconsiderar com respostas insolentes e ações impensáveis. Ainda, sua história é inteligente e seus diálogos são brilhantes e divertidos, o enredo flui e leva o leitor em um ritmo extraordinário. E, sem dúvida, Loretta Chase é mestre em tramar uma história de amor a ser gravada para sempre em nossas memórias.

CITAÇÕES

” – […] É fácil reconhecer o trabalho dela no Spectacle. Um enorme fluxo de palavras sobre fitas, laços, rendas e pregas aqui e franzidos acolá. Nenhum fio de linha deixa de ser mencionado.

Ela também percebe gestos e aparências – acrescentou Clevedon. – Ninguém conta uma história como ela. 

– Sem a menor sobra de dúvida – concordou Longmore. – Uma jovem cheia de adjetivos e advérbios.”

Longmore e Clevedon sobre Sophia, p. 18

” – Ela tem centenas de nomes, isso depende da conveniência. Não tente aprender todos eles. Só vai lhe dar dor de cabeça.”

Longmore sobre Sophia para Fenwick, p. 77

” –Truques fazem parte do seu departamento, Srta. Noirot. O meu é distribuir socos. Mas fico lisonjeado pela senhorita imaginar que sou esperto o bastante para enganá-la.”

Longmore, p. 79

” – Isso é algo que eu jamais faço. E é preocupante… Talvez tenhamos feito uma daquelas coisas pequenas e cor-de-rosa que se movimentam muito e urram a noite inteira.

– Um bebê?”

Longmore e Sophia, p. 179

” – O truque é acreditar enquanto você finge, mas voltar a ser você mesmo assim que sai do palco.”

Sophia, p.228

E o fim, esse fim é perfeito! 

LEIA TAMBÉM


escandalos_de_cetim_1476478893619993sk1476478893bTítulo: Escândalo de cetim (As modistas; 2)

Autor (a): Loretta Chase

Editora: Arqueiro

Edição: 1 ed.

Ano: 2016

Páginas: 272

Skoob: Adicione!

Compre: Amazon


Beijos, May.

Livros, Resenhas

|RESENHA| Dez formas de fazer um coração se derreter, de Sarah MacLean

SAMSUNG CSC

Caros leitores,

Não é a primeira vez que um boletim causa rebuliço na vida pacata de algum aristocrata, decerto devem lembrar da ilustríssima Lady Whistledown (Os Bridgertons). Apesar de as Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown serem um jornal de fofocas muito verossímil, que nunca deu tréguas para a sociedade ou escondeu através de iniciais a identidade dos citados, nunca fez que um lorde desejasse fugir para as Américas. Todavia, queridos leitores, sabemos que não há nada que cause mais pavor a um lorde do que uma horda de moças solteiras e nada traz mais terror que suas mães casamenteiras.

Imagina como desesperado lorde Nicholas St. John ficou ao ser citado pela revista feminina Pérolas e Peliças em sua mais nova coluna, Lições para Conquistar um Lorde, como um dos mais desejáveis solteiros disponíveis. O pobre coitado começou a ser seguido em todos os cantos, em casa, na taverna e até mesmo na Sociedade Real de Antiguidades. E não só por damas na idade de casar, as casadas e as moças de origem mais simples também. Então, fugir de Londres para caçar a irmã do duque de Leighton parece ser a desculpa perfeita para colocar o pé na estrada e dar o fora da loucura que se tornou a cidade.

Por outro lado, salvar a misteriosa lady Isabel Townsend na esquecida Yorkshire de ser atropelada por cavalos não estava nos seus planos. Mal sabe Isabel, mas Nick tem uma queda por donzelas em perigo e seus segredos, mais especificamente os segredos que Isabel quer manter escondidos a todo custo. Evidentemente, Nick não poderá deixar de lado a curiosidade pela dama em questão e nem por sua rara e preciosa coleção de estátuas de mármore. Sendo assim, permanecer naquelas terras tem um certo apelo. Apelo esse que é mais veemente pela mulher forte e espirituosa do que pelas estátuas em si.

Contudo, não pense que será fácil para o nosso herói conquistar tal mulher. A confiança de Isabel não é dada livremente, ela deve ter cuidado com cada informação que solta. Muitas pessoas dependem dela, seu pequeno irmão e duas dúzias de mulheres que ela abriga. Mulheres de classe baixa, filhas da pequena aristocracia, esposas maltratadas, prostitutas. A Casa de Minerva deve sempre se manter como um segredo bem guardado ou todos que precisam dela vão sofrer. Quanto mais rápido lorde Nicholas identificar as estátuas e vendê-las, melhor; mas é quase impossível esconder algo de um rastreador treinado como ele.

Essa é o tipo de história de amor que trata sobre segredos e velhas feridas, esperança e confiança. Sobrepor o passado de cada um é a verdadeira batalha, como amar alguém e ter um casamento feliz se nenhum dos dois teve algum exemplo? A mãe de Nicholas abandonou o pai para viver uma aventura, deixando o marido devastado. O pai de Isabel viveu uma vida de devassidão em Londres, esqueceu dos filhos e da esposa no campo, esposa esta que sofria, que o amava, que o queria de volta e viveu seus últimos dias amargurada. E isso os tornou tão fragilizados e ao mesmo tempo fortes, que eles prosperaram na tristeza de assistir aos pais definharem por amor.

A estória de Nick e Isabel tem uma trajetória clara. Isabel precisa confiar em Nick e ele deve ser aberto sobre o que o levou a Yorkshire. E, por fim, necessitam deixar o passado para trás e traçar o próprio futuro. Só que confiar em alguém com a dimensão dos segredos de Isabel não é fácil. Abandonar a visão da mãe definhando em uma casa aos pedaços à espera do marido por anos é quase impossível. Então, Isabel chega a ser exaustiva e, mesmo assim, eu a entendo, compreendo. E se em alguns pontos eu fiquei exausta com ela, esses foram compensados naqueles em que eu senti a determinação, o desespero e a tristeza. Mais uma vez Sarah MacLean criou uma personagem tão forte que me chamou mais atenção do que o protagonista masculino, o que é bem raro. E, mesmo assim, eu estou tão ansiosa para conhecer mais do Simon (Duque de Leighton) no último livro dessa trilogia, mas também não quero que termine…


9788580415292Título: Dez formas de fazer um coração se derreter (Os números do amor; 2)

Autor (a): Sarah MacLean

Editora: Arqueiro

Edição: 1 ed.

Ano: 2016

Páginas: 348

Skoob: Adicione!

Compre: Amazon

Beijos, May.

Livros, Resenhas

|RESENHA| Nove regras a ignorar antes de se apaixonar, de Sarah MacLean

Nove regras a igonarar antes de se apaixonar

Olá!

Tem algo que você quer muito fazer, mas não tem coragem? Você sente que precisa fazer aquilo, sentir como é, e viver aquela emoção pelo menos uma vez, contudo, você não pode? Não é nem uma opção para você, esqueça as ideias malucas e coloque-se no seu lugar. Porém, se ninguém descobrir, ficar tudo na surdina, por que não?

Nove regras a ignorar antes de se apaixonar é o primeiro livro da trilogia Os números do amor, de Sarah MacLean, publicado pela Editora Arqueiro em março. Estava muito ansiosa por esse livro, já que eu tinha lido os dois primeiros volumes de O clube do canalhas na virada do ano e gostei bastante. Recebi minha cópia linda e maravilhosa e a primeira coisa que eu fiz foi olhar as críticas, e o BookRiot.com diz:

“Divertido, perspicaz, feminista e fogosamente apimentado”.

Bem, eu fiquei esperando por esse ‘feminista’ e, confesso, pela a parte do ‘fogosamente apimentado’ também. Sobre o ‘feminista’, eu fui entender a referência quando o livro estava chegando à página 100; isso porque não é a heroína que é feminista, mas as ideias discutidas no texto. Acho que eu fiquei esperando algo meio Lydia, de O último dos canalhas. Uma mulher determinada a manter sua independência, lutando pelos marginalizados de Londres e uma figura imponente. Entretanto, o que eu recebi foi  Lady Calpúrnia Hartwell – Callie, pelo amor de deus -, uma mulher acomodada com seu lugar na sociedade.

” – O senhor e o resto da sociedade acreditam que é melhor para mim ser posta em um pedestal de formalidade e retidão… O que poderia ser bom, se uma década nesse pedestal não tivesse simplesmente feito com que eu permanecesse solteira. Talvez moças como nossas irmãs devessem estar lá. Mas e eu? – A voz dela sumiu enquanto baixava os olhos para as cartas em suas mãos. – Nunca vou ter a chance de experimentar a vida lá de cima. Só o que há lá em cima é poeira e pedidos desnecessários de perdão.”

p. 260

Callie sabe que nunca vai estar dentro do padrão de beleza para a alta-roda, a única coisa que ela tem é sua boa reputação. E para se manter assim ela precisa continuar enfadonha, sem graça e passiva. Logo ela, uma solteirona, a que deveria se preocupar menos em ter uma reputação perfeita. O problema dela não é só estar fora do ‘padrão’; é ela ficar sendo lembrada disso a cada momento da sua vida pela sua mãe, pelos seus familiares intrometidos e por quem mais quiser dar conselhos insensíveis. E fazer isso no dia do noivado da sua irmã mais nova é simplesmente cruel; a irmã que ela ama, mas sente uma pontada de inveja por estar recebendo tudo com que ela sonha acordada: um marido que a ame, uma família e felicidade sem fim.

– Não… o que queria mesmo era ser homem.

– Como disse?

– É verdade! Por exemplo, se lhe dissesse que vai ter que passar os próximos três meses tendo que ouvir comentários insensíveis relacionados ao casamento da Mari, o que diria?

– Diria “para o inferno com tudo isso” e me esquivaria de qualquer situação em que pudesse ouvir tais comentários.

Callie usou a taça de xerez para apontar na direção dele.

– Exatamente! Porque você é homem!

– Um homem que conseguiu evitar um grande número de eventos que teriam levado a críticas a respeito de sua solteirice.

– Benedick, a única razão por ter conseguido evitar esses eventos é você ser homem– disse Callie, com franqueza, levantando a cabeça. – Eu, infelizmente, não posso jogar pelas mesmas regras.

– Por que não?

– Porque sou mulher.

p. 36

Vamos concordar que não dá pra aguentar gente assim sóbrio nem se você fosse um santo! Uma taça de vinho, depois outra e mais uma, junte um pouco de influência do seu irmão mais velho e um pouco de ódio de si mesma. Tenha certeza que que nenhuma decisão boa ou lúcida pode sair disso. O que Callie faz nesse momento? Compila numa lista as coisas que ela gostaria de fazer. Coisas que os homens têm como garantidas, mas as mulheres estão muito longe de ter como opção. Callie não quer fazer essas coisas porque ela, como mulher da alta sociedade, não pode. Ela associa o modo como os homens vivem e o que eles fazem com liberdade, esses atos com aventura e tudo isso com viver. E ela nunca viveu de verdade, sempre tentou ser o que os outros esperaram que ela fosse, sempre tentando alcançar o inalcançável. Não só disso se faz a lista dela, é claro. Mesmo depois de toda a desilusão que é a vida dela, ela é do tipo que acredita no amor, nas cenas dos romances e em todos aqueles heróis perfeitos. Só tem 9 coisinhas na lista dela:

  1. Beijar alguém… apaixonadamente

  2. Fumar charuto e beber uísque

  3. Montar com as pernas abertas

  4. Esgrimir

  5. Assistir a um duelo

  6. Disparar uma pistola

  7. Jogar (em um clube para cavalheiros)

  8. Dançar todas as danças de uma baile

  9. Ser considerada linda. Pelo menos uma vez.

Aí você pode pensar que ela poderia começar por beber uísque, bem fácil até. Mas não, se for fácil, não tem aventura. E, lembre-se, ela está chumbada (bêbada). Eu não contei pra vocês, Callie imagina como o herói de todos aqueles romances um único homem, Gabriel St. John, o marquês de Ralston. Ela tem uma queda gigantesca há 10 anos pelo pior libertino de Londres, quiçá de toda a Europa. E ele, com certeza, não deve gastar nenhum segundo pensando nela. Não até Callie invadir a casa de Gabriel exigindo um beijo no meio da noite. Logo ele, que distribui beijos por aí quer negociar com Callie por esse. Isso porque Gabriel acabou de descobrir que tem uma irmã por parte de mãe da qual ele é responsável. Gabriel precisa da boa reputação de Callie para que sua irmã seja aceita, ou pelo menos tolerada, na alta-roda. A reputação que está em muito risco se for pela pequena e bombástica lista de regras a serem quebradas pela adorável Lady Calpúrnia.

“– Eu? Não era para eu estar aqui? – A voz dele falhou. – Da última vez que verifiquei, este era o meu clube esportivo! Um clube esportivo para homens! Onde homens esgrimem! Da última vez em que verifiquei, a senhorita era uma mulher! E mulheres não esgrimem!

– Esses são todos argumentos válidos – desconversou ela”

p. 179

Nos Romances de Época, sempre tem o casal principal que é o centro da estória toda. Callie e Gabriel tem uma sincronia interessante, os dois pensam parecido, mas não expressam. Eles sempre parecem divergir em todas as situações, mas eles funcionam muito bem. Tem um momento do livro em o Gabriel pensa e sente tudo o que Calpúrnia quer ouvir, mas ele não fala. Na verdade, ele abre a boca e diz a pior coisa que ele poderia ter dito. Apesar deles serem um casal lindo e viverem momentos muito engraçados, acabei relegando o Gabriel a um personagem coadjuvante. O protagonista sempre rouba a minha atenção nesse tipo de romance, mas a Calpúrnia me sugou completamente. Não que o Gabriel não seja um personagem interessante, fui eu que coloquei Callie em um pedestal e fiz dela a estrela mais brilhante. Eu senti uma conexão com ela, algumas vezes até me enervei com ela. Eu ficar meio louca, conversando sozinha e gritando com o Gabriel mentalmente, foi o que tornou o livro ainda mais maravilhoso. Estou louca para poder ler a estória do Nicholas, irmão gêmeo do Gabriel, e da Juliana, a irmã perdida.


FICHA TÉCNICA

Sarah MacLean - Os números do amor 1 - Nove regras a ignorar antes de se paixonar Título: Nove regras a ignorar antes de se apaixonar (Os números do amor; 1)

Autor (a): Sarah MacLean

Editora: Arqueiro

Edição: 1 ed.

Ano: 2016

Páginas: 374

Skoob: Leia a sinopse e adicione!

Compre: Amazon


Beijos, May.